De rios
Eles (também) correm para o mar. Alguns passam despercebidos por debaixo da ponte. Outros impõem respeito, e só se deixam atravessar por balsas. Há os rios para passear – e os que têm praias tão importantes quanto as de oceano. Alguns só têm significado para uns poucos vilarejos; outros funcionam como referência para regiões. Pequenos ou caudalosos, enriquecem a paisagem à beira-mar. O que é mais bonito: um manguezal ou um coqueiral? O mais bonito é poder ver um perto do outro.
São Francisco. Muito antes da polêmica da transposição, ele já foi modificado pela mão do homem. Uma dessas interferências, a usina hidrelétrica do
Xingó, fez surgir a paisagem mais inusitada do Velho Chico: o
cânion inundado, onde você mergulha nas águas verdes da
Gruta do Talhado, depois de um passeio de escuna rio acima ao som de forró pé-de-serra (saídas do reservatório do Xingó). A melhor porta de acesso fica do lado sergipano, em
Canindé de São Francisco (200 quilômetros a noroeste de Aracaju). Uma viagem inesquecível é o passeio à foz do rio, no lado alagoano. Você pega um barquinho em
Piaçabuçu (25 quilômetros a leste de Penedo) e costeia o rio, vendo a paisagem mudar do verde do mangue ao amarelo das dunas.
Parnaíba: triângulo das descobertas. “O único delta em mar aberto das Américas”, trombeteiam os folhetos. O slogan é pomposo, mas não dá conta de dizer o que é realmente interessante no
Delta do Parnaíba: a diversidade de ecossistemas abrigados nesse emaranhado de ilhas, formadas entre braços de rio, igarapés e braços de mar. A vegetação muda de acordo com a predominância de
água doce ou salgada; em alguns locais, dunas hospedam lagoas de água de chuva, como nos Lençóis Maranhenses. O ponto de partida é a pacata
Parnaíba, de onde saem passeios de barco ou de voadeira (nas agências do Porto das Barcas, av. Presidente Vargas). Se for pouco, visite a
Ilha do Caju e passe uns dias na praia, em Luís Correia (a 15 quilômetros de Parnaíba).
Quem vai aos
Lençóis Maranhenses pela paisagem de areia se surpreende com a vegetação do
Rio Preguiças. Em alguns trechos, o mangue é tão alto que você pode pensar que a voadeira escapuliu do Maranhão e chegou à Floresta Amazônica. Próximo à foz, no entanto, a paisagem fica arenosa, e a voadeira pára em
Caburé, onde a faixa de areia é tão estreita que você pode tomar banho de mar (saídas de Barreirinhas. É possível pernoitar em Caburé ou na foz, em Atins).
Alguns rios têm águas tão verdes que você pensa que está no mar. É o caso do
Coreaú, em
Camocim (370 quilômetros a oeste de Fortaleza), no verão cearense (de julho a dezembro). Ou da hiperfotogênica
Praia dos Carneiros, em
Tamandaré, ao sul do Recife. Ali pertinho, em
Maracaípe (3 quilômetros ao sul de Porto de Galinhas), um passeio de jangada rio acima leva a uma área de preservação do cavalo-marinho.