48 Horas em Gramado e Canela
O melhor dos dois destinos mais charmosos da Serra Gaúcha
Leonid-Streliaev
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Pórtico de entrada de Gramado (RS)
Destino serrano bom é aquele que não depende exclusivamente do frio para viver sempre cheio. Gramado faz parte dessa estirpe. Menos populosa que as “rivais” Campos do Jordão e Petrópolis, a cidade encanta não somente pombinhos apaixonados, mas também famílias que, ao ultrapassar os pórticos de entrada, tiram a primeira e tradicional foto de Gramado. A segunda será das construções bávaras que recheiam as principias avenidas – Hortênsias e Borges de Medeiros. Dispor de apenas 48 horas em Gramado não são suficientes, mas bolamos um roteiro com o essencial para aproveitar a cidade e ainda dar um pulo na vizinha Canela.
DIA 1
Manter o peso em Gramado é tarefa que nem Ethan Hunt, o agente secreto interpretado por Tom Cruise em Missão Impossível, conseguiria cumprir. A orgia calórica começa no café da manhã. Por mais simples que seja o hotel ou a pousada, o desjejum assume ares de mini-café colonial, com itens a encher a barriga de qualquer um.
Nada como uma boa caminhada para servir de antídoto. Melhor ainda se for em volta do romântico Lago Negro. Ladeado por pinheiros provenientes da germânica Floresta Negra, o lago tem uma curiosa peculiaridade: em nenhum ponto, conseguimos observá-lo por inteiro, deixando a impressão de ser maior do que realmente é.
O carinho e dedicação de um avô por seus netos rendeu uma das atrações mais inusitadas e queridas de Gramado, a agradar adultos e crianças: o Mini Mundo, uma cidade em miniatura, onde castelos, aeroportos, prefeituras, igrejas e outras tantas construções foram reduzidas em 24 vezes do seu tamanho original. Para dar vida à cidade, 2 500 habitantes miniaturizados participam da cena. Reserve ao menos uma hora para contemplar as construções e se ater aos minuciosos detalhes.
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A ideia do Mini Mundo originou-se do carinho de Otto Höppner por seus netos. Créditos: Leonid-Streliaev/Divulgação
Concluído o período matinal, hora de pensar no almoço. Filial da premiadíssima galeteria de Bento Gonçalves, o Casa di Paolo é certeza de boa e muita comida. A saborosa sopa de capeletti, o galetinho bem crocante, o queijo à dorê bem derretido e as massas caseiras circulam à vontade pelas mesas.
Mais uma vez caminhar é o melhor remédio para gastar as calorias. Dessa vez, em meio a animais tipicamente brasileiros. Essa é a proposta do Gramado Zoo, onde o visitante percorre um circuito de 1200 metros com viveiros e vidros blindados no lugar de jaulas. Muitas das 250 espécies do zoo eram criadas em cativeiro e foram agraciados com um lugar mais digno. O zoológico fica em Várzea Grande, na saída para Porto Alegre.
Ali pertinho, a fábrica Cristais de Gramado é um programão para a família. Usando a mesma técnica criada na ilha italiana de Murano, os objetos coloridos expostos no show room fazem coçar as carteiras dos adultos. Enquanto isso, a criançada se agita observando a confecção das peças.
Retornando à área central, um pit stop na Teeladen Casa de Chá é sempre uma grande pedida. Na pequena construção de tijolinhos, encontra-se mais de cem tipos de infusões que podem ser bebericadas na companhia de uma cremosa carolina recheada.
A noite chega e é quase inevitável a associação com fondue. Ninguém sai de Gramado sem tê-la provado ao menos uma vez. Pela cidade, o que mais se vê são faixas anunciando rodízios do prato predileto dos casais. Carne, queijo, chocolate e, pasmem, até truta está dentro do esquema. Aqui vale uma regrinha básica: quanto mais barato, pior é a qualidade dos ingredientes – que inclusive costuma fugir da receita clássica. O Le Chalet de La Fondue prepara um rodízio competente. Agora se você quiser gastar mais e comer uma fondue dos deuses, o Belle du Valais e Le Petit Clos são endereços certos. Premiados com uma estrela pelo GUIA BRASIL QUATRO RODAS 2012, os restaurantes combinam aconchego, romantismo e esmero na finalização dos pratos.
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O restaurante du Valais é uma das opções certeiras para provar uma fondue em Gramado. Crédito: Divulgação
DIA 2
Acorde cedinho para o desjejum, pois hoje o dia será bem intenso, explorando o que Canela tem de melhor e retornando pela avenida que liga os dois municípios – não faltarão atrações bacanas nos meros sete quilômetros da via.
Se o dia estiver com o sol claro, dê uma paradinha no Mirante do Vale do Quilombo para contemplar a vista que inspirará sua manhã. Prossiga pela Avenida das Hortênsias até o trevo de Canela, entrando à esquerda da Estrada do Caracol, que vai até justamente a maior e mais famosa queda d’água gaúcha – a Cascata do Caracol e seus imponentes 131 metros de desnível. Um mirante e um elevador panorâmico garantem a melhor foto, mas os mais audazes – e bem-preparados fisicamente – podem descer a escadaria de 750 degraus até a base. Lembrete importante: leva-se em média 40 minutos para subir de volta.
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A Cascata do Caracol, em Canela, é garantia de boas fotos. Crédito: Marcelo Curia
Retornando ao Centro de Canela, no meio da estrada há um castelinho que naturalmente chamaria a atenção. Saiba que dentro do Castelinho Caracol é servido um fantástico apfelstrudel que recebe a companhia de um inesquecível creme de nata.
Inesquecível também será a descida de trenó, uma das atividades existentes no Alpen Park, no outro lado da cidade. Individual ou em dupla, a descida de 900 metros proporciona momentos de muita diversão. O frio na barriga inicial vira vontade de quero mais na segunda curva do passeio.
Uma paradinha para um almoço rápido no Centro de Canela. Quase em frente à Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes, a popular Catedral de Pedra, o Empório Canela serve sanduíches, massas e cafés. Enquanto espera, que tal pegar um livro na prateleira?
O caminho de volta a Gramado leva alguns poucos quilômetros, mas tem tanta coisa no meio do caminho que a tarde será longa. Não falamos ainda do famoso chocolate gramadense. Chegou a hora. Caracol, Florybal e Prawer – três das gigantes de Gramado – possuem loja e fábrica aberta à visitação na avenida.
A sequência que vem agora leva à loucura qualquer ser humano do sexo masculino (e algumas mulheres, também) que goste um pouquinho de veículos motorizados – tudo num raio de menos de dois quilômetros. Anexo ao apenas razoável Dreamland Museu de Cera, o Harley Motor Show exibe uma respeitável coleção de motos da marca norte-americana. A joia da coroa é o modelo Knucklehead 1946, imortalizado na película Sem Destino (1969). Dentro do museu funciona um bar com o rock correndo solto – repare nas pias do banheiro, feita com o funil usado para trocar óleo.
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Chocolates da Florybal, uma das melhores marcas de Gramado. Crédito: Divulgação
Ferrari, Porsche, Lamborghini, Rolls-Royce: veículos em exibição nos dois andares do Super Carros. Exibição apenas não, o grande lance aqui é dar uma voltinha em alguns dos 30 modelos – de carona ou guiando as máquinas. Mas prepare-se para abrir a carteira: uma carona de 5,5 km a bordo do Shelby Cobra custa R$ 80. Um passeio de 15 quilômetros pilotando a Ferrari 430 Spider vai te custar R$ 890.
Embalada pelos hits de Elvis Presley, Chuck Berry, Bill Halley e toda trupe que escandalizou os anos 1950, a visita ao Hollywood Dream Cars fica mais harmonizada. Nada como caminhar ao som dos ídolos do rock’n roll enquanto curte uma profusão de Cadillacs rabos-de-peixe e outros vários veículos que fizeram sucesso entre os anos 1930 e 70.
Depois de um dia intenso, é hora de relaxar na iluminada noite gramadense. Cheque as lojas da Avenida Borges de Medeiros e garanta um lugar no burburinho da Rua Coberta – um calçadão de 100 metros da rua Madre Verônica, com teto de vidro e ladeado por trepadeiras. Cafés e restaurantes montam mesinhas no meio do calçadão, que fica de frente ao Palácio dos Festivais, sede do importante evento cinematográfico. É só sentar e pedir um caldo acompanhado de um vinho da Serra Gaúcha. Terminar o dia, comendo, em Gramado: faz todo o sentido.
Se você tiver mais dias livres:
- Faça um spa day no Kur Estação das Águas;
- Embarque num ônibus de 1958 para conhecer a área agrícola de Gramado;
- Vá até Três Coroas e conheça o Templo Budista Chagdud Gonpa Khadro Ling;
- Aventure-se nos parques de Canela.