J. Pinto Fernandes, 51 anos. Mineiro. Fumante. Heterossexual, com uma escorregada em Paris nos anos 70. Ex-militante da organização terrorista Var-Palmares. Ex-craque do time dente-de-leite do Banespa. Fundador, com Carlinhos de Jesus, da Academia de Dança Acadêmicos da Profilaxia. PhD em Ciência do Turismo pela Faculdade Clowes Ross de Boston. Tem 253 países carimbados em seu passaporte, mas gosta de uma meia-dúzia. É casado em quintas núpcias com uma moça bem mais nova.
Por que mostramos nossas fotinhos
Só tem uma coisa melhor do que viajar: falar sobre a viagem. O que nos impele a fazer isso? A vaidade, por uma. Mas também tem a vontade de dividir com os outros uma experiência, de mostrar aos outros o que a gente viu e que os outros possam também sentir o que a gente sentiu. Os gregos antigos conheceram a Ásia através de relatos públicos dos feitos de seus exércitos. Além de saberem e se orgulharem de si, eles viam um mundo novo se descortinar.
Penso nisso ao ver as fotos dos leitores na seção Viajantes. Cada foto de família num cruzeiro, cada imagem de casal na Europa, cada um desses flagrantes traz, consigo, um livro de contos. De como o viajante se deu bem aqui, se deu mal ali, foi feliz naquele lugar, foi infeliz naquele outro. E, de tudo isso, se faz um caldo que vai para um álbum, mas extrapola aquele espaço.
O escritor George Santayana disse o seguinte num ensaio chamado “Filosofia de Viagem”: “Às vezes nós precisamos escapar em direção à solidão, à falta de ambição, dentro das férias morais de simplesmente correr riscos, de modo a afiar a vontade de viver, de experimentar a dor, e de ser compelido a buscar desesperadamente um grande momento – não importa como”. Esse Grande Momento não precisa ser a escalada do Everest, a travessia do Canal da Mancha, a caçada dos Big Five na África. Pode ser qualquer coisa. Desde que diferente – e longe daqui.
E que renda uma foto e uma história, dessas que os leitores da VT mandam.
* J Pinto tem fotos de sua viagem a Brasília, aos 10 anos, onde formou sua primeira banda e na volta da qual seu pai lhe deu um longo abraço.