Não encontrei outra forma de reiniciar esta coluna a não ser citando o Manifesto que a originou. Boa sexta e boa leitura.
O manifesto pela sexta-feira feliz
Por Caco de Paula
Que fique então combinado, vez em quando a gente sai pra passear.
Viajemos leves, deixando o cotidiano pra trás.
Que viajar, aqui mesmo ou lá longe, amplie o universo de todos nós.
Que os próprios caminhos sejam nossos olhos para a beleza de viajar.
Que se caminhe observando, nas ruas do seu bairro, ou numa trilha distante.
Que quem ama o trabalho perceba como a pausa pode ser produtiva
Tenha ela alguns minutos, horas, dias, semanas, férias, anos sabáticos.
Que se converse sobre folgas de maneira a que se possa programá-las
Pois planejar a viagem pode ser tão bom quanto viajar ou ter viajado.
Que se imagine tudo o que se pode fazer com um dia livre.
Que se perceba como um simples dia pode inspirar e nutrir.
Que se considere seu poder quando somado ao fim de semana: três dias
Que, seja na segunda, terça ou qualquer dia, vamos chamá-lo de sexta-feliz.
Que os colegas topem colaborar com essa idéia e se beneficiar dela
Ainda que só de vez em quando, mas pelo menos uma vez ou outra.
Que os chefes percebam como folgas são necessárias e produtivas.
Que os chefes convençam os chefes deles dessa verdade.
Que especialistas de RH nas empresas percebam a oportunidade.
Que os presidentes de empresas, funcionários, liberais, donas de casas,
Que amigos conversem sobre isso, que pais e filhos falem sobre folgas.
Que todos consigam combinar algumas folgas de vez em quando.
Que não sejam só folgas de feriadões, quando tudo está mais cheio e mais caro.
Que o beneficiário de uma sexta-feira feliz tenha o seu próprio feriadão.
Que faça com ele o que bem quiser.
Que se desapegue das amarras cotidianas, se desplugue do que sempre faz.
Que considere amanhecer em um outro lugar na sexta e passear no sábado.
Que ainda esteja desfrutando da viagem e do tempo criado para si mesmo.
Quando os sons do cotidiano de domingo tocarem aqui – e não lá,
Que o desfrute desse tempo seja pleno e produtivo, mesmo depois da viagem
Para que se encontre o tempo que tem de se dar quem não tem tempo.
Que fique então combinado, vez em quando a gente sai pra passear.
(texto encontrado hoje de manhã, num banco de praça em São Paulo,
escrito com esferográfica em papel almaço pautado)
Pedro Henrique Araújo trabalha na revista Viagem e Turismo e aproveitou sua sexta-feira em outro estado
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