
Aqui é a última parada para comprar aguardente e limão", avisa o guia Jonny Indiano, numa lanchonete na beira da estrada. Estamos a caminho de um trecho do Pantanal sul-mato-grossense. O aviso é em inglês, já que a maioria é de estrangeiros. Português a equipe que organiza a viagem só usa entre si. Sou a única brasileira entre 25 europeus, australianos e israelenses. Nosso destino é uma fazenda em Nhecolândia, região do Pantanal ainda pouco explorada pelo turismo e repleta de animais. Uma agência de Campo Grande organiza expedições que saem mais em conta do que ficar nas pousadas da área. Para baratear os custos, os organizadores montaram um acampamento. Dorme-se em rede ou barraca e toma-se banho de chuveiro frio.
Tudo é muito rústico. Mas o programa de gringo atraiu cerca de 2 mil turistas em março e abril, dos quais apenas 60 brasileiros. A viagem começa em Campo Grande. Rodamos pouco mais de 300 quilômetros pela BR-262, em um microônibus, até um lugar chamado Buraco das Piranhas. Ali começa a Estrada-Parque, 117 quilômetros divididos por pontes de madeira que atravessam parte do Pantanal e saem perto de Corumbá, quase na fronteira com a Bolívia. Em meio aos trancos das Toyotas, os turistas conversam. Dorothy, escocesa, diz à holandesa Neo que quer conhecer o Rio e experimentar a famosa caipirinha. Batata. De vez em quando, o carro tomba para os lados com o peso do grupo. Todos querem ver os jacarés e as capivaras atravessando a estrada.
Por: Débora Menezes | Foto: Débora Menezes
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