Com dunas
Elas são nossos vulcões, nossos icebergs, nossos picos gelados. Mesmo feitas apenas de areia, possuem um magnetismo poderoso: atraem bugues, andarilhos, meninos com pranchas. Algumas chegam a atrair os mais incríveis pores-do-sol. Frente a frente, duna e oceano encarnam a questão crucial do imaginário nordestino: é o sertão que vai virar mar ou é o mar que vai virar sertão? Escolha a sua e tire suas conclusões.
Quase tão bacana quanto assistir ao pôr-do-sol em
Jericoacoara é assistir às pessoas assistindo ao
pôr-do-sol em Jericoacoara. O fenômeno ocorre às 17h em ponto, a duna começa a ser escalada por gente que vem a pé da vila ou é trazida de bugue, jipe ou a cavalo, no ponto final do passeio do dia. Às 17h15, o topo está tomado por uma platéia armada de câmeras. Às 17h30, o sol se torna uma bola de fogo e tinge a duna de amarelo, e depois de rosa, antes de mergulhar no mar. Começa o show da debandada: cada espectador inventa sua maneira de descer. A mais divertida (para quem assiste) é rolar até lá embaixo. A duna continua a mesma – mas a vila, quanta diferença! Jeri parece decidida a se tornar a Trancoso do Ceará. Os sinais estão por toda parte: nas espreguiçadeiras de madeira em frente à praia do hotel Mosquito Blue (
www.mosquitoblue.com.br). Nas saladas refinadas do bufê do almoço do Clube dos Ventos – o bar de praia onde os windsurfistas gringos descansam entre uma surfada e outra. No número de jipões, que em certos momentos parece superar o de bugues. Entre um restaurante japonês e uma piscina de ladrilhinhos, no entanto, Jeri continua com PFs de 5 reais e pousadinhas com ventilador de mesa. O forró pega fogo aos sábados, e a tia Angelina vende sua incomparável torta de banana – mas agora tem uma loja na Rua Principal.
As dunas mais famosas são as de
Genipabu (25 quilômetros ao norte de Natal) e do
Cumbuco (30 quilômetros a oeste de Fortaleza). Além de passear de
bugue, dá para fazer
esquibunda, tomar banho de lagoa, andar de dromedário (em Genipabu) e de jangada (no Cumbuco). A hiperfotogênica
Praia da Lagoinha (100 quilômetros a oeste de Fortaleza) tem duas dunas. Uma, pequena e cor-de-laranja, no canto direito da praia, é para contemplar. A outra, enorme e branca, no canto esquerdo, é para percorrer de quadriciclo e fotografar no pôr-do-sol. Dunas para apreciar?
Mundaú (140 quilômetros a oeste de Fortaleza), cenário do passeio de barco pelo braço de mar,
Ponta do Mel (a 345 quilômetros de Natal), como vista de sua espreguiçadeira, à beira da piscina da pousada Costa Branca.
Espírito de aventura? Na pequena
Itaúnas, no Espírito Santo. Para chegar às dunas — de até 30 metros de altura—, é preciso atravessar uma ponte sobre o rio Itaúnas e andar uns 500 metros por uma estradinha de terra, até chegar ao Parque Estadual. Areia branca, lagoas e quilômetros de areias desertas dominam a paisagem. Atravessando tudo isso chega-se à praia (que tem alguns quiosques de sapé) e ao mar de ondas tranqüilas.
(Ricardo Freire)