
Sempre fui um amante incondicional do mar. Mas confesso que, à noite, cheguei a pensar em cancelar o passeio em que conheceria três das principais ilhas próximas a Ubatuba: Anchieta, Prumirim e das Couves.
Assim, quando as minhas olheiras chegaram ao píer Saco da Ribeira naquela manhã azul-acinzentada e fui apresentado ao marinheiro Zé Carlos, que comandaria o veleiro Sunny durante todo o dia, a primeira pergunta que lhe fiz foi se nossa viagem seria 100% segura. "Cem por cento nunca é, mas 99% eu garanto", me disse, com um sorrisinho. Senti firmeza na figura.
Partimos por volta das 8 da manhã, rumo à Ilha Anchieta. Um trajeto que não chegou a durar nem 40 minutos. A ilha, conhecida pelas ruínas do presídio que abrigava centenas de detentos até o estouro da "Rebelião do Ódio", em junho de 1952, virou, em 77, sede de um parque ecológico, visitado e habitado por estudiosos do mundo inteiro, o Parque Estadual da Ilha Anchieta. As ruínas do presídio estão rigorosamente preservadas. Grades enferrujadas, cacos de telha, musgo nas celas, entulho que o tempo esculpiu formam, paradoxalmente, uma paisagem mórbida e bela.
Tive de abdicar das trilhas que o parque oferece aos visitantes por uma questão de tempo. O percurso entre as ilhas Anchieta e das Couves, nossa próxima parada, demoraria, com a falta de vento, mais de três horas. Dentre as sete trilhas existentes, a mais procurada é aquela que leva à Praia do Sul. Nela, segundo Maria Alice, uma das coordenadoras do parque, é possível avistar macacos, capivaras, cotias e dezenas de espécies de pássaro. Mas o nosso tempo urgia.
Por: Ciro Pessoa | Foto: Talita Ribeiro
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