Quem viaja para a Mongólia tem a sensação de que foi parar em outro século, não apenas em outro país. E esse é o grande barato de lá. No centro-leste da Ásia, entre a China e a Rússia, a nação se espalha por 1,5 milhão de quilômetros quadrados um terço disso ocupado pelo Gobi, o maior deserto da Ásia, que avança ainda pelo norte da China. Ele é tão presente que a palavra gobi significa, em mongol, simplesmente "deserto", muito embora a língua permita distinção entre 33 tipos deles.
Até hoje a Mongólia é um país nômade por excelência. Por mais que a capital, Ulan Bator, aglutine cada vez mais gente em blocos de apartamentos herdados de 75 anos de comunismo, metade dos 2,5 milhões de habitantes do país ainda vive da criação de animais e mora numa ger (lê-se "guér"), a tenda redonda tradicional, revestida de lã de camelo para proteger do frio do inverno. Fora as antenas parabólicas, cada vez mais comuns, as tendas continuam praticamente iguais às de 800 anos atrás, quando Gêngis Khan (por lá, Chinggis Khaan pronuncia-se "tchinguis ram") unificou os clãs espalhados pela região e iniciou a conquista do que viria a ser o mais extenso império territorial da história.
Os mongóis de hoje em nada lembram os violentos cavaleiros que apavoraram o mundo do século 13: são extremamente gentis e hospitaleiros, a ponto de compartilhar comida com os visitantes mesmo quando ela é pouca. Embora adotem o budismo tibetano, muitos nunca abandonaram os rituais do xamanismo e a adoração a Khokh Tenger, o Céu Eterno. Basta olhar para as estrelas do deserto para entender por quê.
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