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À Francesa

Fica no Canadá. Mas seu apelido é 'Paris americana'
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Je me souviens. A frase curtinha - "Eu me lembro", em português - que aparece em todas as placas dos carros de Quebec, a província de língua francesa do Canadá onde está Montreal, é carregada de simbologia. É a abertura de um poema que define a importância de ser francês (e jamais se esquecer disso) num país em que os ingleses sempre detiveram o poder. A frase resume o orgulho québécois, que também pode ser visto no tremular das muitas bandeiras azuis de Quebec. Pois esse pedaço do Canadá que fala francês, que proíbe o ensino do inglês nas escolas e que arrancou esse mesmo inglês das placas de trânsito é um lugar a não se esquecer. "Je me souviens", repito no meu francês sofrível. Como oublier (esquecer) Montreal?

O apelido de "Paris americana" da cidade se justifica. Com seus 3,3 milhões de habitantes, é a maior metrópole de idioma francês fora da França. E tem o charme de muitos bairros, ou melhor, arrondissements, de Paris. O Sena canadense é o São Lourenço, rio ao longo do qual está boa parte de Montreal - a cidade é uma ilha, na confluência do São Lourenço com o rio Ottawa. Uma das regiões mais legais é a Vieux Montreal (Montreal Velha), à beira do São Lourenço, com construções do século 18 e a belíssima prefeitura, na Place Jacques Cartier. À noite e com neve, ou de dia, no verão, com dezenas de artistas ocupando as ruas, o lugar vale a visita por seus bons restaurantes e imóveis históricos. Já o Plateau Mont-Royal, onde ficam os bistrôs, livrarias e cafés mais movimentados de Montreal, lembra o Boulevard St-Germain. Não é fácil ver gente levando baguetes para casa debaixo do braço ou estudantes recitando trechos do livrinho rouge de Mao Tsé-Tung entre bafarodas de cigarros Galouises. Mas essa imagem, mesmo para Paris, ficou em algum lugar dos anos 60. No Plateau, hoje, o que se vê são clubes de jazz e restaurantes que emprestam uma legítima atmosfera francesa a Montreal. Um belo exemplo é o L'Express, com suas quiches e saladas. Em junho, o bairro (e toda a cidade) ferve, com o Festival de Jazz de Montreal, já em sua 23a edição. Este ano, o tom é dado pelas (senhoras) cantoras Diana Reeves e a cubana Omara Portuondo.

Por: Paulo Vieira | Foto: Divulgação
Matéria publicada em Viagem e Turismo
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