
Uma das possíveis frustrações do viajante moderno é ir num lugar que dizem estar cheio de bichos e, chegando lá, não ver nenhum. Chato, mas ocorre. Outra, mais recorrente, é a de ver um animal, só que lá loooonge... O mundo selvagem tem suas leis, entre elas, principalmente, a da sobrevivência - qualquer barulho ou movimento e pronto: o gavião voou, a paca fugiu. Se esses sentimentos lhe são familiares e se algo em você, uma voz lá dentro clama por uma experiência de verdadeira interação com a bicharada, então Abrolhos é seu destino. (Poderia ser Fernando de Noronha, mas certamente custaria bem mais caro.)
Neste pequeno arquipélago do litoral baiano, formado por cinco ilhotas e alguns cinturões de corais, você pula da varanda da pousadinha (o barco ou saveiro que o levou até lá) e, usando apenas máscara e snorkel, nos segundos seguintes está nadando entre os peixes - dezenas, centenas deles, de vários tamanhos e cores. Ao contrário dos bichos lá em cima, esses não fogem e, às vezes, chegam até a encostar na gente. Claro, debaixo d'água também não somos os mesmos. Nossos movimentos tornam-se lentos, densos, nos dão a leveza e elegância dos bailarinos. No admirável mundo subaquático, estamos calados, solenemente absorvidos.
Por: Carlos Meirelles | Foto: Fernando Vivas
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