Cap. IV - O cinturão de mangue
Sérgio de Mattos Fonseca fechou sua empresa de informática para estudar oceanografia, dar aulas de educação ambiental e organizar mutirões de plantio no mangue
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Brotos de árvores de mangue
Liana John
Árvores de mangue com brotos novos, após o replantio às margens da laguna de Itaipu, em Niterói (RJ).
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Mangue restaurado em uma área usada irregularmente como estacionamento
Liana John
Sérgio de Mattos Fonseca e o mangue restaurado em área usada irregularmente como estacionamento por uma casa noturna de Niterói (RJ).
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Manguezal restaurado
Liana John
Manguezal restaurado agora lança novas mudas por conta própria, conquistando mais terreno.
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Caranguejos no manguezal
Liana John
Caranguejos voltam a habitar o manguezal restaurado.
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Peixes, moluscos e crustáceos no mangue
Liana John
O crescimento das árvores de mangue garante sombra e nutrientes para diversas espécies de peixes, moluscos e crustáceos.
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Pescadores artesanais em Itaipu
Liana John
Pescadores artesanais retomam suas atividades na laguna de Itaipu.
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Mangue: berçário de animais marinhos
Liana John
O manguezal é constituído de poucas espécies de árvores resistentes à salinidade, mas serve de berçário a muitos animais marinhos.
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Contenção da expansão imobiliária da laguna de Itaipu
Liana John
A restauração do mangue ajuda a conter a expansão imobiliária às margens da laguna de Itaipu, em Niterói.
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Mudas instaladas da laguna de Itaipu
Liana John
As mudas de espécies de mangue se instalam mesmo ao longo do molhe da laguna de Itaipu, construído com pedras no final dos anos 1970.
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Flores de uma árvore replantada no mangue
Liana John
As delicadas flores de uma das árvores replantadas (gênero <em>Rhizophora</em>) são sinais de saúde do manguezal.
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Flor <em>Avicennia </em>de árvore do mangue
Liana John
Bem discretas, as florezinhas de outra espécie de mangue (gênero <em>Avicennia</em>) também celebram o vigor da vegetação.
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Raízes aéreas do manguezal
Liana John
As raízes aéreas ajudam as árvores de mangue a respirar no ambiente sujeito às marés.
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Sérgio de Mattos Fonseca e o replantio do mangue
Liana John
Após promover o replantio do mangue, Sérgio de Mattos Fonseca agora se dedica à educação ambiental.
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Pedra do Cantagalo, em Niterói, no Rio de Janeiro
Liana John
A Pedra do Cantagalo - principal marco de relevo de Niterói - hoje tem uma moldura mais verde.
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Árvores do mangue em crescimento
Liana John
Aos 13 anos, as árvores de mangue continuam em pleno crescimento, em Niterói.
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Aves pescadoras no manguezal
Liana John
As aves pescadoras se beneficiam com a volta dos peixes na vizinhança do manguezal.
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Catadores de caranguejos
Liana John
Catadores já encontram caranguejos para capturar no mangue restaurado.
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Captura de caranguejo machos adultos
Liana John
A captura de caranguejos se restringe aos machos adultos, para não se tornar predatória.
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Faixa de mangue na Serra da Tiririca
Liana John
A faixa de mangue aumenta a proteção no sopé da Serra da Tiririca.
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Placa de delimitação do mangue
Liana John
Placa afixada ao lado do mangue, nos limites do Parque Estadual da Serra da Tiririca, criado em 1991 e delimitado em 2007.
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Franja de mangue
Liana John
Vista do alto de uma duna de areia, a laguna de Itaipu hoje exibe uma franja de mangue.
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Pescador ao lado do canal de ligação de Itaipu com o mar
Liana John
Morador prepara material de pesca ao lado do canal de ligação da laguna de Itaipu com o mar.
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Otto Sobral, da Colônia de Pescadores de Itaipu
Liana John
Otto Sobral, conselheiro da Colônia de Pescadores de Itaipu, Piratininga e Maricá, mora há 25 anos no local e ressalta a importância do replantio do mangue para a pesca.
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Laguna de Itaipu ligada a o mar
Liana John
Conexão da laguna de Itaipu com o mar assegura a sobrevivência do manguezal.
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Dragagem do Porto do Rio de Janeiro
Liana John
Dragagem do Porto do Rio de Janeiro causa impactos na laguna de Itaipu, porque sedimentos são jogados muito perto da costa, entre estas duas ilhas.
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Destruição do mangue
Liana John
A destruição do mangue afeta também espécies que não estão diretamente relacionadas a este tipo de vegetação.
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Controle de expansão do mangue
Liana John
Quando são controladas as pressões diretas de corte de árvores, aterramento, deposição de lixo ou despejo de esgotos, o mangue retoma seu ritmo de crescimento.
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Faixa de mangue em território de ocupação humana
Liana John
Mesmo onde existe ocupação humana, a faixa de mangue cria condições para diversas espécies se instalarem.
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Mergulhões no mangue
Liana John
Os mergulhões estão entre as primeiras espécies a repovoar o manguezal recuperado.
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Árvores no mangue
Liana John
Na maré baixa são mais visíveis as linhas de árvores que avançam laguna adentro.
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Laguna de Itaipu
Liana John
As águas calmas da laguna de Itaipu, vistas do molhe.
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Folhas das árvores do mangue
Liana John
As folhas "enceradas" das árvores de mangue resistem melhor à alta salinidade da linha de maré.
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Sumidouro de carbono
Liana John
Sérgio de Mattos Fonseca: "Além de favorecer a biodiversidade, o mangue funciona como sumidouro de carbono".
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Fixação de carbono
Liana John
A fixação de carbono ocorre tanto no crescimento das árvores de mangue como na dispersão do carbono dissolvido pelas marés.
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Valorização econômica de Itaipu
Liana John
O mangue vivo ainda contribui para a valorização econômica e ecológica de Itaipu.
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Plantas de uso medicinal do mangue
Liana John
As plantas de mangue têm uso medicinal popular, como adstringente e tônico, por exemplo.
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Tanino no mangue
Liana John
Os taninos presentes nas cascas de árvores do mangue servem para curtir cordas e velas de barcos.
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Sérgio de Mattos Fonseca: de empresário à mutirões de plantio do mangue
Liana John
Sérgio de Mattos Fonseca trocou uma empresa de informática pela briga contra a destruição do mangue, por palestras, aulas práticas e mutirões de plantio.
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Garça na laguna de Itaipu
Liana John
A tranquilidade da garça na laguna de Itaipu é um dos efeitos da proteção ambiental.
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Manguezais de Niterói, no Rio de Janeiro
Liana John
Ainda há muitas guerras para garantir a conservação dos manguezais em Niterói, mas ao menos uma pequena batalha parece ganha.
Cap. I - Ele plantou 9 milhões de árvores
Cap. I - Vídeo: Plantio de árvores voluntário
Cap. II - O semeador do Pontal do Paranapanema
Cap. II - Vídeo: Cultivo sem agrotóxico
Cap. III - O sequestrador de carbono
Cap. III - Vídeo: Ervas daninhas que ajudam
Cap. V - O restaurador de áreas degradadas
Cap. V - Vídeo: Paisagens na UTI
Sumário - Plantadores de Florestas
O agito em torno dos temas ambientais e o espaço aberto na mídia para termos antes pouco usados - biodiversidade, ecossistemas, mudanças climáticas - acendeu uma luzinha verde na vida do empresário. Ele puxou o freio de mão na Laptops Informática e Tecnologia; fechou a empresa no auge e deu uma guinada de 180 graus: atravessou a ponte Rio-Niterói para morar em Itaipu e criou a Associação de Proteção a Ecossistemas Costeiros (APREC). Dois anos mais tarde, a ONG foi formalizada com sede em Paquetá, no endereço da pizzaria que virou ganha-pão do economista por algum tempo.
"Ao ver toda aquela discussão em torno da Rio 92 decidi: isso é o que eu quero fazer", resume. E como não queria embarcar nos temas ambientais de orelhada, voltou aos bancos de escola, mais precisamente aos bancos da faculdade de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
"Os jovens veteranos me receberam muito bem e foram logo avisando: não vamos dar trote no senhor, não". Mas Sérgio fez questão de passar pelo ritual de iniciação como todo mundo e assim conquistou vários amigos de outras gerações.
"De início, o trabalho da APREC era muito técnico. Criamos o Cultimar, que, aliás, continua até hoje como um projeto de criação de moluscos e peixes para alimentação humana, mas com base científica, estudos, avaliações", conta. A ideia de plantar mangue surgiu da necessidade de fazer frente à especulação imobiliária e à degradação no entorno da laguna de Itaipu, em Niterói.
Uma das batalhas se deu contra os donos de uma boate localizada perto da laguna, do outro lado da rua. Eles precisavam de um estacionamento para seus clientes e não acharam "nada demais" cortar a vegetação, fazer um pequeno aterro e delimitar as vagas ali mesmo, na faixa de maré antes ocupada pelo mangue. Através da APREC, Sérgio entrou com uma ação no Ministério Público e conseguiu desfazer o malfeito.
A faixa de mangue plantada em frente à boate já fechou e não dá passagem nem para carros nem para pedestres. A circulação só é livre para caranguejos, garças, mergulhões, peixinhos e camarões. Ainda tem uma ou outra casa quebrando a integridade da paisagem, mas o cinturão verde cresce e se torna mais denso a cada ano que passa.
Outra batalha foi ao longo do molhe construído com pedras bem no meio do que era para ser mangue. Sérgio e seus ajudantes em mutirão não conseguiram remover as pedras, mas plantaram mais de 22 mil mudas de mangue, de modo a permitir que a vegetação fechasse rapidamente, restaurando o ecossistema na linha de maré.
As mudas foram plantadas dos dois lados do molhe, mas coletores de caranguejos nada preocupados com a sustentabilidade arrancaram tudo do lado voltado para a baía. "Com o tempo, o próprio mangue vai se encarregando de repovoar o que foi arrancado, lançando uma muda aqui, outra ali", comemora Sérgio. "É como no resto da laguna: fizemos o plantio em alguns pontos, mas o manguezal cresceu e fechou tudo ao redor".
"As mudas vieram de outros mangues da região, foram aclimatadas na minha casa e plantadas de acordo com a tolerância à salinidade", acrescenta. O acompanhamento do crescimento das árvores e a avaliação do valor daquele mangue restaurado se transformaram na dissertação de mestrado de Sérgio de Mattos Fonseca, em Ciência Ambiental, na Universidade Federal Fluminense (UFF), com o título: "O valor de existência de um ecossistema costeiro tropical, através da disposição ao trabalho voluntário".
Depois veio um estágio de doutorado no Algarve, em Portugal, sobre a dimensão econômica dos bens e serviços ambientais. E finalmente o doutorado, concluído em 2010 na Universidade Federal de Viçosa (UFV) sobre o potencial de absorção de carbono de um ecossistema de manguezal.
