
Tombada em 1938 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a cidade ganhou destaque a partir da década de 80. Depois da morte de Tancredo Neves, em 1985, a vizinha São João del Rei, terra natal do político, entrou em evidência. O número de turistas ali aumentou. Pela maria-fumaça ou de carro, eles também chegaram a Tiradentes.
Alguns desses turistas se apaixonaram pela cidade e resolveram ficar. Como o diretor de televisão Yves Alves, que se mudou para lá antes mesmo do rebuliço provocado pela morte de Tancredo. Yves iniciou um processo para transformar Tiradentes num pólo cultural. Outros se juntaram a ele. Fecharam seus negócios, largaram seus empregos nos grandes centros e levaram um toque descolado para as ruas de pedra e os casarões. Assim surgiram os primeiros restaurantes de culinária internacional, os hotéis de luxo e o artesanato feito com material de demolição da Oficina de Agosto. Com o Festival de Gastronomia e a Mostra de Cinema, a partir de 1998, a cidade acabou de se firmar como um destino cultural.
Mas, felizmente, as coisas boas e simples da vida ainda estão por aqui. Chico Doceiro fez fama com canudinhos e outros doces caseiros, que produz há 41 anos. Trabalha na cozinha da sua casa, onde preza a simplicidade. Para dar conta de atender às encomendas e os fregueses, recebe a ajuda da esposa e do filho. Abriu uma porta para a garagem e colocou ali um balcão com doces expostos, duas mesas e um refrigerador. Quando entra um freguês, quem estiver menos ocupado se encarrega de atendê-lo. Diariamente fazem cerca de 500 canudinhos e vários quilos de outros doces, todos a 50 centavos cada um. "Já mandei doce até para o Japão", gaba-se.

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