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Chinelinho ou Salto Alto?

Dá para curtir Angra como nobre ou como plebeu. O barco? Basta alugá-lo
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Angra dos Reis é um dos redutos de verão mais chiques da costa brasileira. É o único lugar do país que abriga mansões com uma dúzia de suítes, iates com heliporto, ilhas particulares de 2 milhões ou 3 milhões de dólares e muitos famosos. Fora isso, são 193 quilômetros quadrados de ilhas e praias que não perdem para as do Caribe. O que levou tanta riqueza a Angra foi a Baía da Ilha Grande, de águas calmas e perfeitas para navegar, e a proximidade do Rio de Janeiro (a 168 quilômetros) e de São Paulo (411). Esqueça as praias do continente ou a cidade, apinhada de condomínios de luxo ao lado de barracos nas encostas. "É impossível aproveitar a região sem barco", diz Denise Godoy, freqüentadora assídua e dona, com o marido Ernani Paciornik, de uma lancha de 50 pés e da revista especializada Náutica.

Mas não pense que é preciso ser milionário para curtir essas maravilhas. Para provar, eu e a fotógrafa Ana Ce alugamos uma lancha, sem rombos na conta bancária, e exploramos as melhores ilhas, os restaurantes e as baladas. O resultado? Vimos que a baía é maravilhosa. De quebra, descobrimos costumes inusitados de um modo de vida muito próprio.

Um deles é que "ir à praia", em Angra, não significa ir à praia, digo, à areia. Muitas pessoas ali chegam de barco à orla e não descem dele - ficam apenas olhando o litoral. A areia é mais para correr ou jogar frescobol. "Mesmo porque se o cara ficar muito tempo fora do barco ninguém vai ver que é dele", diz Fernando Rocha, que trabalha com aluguel de lanchas na baía. É também um segredinho local que, apesar de a propaganda turística dizer que Angra tem 365 ilhas, o "mel" mesmo está em uma dúzia delas. As outras não têm praia ou são minúsculas. E é apenas na temporada de verão, entre dezembro e março, que elas se transformam no cenário do agito de elite que lhe deu fama internacional.

Por: Claudia Carmello | Foto: Ana CE
Matéria publicada em Viagem e Turismo
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