Roteiro de viagem: 48 horas em Santiago do Chile

Veja dicas de roteiros essenciais pela capital chilena, uma das cidades mais bacanas da América Latina

Fonte: VIAGEM E TURISMO   |   Por: Marcela Puccia Braz
« Veja passeios imperdíveis para fazer em Santiago

Atualizado em 2/12/2015

Santiago do Chile inspira olhares panorâmicos, ao longo das praças e avenidas amplas do centro até o horizonte que alcança a vizinha e imponente Cordilheira dos Andes. De lá, é difícil ir embora sem a sensação de estar com o coração apertado, causada pelo sentimento de "quero ver mais". Afinal de contas, a capital chilena cativa com a beleza de suas paisagens, com sua riqueza cultural e com seu povo simpático, que ama os brasileiros.

Nas calçadas, cachorros de rua (de raça!) nos acompanham nas caminhadas. Para longas distâncias, o metrô é uma ótima escolha. Limpo e organizado, é uma mão na roda para se locomover pela cidade sem estresse e sem gastar muito. O preço das passagens varia de acordo com o horário, então é bom prever que tipo de bilhete você vai precisar na volta.

Dois dias por aqui é muito pouco: a cidade merece pelo menos uma semana para ser conhecida, com o bônus de desvendar seus arredores (Valparaíso, Viña Del Mar e Isla Negra são escolhas acertadas). Mas, se dois dias são tudo o que você tem, aqui vão as dicas para aproveitar cada segundo e sair com a sensação de dever cumprido, sem arrependimentos.

Dia 1

O dia começa de uma forma inusitada. Seria cedo demais para sugerir um café da manhã... com pernas? Cafés con piernas são estabelecimentos onde se toma café em pé, no balcão, na presença de garçonetes trajadas com microvestidos e microssaias, em um tablado mais alto. Assim, as pernas ficam mais visíveis aos fregueses, que gostam de ficar de papo-furado com as meninas.

Nada por acaso, os cafés ficam próximos a Plaza das Armas, marco zero da cidade. Cercada de casarões coloniais, ganhou o nome ameaçador para inibir o ataque de índios, que arrasaram a vila de Santiago del Nuevo Extremo seis meses após sua fundação, em fevereiro de 1541. Sinta a atmosfera da praça de palmeiras centenárias, pintores, dançarinos de rua e velhinhos jogando xadrez, e contemple o belo prédio do Correo Central, de 1882. Entre na Catedral Metropolitana, cuja fachada neoclássica data de 1789 e, depois, conheça a história chilena em vinte minutos no pequeno Museo Histórico Nacional, em um prédio de 1808.

Na rua Bandera, o Museu de Arte Precolombinoguarda múmias chinchorro, povo de pescadores que viveu há mais de 7 mil anos no norte do Chile e sul do Peru. Trata-se da forma mais antiga de preservação de cadáveres humanos conhecida. A coleção também tem esculturas maias, tecidos andinos, chapéus, vasos e outras peças de arte pré-hispânica de todo o continente americano, inclusive de astecas e incas. Vale a pena conhecer.

A quatro quadras, está o Palacio de La Moneda, uma das poucas sedes de governo no mundo abertas para visita. Foi neste prédio onde morreu o presidente socialista Salvador Allende, em setembro de 1973, deposto por um golpe militar liderado pelo general Augusto Pinochet. Nos dois pátios internos, dá para ver canhões, fontes e dezenas de laranjeiras. Mas antes, é preciso passar por uma revista dos guardas, que acontece sempre às 10h em dias alternados.

Em seguida, vá com calma ao Museo de Bellas Artes, um dos edifícios mais bonitos de Santiago, de estilo neoclássico com detalhes em art noveau. Se você estiver cansado demais para ver as 5.600 pinturas e esculturas de artistas europeus e chilenos, entre pelo visual interno do prédio e aproveite o café do museu para descansar.

Agora se prepare psicologicamente para reunir força nas pernas. O Cerro Santa Lucía requer esforço para se chegar ao topo, mas a vista panorâmica com a Cordilheira dos Andes ao fundo vale cada pernada. A subida de vinte minutos é agradável aos olhos: é permeada de murais, estátuas e até de uma fonte inspirada na romanaFontana di Trevi. Além da vista geral da cidade, uma vez na pequena praça do cume, é possível ver Santiago de perto com a ajuda dos binóculos fixos do mirante (basta inserir uma moneda).

Dia 2

A primeira missão do dia é visitar o Cerro San Cristóbal, uma montanha de 880 metros que os santiaguinos gostam de subir de bicicleta aos domingos. Em uma de suas encostas, na Providencia (que agora você vai conhecer à luz do dia), está o Jardin Botânico Mapumelu, com cerca de 80 espécies nativas.

No mesmo bairro, o Parque de las Esculturas traz uma experiência diferente. Por uma área de 21 mil metros quadrados, espalham-se trinta esculturas de diferentes tamanhos, formas e materiais, assinadas por artistas como Marta Colvin, Claudio Girola, Federico Assle, Juan Egenau, entre outros. O resultado disso é a união entre o ambiente natural e o visual lúdico e desafiador das obras de arte. É uma delícia se sentar em um dos banquinhos e aproveitar o clima plácido do parque.

Depois disso, vá à Bellavista e conheça o outro lado do Cerro San Cristóbal. Uma forma legal de se chegar ao topo é pegando o funicular, um trenzinho que sai da Calle Pio Nono. Os 10 minutos de subida garantem uma vista privilegiada da cidade, e no cume está a estátua da Virgen de La Inmaculada Concepción, com catorze metros de altura sobre um pedestal de 8,5 metros. Abaixo da virgem, é comum as pessoas se sentarem nas largas e altas escadas para contemplar a vista panorâmica da cidade.

Chegou a hora da principal atração da capital: a Casa Museo La Chascona, uma das três casas chilenas do poeta Pablo Neruda. Passe lá para agendar a visita guiada de quarenta minutos e, caso tenha que esperar, passeie nos arredores e observe a arte de rua nos muros e nas paredes das casas. A Calle Constituición tem os bares e restaurantes mais badalados da capital. Os estabelecimentos são construções baixas e bem acabadas, com decorações atraentes. Você nem vai notar o tempo passar.

Pronto para ser surpreendido? Pois bem, durante a visita à insólita casa do poeta chileno, você terá o prazer de ver como ele era criativo, engraçado e excêntrico. Apesar de ter medo d’água e de ter aprendido a nadar apenas com 48 anos, Neruda era apaixonado pelo mar. A casa foi construída para simular a sensação de se estar em um barco. O teto baixo, os objetos (muitos, de colecionador compulsivo), o revestimento de madeira e a iluminação ajudam a criar a ilusão. Imperdível!

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