Com piscinas
Nossos aquários em alto-mar. Elas não têm areia, não têm coqueiros, não têm sequer lugar para estender a canga – e, mesmo assim, são as praias mais cobiçadas. Algumas ficam lá no meio do mar, as danadas. E todas, sem exceção, só aparecem com hora marcada: na
maré baixa, que é quando os recifes ficam acima da superfície e represam verdadeiros aquários de peixinhos. E são ainda mais bonitas nas
luas cheia ou nova (que fazem a maré secar mais), nos meses de verão (quando o mar está mais cristalino), com sol alto (que aumenta a sensação de transparência) e antes do pico mínimo da maré baixa. E aí, trouxe o snorkel?
As piscinas naturais de
Porto de Galinhas não são grandes, mas talvez sejam as mais encantadoras do Brasil. Primeiro, porque ficam pertíssimo da praia. Depois, porque você vai até elas da maneira mais romântica: de jangada. E, acima de tudo, porque elas jamais decepcionam: estão sempre cristalinas e cheias de peixinhos.
Houve um tempo em que as piscinas naturais eram o único motivo para ir a Porto de Galinhas (65 quilômetros ao sul do Recife). Então surgiu um belo restaurante, o Beijupirá, e foram aparecendo uma pousada aqui, um hotel acolá. De repente, Porto de Galinhas deixou de ser uma praia com nome engraçado para se tornar a sensação de Pernambuco. Hoje, seus 10 quilômetros de mar azul-bebê recebem mais turistas do que o Recife. A Praia de Muro Alto, na ponta norte da orla, ostenta mais resorts do que a baiana Costa do Sauípe. Depois de alguns anos de crescimento desordenado, Porto de Galinhas tenta recuperar o charme de antigamente. O centrinho passou por reformas para voltar aos trinques. Os bugueiros foram disciplinados, e não podem mais percorrer a orla em frente aos hotéis. Além das piscinas naturais, a maré baixa revela duas praias absolutamente perfeitas: o
Pontal do Cupe (6 quilômetros ao norte da vila, à esquerda do Hotel Pontal de Ocaporã) e
Serrambi (14 quilômetros ao sul da vila, em frente ao resort VentaClub). Na maré alta, vá ver gente bonita em
Maracaípe (3 quilômetros ao sul da vila). E, se o dia estiver nublado (toc, toc, toc), não pense duas vezes: vá fazer aquele passeio a Recife e Olinda.
As maiores piscinas naturais do Nordeste são as
Galés de Maragoji (125 quilômetros ao norte de Maceió ou ao sul do Recife), que ficam a 25 minutos de catamarã da praia. Os vendedores de passeio comercializam garrafinhas com comida para atrair peixes – não compre: é ração de cachorro, e pode matar os peixinhos. Alagoas também tem belas piscinas na
Praia do Toque, em São Miguel dos Milagres.
Os
Parrachos de Maracajaú, 65 quilômetros ao norte de
Natal, não são muito rasinhos – mas você ganha um flutuador de isopor para amarrar na cintura. Para chegar, são 30 minutos de catamarã.
Outra piscina fácil de chegar? A do
Picãozinho, em João Pessoa, que fica em frente à Praia de Tambaú – a 15 minutos de barco. Já em Maceió, a piscina urbana da Pajuçara perdeu a transparência. Vale mais a pena viajar até
Paripueira (33 quilômetros ao norte, 20 minutos de barco).