Uma pulseirinha. Era tudo de que eu precisava para ser feliz na República Dominicana, o país com a maior concentração do mundo de resorts all-inclusive, aqueles com refeições e bebidas (até alcoólicas) incluídas. Meu roteiro era apetitoso: alguns dias em Punta Cana, a praia do momento, um pit stop na capital, Santo Domingo, já a meio caminho das praias douradas de Puerto Plata, no noroeste. Dava para fazer tudo em dez dias - o país, que divide com o Haiti a ilha de Hispaniola, é pouco maior que o estado do Espírito Santo. Achei que partia para férias de mordomias, com direito a garçom trazendo petiscos fresquinhos à beira da piscina, drinques, café no quarto, tudo sem colocar a mão no bolso. Não foi bem assim. E quer saber? O it da viagem foi exatamente o extramuros, sem o comodismo da pulseirinha.
Não foi no primeiro dia, claro, que cheguei a essa conclusão. Na mente de qualquer pessoa a caminho do Caribe só cabem três coisas: mar de sonho, coqueiros e areia branquinha. São mantras que ajudam a vencer as 7 horas de vôo até o Panamá, mais 2 até Santo Domingo e outras 3 e meia de carro até Punta Cana (ainda não há vôo direto para o país e eu não consegui vaga no vôo via Miami - 100 dólares mais caro, mas com desembarque já em Punta Cana). Chegando ao resort à beira-mar, a paisagem é tão linda que parece mesmo suprir todas as nossas necessidades. É quase um útero materno. Para mim, foram 36 horas de êxtase: o toque do sol na pele, o cheiro de maresia, o hipnótico azul do mar, a brisa que balança os coqueiros.
Por: Claudia Carmello | Foto: Claudia Carmello
Matéria publicada em Viagem e Turismo