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Bem longe do axé

João Pessoa, a capital da Paraíba, tem tudo que as capitais nordestinas têm de melhor: praias lindas nos arredores, artesanato de primeira, sol. Só falta a ferveção. Graças a Deus!
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Quando você conversa com algum pessoense e comenta que a cidade é linda demais para não estar abarrotada de turistas, todos levantam aos mãos para o céu e dão graças a Deus. Eu concordo com eles. O fato de João Pessoa ainda não ser moda no Nordeste (segundo a Embratur, em 2003, 900 mil pessoas estiveram ali; em Salvador, 4,5 milhões) é parcialmente responsável pela limpeza e a organização. Se ela fosse famosa, os prédios baixinhos, próximos à praia, provavelmente dariam lugar a grandes hotéis, o atendimento perderia a simplicidade quase "caseira" e o "barato-paz" se transformaria em "caro-muvuca". A cidade, tranqüila, parece ter sido feita para ansiosos. Como eu. Tudo é muito perto: a 15 minutos do aeroporto há hotéis e pousadas. O mar fica a dez minutos. Quem se hospeda em Cabo Branco, a praia mais freqüentada e onde fica a maior parte da rede hoteleira, está ao lado da vida noturna de Tambaú e pertinho do litoral sul e de Cabedelo. E nem por isso longe do sossego.

Fundada em 1585, com uma população de aproximadamente 600 mil habitantes, João Pessoa é bela e cercada de beleza. Tambaba, a única praia de nudismo do Nordeste, e Coqueirinho competem ombro a ombro com suas rivais cearenses ou baianas por suas falésias cheias de "castelinhos" formados pela erosão e a chuva. O litoral pessoense tem oito baías cercadas de corais, o que mantém a temperatura da água na média agradabilíssima de 28 graus. É o lugar de gente como dona Cida, que tem uma lojinha-quiosque de jóias de ossos de boi na Ponta do Seixas, o ponto mais oriental das Américas, e que não pára de sorrir enquanto exibe, com orgulho, seu lindo trabalho. E de gente como Pascal, francês bacana casado com brasileira que é conhecido por lá por seu genial restaurante-bar-pizzaria-sorveteria, chamado Portal de Jacumã, na praia de mesmo nome. É em João Pessoa que fica a segunda maior reserva de Mata Atlântica em área urbana do Brasil. O Jardim Botânico, ou Mata do Buraquinho, como é mais conhecido, tem trilhas para caminhadas, sagüis e preguiças. Ao contrário de seu similar carioca, esse Jardim Botânico tem todas as suas plantas com certidão de nascimento paraibana.

Por: Tatiane Bernardi | Foto: Divulgação
Matéria publicada em Viagem e Turismo
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