Edição 200/Junho de 2012 29/05/2012

Copa bacana

Cores, cenas, atrações, histórias, lugares e personagens de Copacabana, a praia mais famosa do Brasil

por Igor Olszowski

Boêmia, glamourosa, mítica. Caetano cantou em Superbacana que tudo está em Copacabana (Ipanema e Leblon também dariam boas rimas). O Réveillon é famosíssimo em todo o planeta. A tão célebre Princesinha do Mar está de volta ao proscênio. Proscênio, pensando bem, é uma palavra que ficaria melhor numa reportagem sobre o bairro nos anos 1920, quando, por exemplo, o hotel Copacabana Palace foi inaugurado. Copacabana, na verdade, é notícia há 90 anos, mas de tempos em tempos reclama um pouco mais de atenção. Como agora, quando passa a exibir um feixe de novos restaurantes e boulangeries, em parte por não ter os aluguéis da hora da morte dos vizinhos da Zona Sul. Com seu panorama de pés-sujos e salões elegantes, sungas brancas, viúvas octogenárias e skatistas, o bairro em que vivem cerca de 150 mil pessoas é a síntese democrática do Rio, talvez a síntese do Brasil.

A famosa orla de Burle Marx, o calçadão de 4 quilômetros ao longo da praia na Avenida Atlântica, é apenas o eixo mais vistoso do bairro que esconde – ou exibe – preciosidades. Do Posto 6, no Forte de Copacabana, ao Forte do Leme, alguns mundos se entrelaçam, seja na geografia humana, seja nos botecos, restaurantes, lojas e atrações que convidam a horas, dias, semanas de visita. “O bairro tem várias caras e tipos, inclusive a do malandro carioca de almanaque, aquele que tenta se dar bem com o turista”, diz o sociólogo Juliano Werneck, presidente da Associação dos Moradores e Amigos de Copacabana (Amacopa).

A grande mudança que se vê em Copa neste momento tem a ver com cozinha. Ainda dá para comer um bom PF por R$ 9 no apertado balcão do boteco Aboim (Rua Souza Lima, 16, loja B, 21/9818-2272) e se deliciar com os wafes da Confeitaria Colombo (21/3201-4049, confeitariacolombo.com.br), nas alamedas do Forte de Copacabana, um dos lugares mais gostosos do bairro. Os crepes do Le Blé Noir (Rua Xavier da Silveira, 15, loja A, 21/2287-1272; Cc: A, D, M, V) também seguem concorridos. As novidades começam nos limites do Arpoador, no edifício Cassino Atlântico. Lá estão os 30 metros quadrados do Beijo Carioca (Rua Francisco Otaviano, 20, 21/2513-1070; Cc: A, D, M, V), de Georgeana Mello. Da sua cozinha saem saladas, quiches de cebola e alho-poró (R$ 13,50) e doces como a tartelette de chocolate meio amargo com laranja (R$ 12).

Ao lado, no Hotel Sofitel (Avenida Atlântica, 4240, sofitel.com.br; diárias desde 550; Cc: A, D, M, V), a marca uspcale do grupo Accor, onde os funcionários são instruídos a falar “Bonjour” em vez de “Bom-dia” até ao mais feroz brasileiro, o restaurante Le Pré Catelan converte ingredientes brasileiros como o arroz com feijão em alta gastronomia. Um dos quatro restaurantes com as três máximas estrelas do GUIA BRASIL 2012, é dirigido pelo chef Roland Villard, marido da Georgeana do Beijo Carioca. Villard desembarcou em Copacabana em 1997 para ficar. “Sinto-me um felizardo por acordar todo dia de frente para a praia mais linda do mundo”, disse à VT. O amor pelo bairro toma proporções quase clubísticas. “Copa é sincera, não tem os modismos de Ipanema e do Leblon.”

Veja na próxima página a forte presença francesa em Copacabana e as melhores ruas comerciais

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