
Que Santiago de Compostela, que nada. O Rio Grande do Sul também tem sua rota de peregrinação. O Caminho das Missões liga São Borja a Santo Ângelo, um trajeto de 325 quilômetros por estradas de terra, antigas trilhas guaranis e velhas picadas de tropeiros. Percorrê-la é uma verdadeira missão, claro que não tão ambiciosa quanto a da Companhia de Jesus, que aportou por lá em 1603 a fim de catequizar os povos da Bacia do Prata. Mas foi só no fim do século 17 que o negócio vingou. Por 150 anos, mais de 100 mil pessoas viveram ali, com uma harmonia pouco vista na história do país. Fundaram os Sete Povos das Missões. A São Miguel das Missões, Patrimônio Cultural da Humanidade, somaram-se São Lourenço Mártir, São João Batista, São Nicolau (locais onde ainda existem ruínas), São Borja, São Luís Gonzaga e Santo Ângelo (onde não restou pedra sobre pedra).
Como toda boa peregrinação, entretanto, as ruínas não são o objetivo principal. O que vale é o caminho. Fazendas abrem as porteiras para os peregrinos catarem laranjas e tangerinas (por ali, limas e bergamotas). Parte da diversão é ouvir as histórias de quem recebe ao redor do fogão. Prepare-se para a comida de estância: vaca atolada, churrasco no fogo de chão, arroz-de-carreteiro, cachaça e chimarrão. A estrada é de terra vermelha em quase todo o percurso, o que significa lama em dias de chuva e nuvens de pó quando está seco. O relevo da região é plano, com algumas ondulações, as coxilhas, que causam um efeito bem impressionante no horizonte. No verão, caminha-se sob calor de 30ºC, enquanto o inverno tem temperatura média de 10ºC mais umidade - geadas são freqüentes.
Por: Willians Barros e Roberta Faria | Foto: Marcelo Curia
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