O que você vai experimentar na Osteria Francescana é algo com formas, texturas e aparências completamente inusitadas. Um capuccino de abobrinha com purê de batatas e balsâmico. Uma espuma de melão com calda de presunto. Ou as quatro versões do queijo Parmigiano Reggiano, de suflê a galeta, sua especialidade. "Faço uma releitura dos clássicos italianos", diz ele.
O que Massimo executa na cozinha - e apresenta no salão moderninho de seu restaurante (nada de toalhas quadriculadas e frios pendurados no teto, diga-se) - é, de certa forma, o que se vê nas ruas das principais cidades da região da Emília-Romanha: uma Itália elegante, cosmopolita, reinterpretada. É comum ver, em lugares como Bolonha, Parma e a própria Modena, homens de terno e mulheres de salto alto desfilando em bicicletas sob os arcos que tomam conta das calçadas dos centros históricos. Executivos impecáveis comendo um belo sanduíche na escadaria de uma igreja medieval. Adolescentes alegres e desencanados participando de um festival de cinema ao ar livre em plena praça principal. A Emília-Romanha protagoniza uma Itália contemporânea, alto-astral, jovem. Há algumas razões para isso. Bolonha tem a universidade mais antiga da Europa, fundada oficialmente no século 10, que atrai gente de todas as partes.
Nos arredores de Modena ficam as fábricas de algumas das máquinas mais desejadas no mundo todo: Ferrari e Maserati. Parma atrai gourmets de todo canto por ser um centro exportador de algumas das maiores delícias da cozinha italiana, caso do presunto cru e do autêntico queijo Parmigiano Reggiano.
Situada no centro do país, a Emília-Romanha é uma terra de campos e colinas que se estendem ao longo do Vale do Rio Pó, uma espécie de barreira geográfica que separa os Alpes, ao norte, do sul peninsular. De um lado, o Vêneto, a Lombardia. Do outro, a Toscana. Isso faz com que muita gente acabe passando batido por essas bandas, no caminho entre Veneza e Florença ou Roma, por exemplo. Bobagem. Vale a pena reservar alguns dias para conhecer uma das mais bonitas catedrais românicas do país, o Duomo de Modena, fundada no século 12; subir os 97 metros da Torre degli Asinelli ou se perder pelos mais de 40 quilômetros de calçadas cobertas de Bolonha; visitar o belíssimo Batistério de Parma (não deixe de experimentar os sorvetes da K2, ao lado). E parar com calma nas banquinhas de frutas e verduras espalhadas por todo canto, nas fazendas de queijo, nas acetaias que fabricam os vinagres balsâmicos mais famosos do mundo, nos restaurantes moderninhos. Porque a Emília-Romanha tem cheiro. E gosto. E se orgulha de ter a gastronomia como um de seus principais atrativos turísticos.
Acelera, Rubinho!
A pequena Maranello, cerca de 15 quilômetros ao sul de Modena, tem pouco mais de 15 mil habitantes. Boa parte trabalha no mesmo lugar: "a" fábrica.. E divide, com uma legião de fãs nos quatro cantos do mundo, uma mesma paixão: "a" máquina. Fundada em 1940, a Ferrari produz os mais desejados objetos de consumo dos aficionados por velocidade.
Passar um dia em Maranello é sentir cheiro de borracha queimada, ouvir os pneus cantando nas curvas do circuito de testes e mergulhar num universo onde reina, com exclusividade, il cavallino. Para conhecer carros antigos e os de corrida, um breve histórico da Fórmula 1 e ver de perto os troféus conquistados pela escuderia, vá à Galleria Ferrari, o museu da marca. Na loja oficial estão à venda de adesivos e bonés a volantes de F1, passando por camisetas estampadas com a foto de Rubens Barrichello.