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FOTOGRAFIA 27/01/2012

Brasileiro se destaca em concurso internacional de fotografia

Fotógrafo carioca que recebeu menção honrosa no concurso internacional da NATIONAL GEOGRAPHIC com foto de morro no RJ conta a história por trás da obra

por Anderson Estevan Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL ONLINE

Felipe Fittipaldi

Pipas voadoras 

A foto "Pipa voadora" premiada com a menção honrosa da categoria lugares, no National Geographic Contest 2011. O reconhecimento rendeu contatos até com um jornalista da Vanity Fair italiana

Após passar quase uma semana no Morro da Dona Marta, no Rio de Janeiro, Felipe Fittipaldi já conhecia as pessoas da comunidade, jogava bola com a molecada e via o pôr-do-sol entre as pipas que batalhavam no céu carioca. Antes usados a serviço do tráfico, agora os papagaios voavam em liberdade, na paz de um novo tempo.

Juntamente com o repórter da Folha de São Paulo, Caio Barreto, Fittipaldi foi incumbido de retratar como a comunidade havia ficado após a pacificação. Fez algumas fotos, ficou mais um tempo após a entrega da pauta e registrou a imagem que queria para ilustrar a reportagem, mas não conseguiu colocá-la na reportagem por causa do fechamento.

Pouco tempo depois, a imagem rodou o mundo e conquistou uma menção honrosa no National Geographic Contest 2011. Isso surpreendeu até mesmo Fittipaldi, que enviara outras fotos e considerava a premiada como a sua última opção.Desde então, novos trabalhos começaram a surgir e até mesmo um contato da revista Vanity Fair italiana surgiu para retratar novamente os morros cariocas.

Formado em jornalismo na PUC – Rio, Fittipaldi já trabalhou com fotografia de moda, gastronomia, arquitetura e já trabalhou com fotografia de cinema. Fã da NATIONAL GEOGRAPHIC, o fotógrafo ainda guarda o sonho de fotografar para a revista, que é a sua principal referência. Saiba mais sobre o fotógrafo e sua carreira na entrevista a seguir:

Felipe Fittipaldi

Como você conseguiu fazer esta foto que recebeu menção honrosa no National Geographic Contest 2011?

Foi uma pauta que fiz para a Folha. Eu e o Caio Barreto (repórter do jornal) fizemos uma reportagem sobre como as coisas estavam após a pacificação do morro da Dona Marta. Alugamos um barraco e ficamos lá na comunidade por uma semana e acabamos conhecendo todo mundo por lá. Fiz muitos amigos e acabei voltando lá várias vezes.Desde que chegamos, eu já estava perseguindo aquela foto, com aquela paisagem ensolarada do fim de tarde. Mas, durante os dias da reportagem, o tempo ficou nublado e a foto que eu imaginava para retratar o novo morro acabou ficando de fora da reportagem. Quis usar a pipa por que ela era um antigo símbolo do tráfico, mas com a pacificação voltou a ser um motivo de brincadeira para criança.

Houve alguma dificuldade técnica na produção da foto?

Além do tempo que estava nublado, o enquadramento da pipa com os garotos também foi complicado. Tive que fotografar assim quando eles já puxavam a pipa, bem próximo deles. A dificuldade com a pipa no alto era justamente enquadrá-la com os garotos na mesma foto.

Por que você escolheu esta foto?

Eu enviei quatro ou cinco fotos para o concurso e esta era a última opção. Foi uma surpresa quando recebi a menção honrosa do concurso. O nível técnico é altíssimo. E ainda mais com uma foto que não era a minha primeira opção. Não ganhei dinheiro, mas o reconhecimento de ser um destaque no concurso foi muito bom para minha carreira.Eu sempre inscrevo minhas fotografias em editais e concursos. É uma forma de exibir os trabalhos que mais gosto de fazer. E surgiu este da National Geographic, que sempre admirei, e decidi participar.

O destaque no concurso abriu muitas portas?

Sim, tive alguns contatos após a premiação. Recebi um e-mail de um italiano, que queria fazer uma matéria sobre os morros cariocas para a Vanity Fair da Itália.

E quais são as suas principais referências?

Sempre fui um grande fã da NATIONAL GEOGRAPHIC e da agência Magnum. Gosto de fotografia documental e tenho várias coleções da NATIONAL, tanto internacionais quanto as brasileiras. O padrão fotográfico, o tratamento dos textos e até as legendas das fotos, eu procuro me inspirar nelas na produção das minhas fotos. Sempre quis publicar uma reportagem na NATIONAL GEOGRAPHIC. É um dos meus sonhos.

Como e quando você começou a fotografar?

Quando estava no colegial, eu morava nos Estados Unidos e trabalhava no laboratório fotográfico da escola. Na época, fotografava com câmeras analógicas, mas ainda não era profissional. Estudei jornalismo na PUC-Rio e no segundo ano, em 2004, passei a me dedicar somente à fotografia. Fui sugerindo pautas para O Globo, depois para a Folha de S. Paulo e para a Veja Rio. Já fiz bastante coisa na minha carreira. Trabalhei com fotografia institucional, fiz bastante moda, gastronomia. Nos últimos três anos trabalhei mais com pautas de fotojornalismo, mas já fiz fotografia para cinema. Fiz de tudo um pouco.