De lagoas
Engraçado: ninguém pergunta “Qual é a sua lagoa?” Famílias não sonham em construir sua casa de lagoa. Poetas não suspiram pelas lagoas desertas. Nos anos 80, nenhuma banda de rock ameaçou com “Nós vamos invadir sua lagoa”. E, no entanto, pense bem: que banho de mar se compara a um belo banho de lagoa? Não é por acaso que tantos passeios terminem à beira de lagoas. Passear de barco, fazer windsurfe, aterrissar de aerobunda: curtir um dia na lagoa é tudo, menos um programa sem sal.
Maceió: entre lagoas. Maceió pode ser procurada pelo verde-piscina de seu mar, mas deve seu nome à água doce. Em tupi, massaió significa “o que tapa o alagado”. Se você prefere consultar um dicionário visual, basta pegar o passeio de escuna que sai do Pontal da Barra e singra a enorme
Lagoa Mundaú, passando por nove ilhas até a foz da
Lagoa Manguaba. Ou então ir até a Praia do Gunga – onde, apesar do coqueiral que convida a caminhar pela praia de mar aberto, a maioria dos visitantes fica no lado calminho do pontal, que recebe as águas da
Lagoa do Retiro. Visite as lagoas, mas não deixe de aproveitar as praias. Maceió é um verdadeiro showroom de praias bonitas. Vale a pena alugar um carro e explorar as areias ao norte (Guaxuma, Pratagi, Ipioca, Tabuba) e ao sul (Barra de São Miguel, Gunga, Pituba, Lagoa do Pau) no seu próprio ritmo. Locomover-se é fácil: você entra e sai da cidade pela orla mesmo. Come-se muito bem. Não tenha receio de se aventurar por cozinhas, digamos, exóticas. Maceió tem restaurante mineiro, italiano, capixaba, japonês, francês e até peruano – todos de qualidade. De todo modo, saiba que ir a Maceió e não provar um sururu de capote (marisco cozido na casca com molho de tomate e pimentão) é mais grave do que não passear por suas lagoas...
Lençóis Maranhenses: um mar de lagoas. Não é só você – todo mundo quer visitar os Lençóis Maranhenses. A boa notícia é que os Lençóis já estão preparados para a sua visita. Os 260 quilômetros de São Luís a Barreirinhas estão asfaltados, e a cidade já aprendeu a funcionar como uma base para explorar a região. E o mais importante acaba de acontecer: o Ibama disciplinou o acesso ao parque, permitindo-o apenas a agências credenciadas e proibindo os jipeiros de fazer manobras ecologicamente incorretas, como subir nas dunas. Os pacotes costumam incluir de dois a três dias em Barreirinhas, que são aproveitados para fazer passeios à
Lagoa Azul e à
Lagoa Bonita e ao Rio Preguiças. Quer uma dica quente? Tente estender sua permanência por mais um ou dois dias, para poder ir a Santo Amaro do Maranhão. É nos arredores desta cidadezinha perdida na areia que estão algumas das lagoas mais lindas do parque, como as
Emendadas e a
da Gaivota. Se você estiver com amigos, pode fretar um jipe. Sozinho, pegue o ônibus da Cisne Branco (98/3243-2847), que faz conexão com o jipe de linha que sai do distrito de Matões. Vá no verão – mas no verão maranhense, que começa em junho. É um grande programa para as férias de julho. As lagoas ficam cheias até setembro.
Ache sua lagoa. Em
São Luís, a
Lagoa da Jansen está no meio de um parque e tem bares que fervem à noite. Em Tatajuba e Jericoacoara, todo mundo prefere o banho na
Lagoa da Torta e na
Lagoa Azul. Os bugues do Cumbuco levam à
Lagoa do Banana; os de Morro Branco, à
Lagoa do Uruaú. Não dá para sair de Genipabu sem ter descido de aerobunda na
Lagoa de Jacumã; tem gente que sai de Pipa só para se banhar na
Lagoa da Coca-Cola, na Baía Formosa.