Edição 179/ Setembro de 2010 13/09/2011

Me leva que eu vou - Mais uma dose

No Caribe, embarcamos no Epic, o navio em que você nunca vai parar de curtir, jogar, ver shows, aplicar Botox

por Camilla Veras Mota

"Miami welcomes the new Norwegian Epic", lia-se no banner pendurado no edifício colado ao do jornal Miami Herald. Difícil não vê-lo, já que o Herald e seu vizinho ficam no acesso a uma das pontes mais movimentadas de Miami. E naquele 7 de agosto a cidade parecia mesmo empolgada com a estreia do navio da armadora Norwegian. Laura, recepcionista do hotel em que pernoitei, o taxista árabe que me deixou no porto e os polidos funcionários do embarque só me deram boas recomendações do Epic, que, com capacidade para 4 100 passageiros, é o terceiro maior navio de cruzeiro a navegar pelo Caribe (atrás dos gêmeos Oasis e Allure of the Seas, 5 400 almas, da Royal Caribbean). E, em se falando de transatlânticos, não é qualquer um que deslumbra os americanos, metade dos cruzeiristas do planeta – e muito menos Miami, dona do porto número 1 do mundo em passageiros de cruzeiros (4,1 milhões em 2009).

De fato, o Epic não tem o nome que tem à toa. Ele é tão grande que oferece tours guiados a seus passageiros – uma das atividades listadas nos dois primeiros dias do passeio. Um de seus superlativos é o cassino, com 350 máquinas caça-níqueis. Tem também o maior spa em cruzeiros, com 2 900 metros quadrados. E, já que abrimos a contabilidade, espalhadas pelos 19 andares do navio ficam 1 995 cabines, algumas delas com direito a hidromassagem.

Mas é o entretenimento a bordo o diferencial do Epic. Além do famoso Blue Man Group, que se apresenta oito vezes em cada viagem, há boas performances de jazz, jantar com acrobatas, café da manhã com personagens do canal Nickelodeon e pelo menos outros cinco grandes espetáculos.

O Epic faz duas rotas pelo Caribe, ambas de sete dias. A leste, passando por Bahamas, St. Maarten e St. Thomas; e, a oeste, com paradas em Costa Maya e Cozumel, no México, e Roatán, arquipélago de Honduras.

Embarquei nesta última rota e, confesso, foi torturante. Veja meu impasse: ou eu optava pela areia branquinha e pelo mar transparente das paradas – Cozumel incluída, um dos melhores pontos de mergulho do mundo –, ou curtia mais algumas horas dentro desse navio extremamente sedutor. Em certos momentos achei que a solução fosse fazer como o colombiano Paulo, relaxadaço em uma back to back trip. Ele, a esposa, Lucie, e a filha Maria já haviam feito o roteiro leste na semana anterior e emendavam o oeste. Não só eles, mas também outros 400 passageiros, que também completariam 14 dias no Epic. Mas eu não tinha tanto tempo disponível, então o melhor era aproveitar o máximo possível minhas horas a bordo.

Mas é preciso algum tempo para se adaptar ao tal "freestyle cruising", slogan dos navios da Norwegian. Para simplificar, não há horários fixos para as refeições (e até para alguns espetáculos). E isso tem certas implicações.

Os passageiros comem, sim, quando desejam e em qualquer um dos 17 restaurantes, mas devem saber que, pelo all-inclusive, só têm acesso a cinco deles, dois à la carte e três bufês (todos excelentes). Os outros 12 cobram, por pessoa, entre US$ 10 e US$ 25 e são temáticos – há, por exemplo, um francês (Le Bistro), uma churrascaria brasileira (com o estranho nome de Moderno) e um japonês imperdível (Teppanyaki).

Quanto aos shows, são pagos apenas os que acompanham as refeições (custam US$ 10 e US$ 15), mas muitos exigem reserva e não há vagas suficientes para todos. Assim, várias pessoas a bordo ficaram de fora do espetáculo da companhia americana Cirque Dream, que lembra o Cirque du Soleil. Caso de Orlando, um americano sessentão, com sotaque à Martin Scorsese, e sua mulher. Eles não sabiam que podiam ter feito as reservas no ato da compra do pacote ou logo que embarcaram, pela televisão da cabine, que funciona como uma espécie de computador. Ficaram mais de 40 minutos na fila da bilheteria até descobrir que os lugares haviam acabado ainda antes de o navio zarpar.

Passada a burocracia para garantir o pão e o circo de cada dia, entretanto, é fácil entrar no compasso do Epic. E apegar-se a ele, já que cada um de seus espaços parece ter sido cuidadosamente pensado para traduzir com precisão o perfil de seus respectivos públicos. O Entourage, por exemplo, tem decoração moderninha (carpete preto e cadeiras-ovo coloridas) e atrativos irresistíveis para meninos de 13 a 17 anos – e para os mais velhos também. Os degraus da escada que lhe dão acesso, com avisos de "Beware!" e "Adults prohibited!", informam que o pebolim (totó, para os cariocas), o flipper e as três TVs de LCD com PlayStation 3 são teen exclusive. Aos adultos cabem as sessões de Wii no telão de dois andares no átrio do 4o andar, que também exibe filmes duas vezes ao dia.

Os pequenos de até 12 anos se encontram no Recess, dois andares abaixo, onde monitores promovem gincanas. E todo mundo se topa, uma hora ou outra, no 15º andar, em busca de uma cadeira ao sol (ou à sombra), de um lugarzinho nas piscinas e jacuzzis ou de uma vaga na fila dos três divertidos toboáguas. É ali também que ficam a parede de escalada e a de rapel e, na popa, o Spice H20 – uma piscina e duas jacuzzis isoladas (thank God!) da hiperatividade das crianças. Melhor ainda, o cantinho 18+ é quase autossuficiente: tem um pequeno bufê, mesas com guarda-sol, chaises distribuídas em três pisos e um telão de 8 metros.

A academia, que divide o 14º andar com o Mandara Spa – manicure a US$ 29 e aplicação de Botox desde US$ 300 –, é imensa. Acomoda, além de 30 esteiras high-tech com conexão para iPod e equipamentos da marca Life Fitness, as salas para aulas de spinning e outra para treinos de suspensão TRX (US$ 20 cada aula).

Assim, é muito fácil se deixar seduzir pelo navio. Mas, e aqui você talvez se surpreenda, as lindíssimas paradas são paradas duras para o Epic. Na Costa Maya, a primeira, as ruínas de Chacchoben estão a apenas 40 minutos da vila de pescadores de Mahahual, a cinco minutos de onde o naviozão ancora. Do Brasil garanti meu passeio a US$ 50 com a operadora local Tucan Costa Maya (www.tucancostamaya.com) e, lá, fui ciceroneada por um guia fluente na língua maia (não que ele tenha se comunicado comigo em maia). Ezequiel, que aprendeu inglês sozinho para fazer o que faz, explica com orgulho a história de seus antepassados. Como arqueologia não é meu forte, optei com ele por conhecer Chacchoben, e não Kohunlich, que tem ruínas maiores e mais famosas mas fica mais longe, a duas horas do porto. Não me arrependi de passar o resto da tarde comendo nachos com guacamole e lagarteando na areia branca de Mahahual.

No dia seguinte, enquanto o navio se afastava da segunda parada, Roatán, o sentimento geral era o de que poderíamos ficar ali por uma semana. A maior ilha do arquipélago hondurenho de Islas de la Bahia, além de naturalmente bela, com selva densa no interior e mar calminho, tem também uma vilinha charmosa e cheia de atrativos. A Barreira de Corais Mesoamericana, a segunda maior do mundo, que se estende por 720 quilômetros do México até Belize, garante o ótimo mergulho do lugar (Coconut Tree Divers, West End Divers e Sueño del Mar são boas agências). Em Anthony’s Key, no Instituto de Ciência Marinha, há programas de mergulho com golfinhos (US$ 110) e shows de acrobacia com os bichinhos nas manhãs de sexta a domingo. Nas praias do sul, como Half Moon, West End e West Bay, as mais bonitas, o caiaque no mar transparente mais uma cerveja Barena, hondurenha, na areia me deixaram extasiada e quase sem forças para seguir viagem.

De volta ao Epic, descobri que o navio é o único com ice-bar (cuja entrada, a US$ 20, dá direito a dois drinques), seis pistas de boliche e uma de esqui, ao ar livre, montada todas as noites em meia quadra de basquete. Também são novidades em cruzeiros suas cabines single, 128 estúdios futuristas estirados no centro dos 11º e 12º deques e que lembram ambientes da Casa Cor. São muito funcionais (pudera, com apenas 10 metros quadrados), têm paredes brancas e iluminação que muda de cor conforme o gosto do freguês.

A academia, que divide o 14º andar com o Mandara Spa - manicure a US$ 29 e aplicação de Botox desde US$ 300 -, é imensa. Acomoda, além de 30 esteiras high-tech com conexão para iPod e equipamentos da marca Life Fitness, as salas para aulas de spinning e outra para treinos de suspensão TRX (US$ 20 cada aula).

Assim, é muito fácil se deixar seduzir pelo navio. Mas, e aqui você talvez se surpreenda, as lindíssimas paradas são paradas duras para o Epic. Na Costa Maya, a primeira, as ruínas de Chacchoben estão a apenas 40 minutos da vila de pescadores de Mahahual, a cinco minutos de onde o naviozão ancora. Do Brasil garanti meu passeio a US$ 50 com a operadora local Tucan Costa Maya (www.tucancostamaya.com) e, lá, fui ciceroneada por um guia fluente na língua maia (não que ele tenha se comunicado comigo em maia). Ezequiel, que aprendeu inglês sozinho para fazer o que faz, explica com orgulho a história de seus antepassados. Como arqueologia não é meu forte, optei com ele por conhecer Chacchoben, e não Kohunlich, que tem ruínas maiores e mais famosas mas fica mais longe, a duas horas do porto. Não me arrependi de passar o resto da tarde comendo nachos com guacamole e lagarteando na areia branca de Mahahual.

No dia seguinte, enquanto o navio se afastava da segunda parada, Roatán, o sentimento geral era o de que poderíamos ficar ali por uma semana. A maior ilha do arquipélago hondurenho de Islas de la Bahia, além de naturalmente bela, com selva densa no interior e mar calminho, tem também uma vilinha charmosa e cheia de atrativos. A Barreira de Corais Mesoamericana, a segunda maior do mundo, que se estende por 720 quilômetros do México até Belize, garante o ótimo mergulho do lugar (Coconut Tree Divers, West End Divers e Sueño del Mar são boas agências). Em Anthony’s Key, no Instituto de Ciência Marinha, há programas de mergulho com golfinhos (US$ 110) e shows de acrobacia com os bichinhos nas manhãs de sexta a domingo. Nas praias do sul, como Half Moon, West End e West Bay, as mais bonitas, o caiaque no mar transparente mais uma cerveja Barena, hondurenha, na areia me deixaram extasiada e quase sem forças para seguir viagem.

De volta ao Epic, descobri que o navio é o único com ice-bar (cuja entrada, a US$ 20, dá direito a dois drinques), seis pistas de boliche e uma de esqui, ao ar livre, montada todas as noites em meia quadra de basquete. Também são novidades em cruzeiros suas cabines single, 128 estúdios futuristas estirados no centro dos 11º e 12º deques e que lembram ambientes da Casa Cor. São muito funcionais (pudera, com apenas 10 metros quadrados), têm paredes brancas e iluminação que muda de cor conforme o gosto do freguês.