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Decolagem

O ponto de partida de uma aventura espacial

Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL   |   Por: Chris Johns
« Especial espaço

O ar do deserto à noite é frio e limpo. Nunca vi um céu tão brilhante. As estrelas e os planetas parecem pulsar. Estou a centenas de quilômetros de qualquer cidade, no meio da Namíbia, um dos desertos mais antigos do mundo. Os bosquímanos, povo que habita o sul da África há mais tempo, chama esse lugar de lar. Segundo a lenda, em uma noite escura, uma menina bosquímana não estava enxergando bem e, por isso, jogou brasas para o céu. Essas brasas se tornaram as estrelas e os planetas. Animada com a transformação, ela lançou várias raízes em fogo para cima e adicionou cor ao céu. Assim, explicam, ela criou a Via Láctea.

Eu tenho a minha própria história sobre o céu, que precede a experiência na Namíbia em mais de três décadas. Eu tinha 10 anos, talvez a idade da menina da lenda, e dormia profundamente. Meu pai me tirou da cama e me levou até o sofá na frente da nossa TV em preto-e-branco com sua imagem trêmula. Eram 3h da manhã do dia 20 de fevereiro de 1962, e John Glenn embarcava no foguete Mercury. Logo, uma explosão de luz e fumaça irrompeu, e a nave espacial, queimando como brasa, carregou-o para o céu. “Vá com Deus, John Glenn”, o astronauta Scott Carpenter disse pelo rádio. O mundo esperou. Cinco horas e três órbitas depois, a ansiedade se transformou em entusiasmo quando Glen caiu na água em segurança.

Essa é uma cena de que eu nunca vou me esquecer, mas a missão que deu corda à minha imaginação foi a Apollo 8, em dezembro de 1968, com suas fotografias as da Terra feitas pela tripulação ao dar a volta na Lua, os primeiros a enxergar o lado escuro do satélite. Ali está nosso planeta, lindo, frágil, uma bolinha branca e azul, flutuando no pretume do espaço. O momento definitivo ocorreu na véspera de Natal, quando, em uma transmissão ao vivo da órbita lunar, os astronautas leram o texto majestoso do Gênesis para a audiência hipnotizada na Terra. Esta edição especial de National Geographic comemora o 40º aniversário dessa missão. Também prestamos aqui nossa homenagem aos heróis que se aventuraram ao espaço e àqueles que permaneceram em terra para possibilitar a realização dessas jornadas. Espero que os sonhos e as aspirações da humanidade sempre sejam tão infinitos quanto o próprio espaço.