Dicas de Viagem 23/01/2012

48 Horas em São Paulo

Um roteiro recheado de cultura e diversão na maior metrópole da América Latina

por Eduardo Jun Marubayashi

Para aqueles que vêm pela primeira vez à maior metrópole da América Latina, São Paulo pode parecer assustadoramente grande. Na verdade, é isso mesmo. A cidade esparrama-se por uma gigantesca mancha urbana que só quem pousa no aeroporto de Congonhas consegue ter um panorama real de sua dimensão - para assustar-se de vez. Aqui não há belas praias, nem montanhas verdejantes. O patrimônio arquitetônico vem sendo dilapidado pela especulação imobiliária e o transporte público ainda é bastante limitado. Esta, porém, é a cidade brasileira com a melhor e mais variada agenda cultural – com cinemas, galerias de arte, musicais, teatros, shows, concertos e mostras sem paralelo. A vida noturna é uma das mais diversificadas e, sem a menor dúvida, aqui está o melhor cenário gastronômico do país. Os museus não só possuem ótimos acervos, mas bem cuidadas curadorias. As opções de hospedagem vão de albergues e pousadas bacaninhas a hotéis que nada deixam a dever aos melhores do mundo. Os preços doem no bolso, mas aqui é “a” cidade que todos os brasileiros deveriam conhecer.

Esta é a nossa sugestão para aproveitar bem suas 48 horas em São Paulo:

Dia 1

Paulistano adora comer pão-de-queijo no café-da-manhã. Coisa de mineiro, mas aqui tudo tem um toque de forasteiro.

Comecemos o dia onde começa o nosso hino: nas margens não tão plácidas do riacho do Ipiranga. Nos bem cuidados jardins estão vovós e seus netinhos e o pessoal do cooper, mas a grande atração mesmo são o Monumento à Independência e o Museu Paulista, com uma coleção de objetos históricos e o famoso óleo de Pedro Américo, representado o grito de Dom Pedro I.

De lá siga para a região da Luz e escolha entre as várias ótimas opções na área: a Pinacoteca do Estado, a Sala São Paulo – uma das melhores casas de concerto do país e sede da aclamada OSESP, a Sinfônica do Estado – e o Museu da Língua Portuguesa. Este último em especial é digno de visita, com uma mostra lúdica de como foi construído nosso idioma, tal qual o utilizamos em nosso país.

A esta altura você deve estar morrendo de fome, então que tal ir ao Maní, dos chefs Daniel Redondo e Helena Rizzo? O ar despojado e a cozinha bem azeitada são ingredientes perfeitos para torná-lo um dos queridinhos da cidade.

Suba agora para a avenida Paulista e vá para o MASP, o Museu de Arte de São Paulo. Com obras de Velásquez, Van Gogh, Manet, Monet e Picasso, o acervo empolga com os trabalhos da coleção impressionista e o arrojado edifício projetado por Lina Bo Bardi.

Quando o estômago se manifestar novamente é hora de conhecer o D.O.M., considerado por muitos o mais afinado restaurante brasileiro da atualidade. O chef Alex Atala traz à mesa pratos baseados em ingredientes locais, com combinações inusitadas – mas que funcionam muito bem.

Para terminar o dia, nada como checar as baladas da Baixa Augusta.

Dia 2

Para dar um pontapé inicial em nosso dia, vamos ao Museu do Futebol, uma emocionante viagem ao mundo de nosso mais amado esporte. Localizado dentro do Estádio do Pacaembu, encontre referências ao seu clube do coração e às glórias da Seleção.

Se for terça, quinta, sexta ou sábado, caminhe entre melancias e alfaces para apreciar a mais paulistana das comidinhas: o pastel de feira. Procure as barracas do e da Maria.

A próxima atração é melhor apreciada aos sábados: a Praça Benedito Calixto. Sua feirinha de artesanatos e bugigangas fica envolta numa atmosfera especial ao som de um grupo de chorinho e do berimbau da turma da capoeira. No entorno existem duas boas opções para um almoço descontraído: o movimentado Consulado Mineiro e o Bar do Biu (Rua Cardeal Arcoverde, 772; 11/3081-6739) e o lendário baião-de-dois da Edi.

De barriga cheia, vá queimar algumas calorias caminhando pelas ladeiras da Vila Madalena, conhecendo seus ateliês e lojinhas. Quando a sede chegar, dê uma parada em um dos diversos bares do pedaço, como os descolados Filial, Astor e Marcelino Pan y Vino.

Já que estamos nesse espírito de compras, uma boa opção é conhecer o entorno das ruas Oscar Freire e Lorena. Aqui estão lojas de grifes famosas e cafés com mesas disputadas. Com a pasteurização do consumo acontecendo no ar-condicionado dos shopping-centers, este é o tipo de bate-perna que ainda tem seu charme. De bolsas a gravatas, de óculos de sol a sapatos empetecados, este é o lugar para testar os limites de seu cartão de crédito.

Na hora do jantar, nada como algo mais leve. São Paulo possui uma oferta quase que infinita de restaurantes japoneses. De temakerias a sobarias, de espetinhos a rodízios, a sugestão são duas casas de propostas bem distintas. No Kinoshita, sob comando de Tsuyoshi Murakami, o ambiente é bem decorado e a cozinha traz uma seleção de pratos que mescla sashimis, caldos, carne de gado wagyu, tempuras e legumes preparados com apuro. Já os sushis do chef Jun Sakamoto, no restaurante homônimo, são o que há de melhor. Aqui não tem barco, não tem combinado, nem california roll. Só os melhores sushis da cidade. Se esta não for a sua praia, invista na raízes italianas de boa parte dos paulistanos, seja no classudo Fasano, nas ótimas pizzarias e cantinas espalhadas pela cidade ou no preciso Tre Bicchieri.

Para terminar sua rápida passagem pela cidade, suba à cobertura do hotel Unique, apreciar a bela vista do Skye.

Para quem tiver mais tempo...

Visite o centro da cidade e entenda um pouco da história da cidade. Conheça o Pátio do Colégio, onde o povoado de São Paulo de Piratininga foi fundado por padres jesuítas liderados por Manuel da Nóbrega em 25 de janeiro de 1554. Outras atrações na região são o Mosteiro de São Bento - que hospedou o papa Bento XVI e possui belíssimas apresentações de canto gregoriano -, a Catedral Metropolitana da Sé, o bairro oriental da Liberdade e o renovado Teatro Municipal.

SAIBA MAIS

Destino São Paulo - mais atrações, restaurantes, bares, hotéis e sugestões de compras

Fotogaleria: 13 atrações no Centro de São Paulo