
Como uma cidade famosa pelos shoppings-de-enlouquecer-sacoleiras, pela ostentação de seus milionários e por uma vida noturna com alta concentração de néons, drag queens e celebridades, como Ricky Martin e Jennifer Lopez, pode se transformar, do dia para a noite, em um destino up-to-date? E ainda no centro de arte contemporânea mais agitado do momento? Money é a resposta. Uma nova Miami de cultura e bom gosto está surgindo pelas mãos de grandes cadeias hoteleiras, investidores imobiliários, ricos colecionadores de arte e poderosos designers de interiores.
Tudo deve ser possível para essa que é a maior cidade da Flórida e tem em seu currículo outras experiências de repaginação depois de um período de má fama. Na primeira vez em que Viagem e Turismo esteve lá, em julho de 1996, Miami voltava à moda depois de passar anos com a pecha de violenta e refém do tráfico de drogas - imagem que a série de TV Miami Vice ajudou a fixar. Naquela época, centenário da cidade, os edifícios art déco voltados para o mar de South Beach (a parte sul da ilha de Miami Beach, onde até hoje se concentra a maior parte dos turistas) já tinham sido restaurados e transformados em hotéis-butique. Sem perder os néons, claro. A cidade consagrava-se a preferida de uma parte da elite brasileira, aquela identificada com o estilo de vida dos emergentes da Barra da Tijuca (na época, 35% dos novos imóveis comprados ali eram adquiridos por brasileiros). Também curti essa fase quando vinha atrás da adrenalina de comprar com o dólar a 1 real. O fato é que, passada a euforia, Miami ficou no nosso imaginário como um destino, digamos, kitsch.
Por: Claudia Carmello | Foto: Louise Chin
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