Terra das águas
O Brasil dispõe de fartura de água doce, mas o consumo inconsequente e a falta de infraestrutura ameaçam jogar pelo ralo esse presente da natureza
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Edição 133 - Terra das águas - Cataratas do Iguaçu - Fotos recursos hídricos
Valdemir Cunha
Com mais de 1 quilômetro de largura média acima das cataratas, o rio Iguaçu estreita-se em um canal de 65 metros. E então desaba, em quedas cuja altura chegam a 80 metros. Em certas épocas, deságuam 6 milhões de litros de água por segundo
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Edição 133 - Terra das águas - Anavilhanas, no Rio Negro - Fotos recursos hídricos
Fábio Colombini
O horizonte de braços de rios e ilhas de um dos maiores arquipélagos fluviais do mundo, Anavilhanas, no Rio Negro: tudo é superlativo na Amazônia, berço das águas brasileiras.
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Edição 133 - Terra das águas - Obras de transposição do rio São Francisco - Fotos recursos hídricos
Marcelo Curia
Operários adiantam as obras da polêmica transposição do São Francisco. Grandes canais estão sendo construídos em dois eixos, norte (com 402 quilômetros) e leste (220 quilômetros), para ligar o rio a torrentes temporárias, que passarão a ser perenes. A previsão é de que a etapa leste seja entregue no fim de 2012. Um ano depois, o trecho norte deverá estar finalizado.
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Edição 133 - Terra das águas - Hidrovia Tietê-Paraná - Fotos recursos hídricos
Valdemir Cunha
O potencial hidroviário do Brasil é subaproveitado. Prova disso é que a Tietê-Paraná, a mais bem estruturada do país, transporta um quarto do volume de carga permitido por sua capacidade anual
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Edição 133 - Terra das águas - Deslizamento de terra no Rio de Janeiro - Fotos recursos hídricos
Eduardo Monteiro
Uma torrente de água e lama desceu a montanha e ceifou a vida de quase mil pessoas na região serrana do Rio de Janeiro no começo deste ano. "Estudos recentes indicam que pelo menos uma parte dessas catástrofes já é resultado de um planeta mais quente", diz o climatologista Carlos Nobre.
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Edição 133 - Terra das águas - Crianças buscando água - Fotos recursos hídricos
Marcelo Curia
Uma cena ainda comum: moradores, muitas vezes crianças, com baldas nos quais buscaram água de açudes ou cisternas.
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Edição 133 - Terra das águas - Túnel Cuncas - Fotos recursos hídricos
Marcelo Curia
A obra no rio São Francisco poderá levar água a 12 milhões de brasileiros. Parte do esforço é para a conclusão do túnel Cuncas, o maior da América Latina para o transporte de água.
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Edição 133 -Terra em águas - Irrigação das lavouras - Fotos recursos hídricos
Marcelo Curia
O trecho nordestino do rio São Francisco divide - e irmana - as vizinhas cidades de Petrolina, em Pernambuco, e Juazeiro, na Bahia. Em toda a região, a vinicultura independe das chuvas, sempre incertas no semiárido. A irrigação garante lavouras férteis (acima), nas quais videiras produzem até três safras por ano, em uma indústria que emprega 8 mil pessoas.
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Edição 133 - Terra em águas - Videiras na Bahia - Fotos recursos hídricos
Marcelo Curia
O trecho nordestino do rio São Francisco divide - e irmana - as vizinhas cidades de Petrolina, em Pernambuco, e Juazeiro, na Bahia. Em toda a região, a vinicultura independe das chuvas, sempre incertas no semiárido. A irrigação garante lavouras férteis, nas quais videiras produzem até três safras por ano (acima), em uma indústria que emprega 8 mil pessoas
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Edição 133 - Terra em águas - Reservatório de água secos - Fotos recursos hídricos
Marcelo Curia
Barcos navegam em reservatórios afetados pela seca, velho drama do interior nordestino.
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Edição 133 - Terra em águas - Piraputangas no rio Sucuri - Fotos recursos hídricos
Cristiano Burmester
As piraputangas parecem flutuar no rio Sucuri, em Bonito, no Mato Grosso do Sul. A incrível transparência deve-se ao solo de base calcária da serra da Bodoquena. A areia grossa e pesada deposita-se no fundo, e não levanta sedimentos
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Edição 133 -Terra em águas - Lavagem da calçada do Palácio da Alvorada - Fotos recursos hídricos
Zig Koch
Uma funcionária lava as calçadas do Palácio da Alvorada, em Brasília. Em áreas urbanas, o brasileiro apresenta alto consumo de água, muitas vezes extraída de poços artesianos, mas a realidade nas próximas décadas deve mudar - impondo um uso sustentável do recurso
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Clube em São Paulo - Papéis de parede
Cássio Vasconcellos
Usuários de um clube em São Paulo desfrutam da piscina em um dia de verão. Em áreas urbanas, o brasileiro apresenta alto consumo de água, muitas vezes extraída de poços artesianos, mas a realidade nas próximas décadas deve mudar - impondo um uso sustentável do recurso.
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Edição 133 – Terra em águas -Ribeirinho da Amazônia - Fotos recursos hídricos
Maurício de Paiva
Os ribeirinhos da Amazônia protagonizam um duro paradoxo em seu cotidiano. Ainda que cercados por profusão de rios, eles habitam uma das regiões menos desenvolvidas do país, com pouco acesso a saneamento e água potável.
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Edição 133 – Terra em águas - Seca no rio Negro em 2010 - Fotos recursos hídricos
Rodrigo Baleia
Em 2010, uma seca histórica levou o rio Negro a um desnível inédito, de 13,6 metros. Várzeas há muito submersas voltaram a ficar expostas. Tais anomalias climáticas afetam a vida na Amazônia - e podem tornar-se corriqueiras nas próximas décadas.
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Edição 133 – Terra em águas - Hidrelétricas polêmicas - Fotos recursos hídricos
Adriano Gambarini
A maior matriz energética do Brasil é considerada limpa, o que não evita a polêmica em torno de seu impacto ambiental. Noventa mil pessoas deverão ser afetadas na bacia Amazônica ao fim do decênio 2009-2019, período no qual estima-se a implantação de 54 barragens na região.
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Edição 133 – Terra em águas - Eixo leste da Transposição do rio São Francisco - Fotos recursos hídricos
Marcelo Curia
Operários descansam durante as obras do eixo leste da Transposição do rio São Francisco, que deverá estar finalizado no final de 2012.
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Edição 133 - Terra em águas - Incentivo do governo da construção de cisternas - Fotos recursos hídricos
Marcelo Curia
Um programa do governo federal para a construção de cisternas minimizou o drama da seca no sertão nordestino.
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Edição 133 - Terra em águas -Cisternas na produção agícola - Fotos recursos hídricos
Marcelo Curia
Na localidade de Sítio Dourado, em Pernambuco, o uso de água das cisternas favorece também a pequena produção agrícola
Em 2009, uma equipe multinacional formada por cientistas da Petrobras, pesquisadores ingleses e holandeses da Universidade de Amsterdã perfurou um poço com 4,5 mil metros de profundidade na foz do rio Amazonas. Eles não estavam à procura de petróleo, mas capitaneavam uma espécie de viagem no tempo. Sua busca era pelo mais primitivo leito do rio, enterrado por milhões de anos de deposição de sedimentos. Mais tarde, a equipe anunciou a descoberta em uma revista especializada: de acordo com as análises dos estratos, o rio mais caudaloso do planeta nasceu há 12 milhões de anos.
Foi esse o tempo necessário para que o Amazonas projetasse em suas margens uma gigantesca floresta tropical. Sua água segue até o Atlântico e, por evaporação, volta a despencar sob a forma de chuvas torrenciais na selva. Um ciclo generoso, expresso em proporções colossais: trajeto de 6 675 quilômetros a partir dos Andes e vazão média diária de mais de 17 trilhões de litros - 15% de toda a água enviada ao mar pelos rios do planeta. É uma espécie de encanamento invisível na atmosfera, que, de forma espantosa, é o mesmo desde os primórdios.
A generosa bacia Amazônica é o exemplo mais contundente de uma nação pródiga em rios, lagos e aquíferos que, juntos, concentram mais de 11% de toda a água doce disponível da Terra. Não há fartura semelhante em outros cantos do globo. Considerando toda essa abundância, cada brasileiro teria à disposição, na teoria, 34 milhões de litros por ano. É uma quantidade fabulosa, 17 vezes maior do que a ONU considera uma média confortável de consumo.
Nas próximas décadas, nas quais o recurso tende a tornar-se escasso em todo o mundo, as questões mais importantes irão orbitar em torno do uso inteligente dessa água. "Mesmo a nossa fartura é aparente, já que os maiores rios estão distantes milhares de quilômetros dos principais aglomerados urbanos", analisa Wanderley da Silva Paganini, superintendente de gestão ambiental da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). "É preciso entender que se trata de um bem finito. Daí a importância de utilizar o mínimo necessário e não poluir as fontes naturais", completa ele.
Fábio Colombini
O consumo consciente, todavia, está longe de ser uma realidade no Brasil. Por dia, o brasileiro utiliza 132 litros de água em banhos, bebidas, cozinha, lavagem de carros, calçadas e pisos, além da rega de jardins e plantações de tamanhos variados. Com isso, quase 30% da água tratada nas cidades escorre pelos vazamentos nas ruas e no subsolo. "Na região metropolitana de São Paulo, no verão deste ano, por exemplo, tivemos picos de consumo de 84 mil litros por segundo, mais de 30% além do normal. Esse tipo de exagero poderia ser evitado sem dificuldade", diz Paganini.
O privilégio da abundância não se aplica a todos no Brasil. A distribuição nacional do recurso, tal qual a de renda, é perversa. Em torno de 80% da água concentra-se na Amazônia, onde vivem apenas 5% dos brasileiros, muitos dos quais diante de um terrível paradoxo: ainda que cercados de rios, os moradores do interior da Região Norte reconhecem na água potável um artigo de luxo. "Hoje, 19 milhões de pessoas, 10% da população, não têm acesso à água tratada. É muita gente", aponta Paganini. Em função disso e da pouca noção de cuidados básicos com higiene, o líquido que deveria matar a sede e garantir a saúde transmite doenças.
Já no semiárido nordestino, 18 milhões de pessoas sobrevivem em uma zona tomada por um dos maiores índices de evaporação do mundo. Ao longo do ano, ocorrem períodos de chuva, mas o solo e o clima árido não favorecem a formação de fontes ou rios volumosos. A pouca água acumulada nos poços rasos não recebe os cuidados básicos e acaba por se tornar, também, propagadora de enfermidades.
As dissonâncias naturais na geografia dos recursos hídricos do Brasil foram, em muitos aspectos, acentuadas por processos históricos. A mecanização da agricultura e a industrialização acelerada fizeram com que a maioria dos habitantes deixasse o campo, criando problemas relacionados à urbanização e, com isso, afetando as torrentes. O trecho paulistano do rio Tietê é a vítima mais evidente desse fenômeno: o corpo meândrico foi transformado em um canal reto; as várzeas inundáveis, tomadas de construções e asfalto impermeável; e o leito, convertido em esgoto. O resultado caótico desse desrespeito ao curso d’água são as trágicas enchentes exibidas pelos noticiários a cada verão.
