Cap. VII - A defensora do pau-brasil
Ana Cristina Roldão, da FunBrasil, segue de perto os passos do pai, que dedicou 40 anos de sua vida ao plantio da árvore nacional
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Às margens do rio Capibaribe
Liana John
<p> Ana Cristina fiscaliza o crescimento das mudas às margens do rio Capibaribe</p>
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Fundação Nacional do Pau-Brasil
Liana John
<p> Sede da Fundação Nacional do Pau-Brasil, em Glória do Goitá (PE), devidamente cercada por um bosque da árvore-símbolo nacional</p>
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Viveiro de Glória do Goitá (PE)
Liana John
<p> Cerca de 50 espécies nativas de madeira de lei são cultivadas no viveiro de Glória do Goitá (PE)</p>
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Jovem árvore de pau-brasil
Liana John
<p> Jovem árvore de pau-brasil, com cerca de 10 a 15 anos de idade</p>
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Mudas
Liana John
<p> O chão dos bosques de pau-brasil está repleto de novas mudas</p>
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Sementes de pau-brasil
Liana John
<p> Sementes de pau-brasil colhidas no bosque da fundação, para produção de mudas</p>
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Bosque da Fundação Nacional do Pau-Brasil
Liana John
<p> O bosque da sede da Fundação Nacional do Pau-Brasil também serve para a produção de sementes de nativas</p>
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Ingá
Liana John
<p> Uma das espécies cultivadas na Fundação Nacional do Pau-Brasil é o ingá, uma árvore de beira de rios, represas e açudes</p>
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Ingá
Liana John
<p> Muito apreciado pela fauna, o ingá oferece alimento para insetos, aves e pequenos mamíferos</p>
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Ingá
Liana John
<p> Muda de pau-brasil cresce aos pés da árvore-mãe</p>
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Aula na Funase
Liana John
<p> Ana Cristina dá uma aula sobre o pau-brasil a uma turma de semi-internos da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase), de Recife</p>
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Trilhas interpretativas
Liana John
<p> Jovens da Funase percorrem as trilhas interpretativas na sede da Fundação Nacional do Pau-Brasil</p>
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Ana Cristina
Liana John
<p> Ana Cristina faz analogias entre o crescimento de uma árvore e o de uma pessoa, durante visita da Funase à Glória do Goitá</p>
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Açude
Liana John
<p> Um dos açudes construídos pela Fundação Nacional do Pau-Brasil para sempre ter água para o viveiro</p>
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Sistema de gotejamento
Liana John
<p> Sistema barato de gotejamento para garantir um mínimo de água às arvores em crescimento, durante a estação seca do Nordeste</p>
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Água abundante
Liana John
<p> Graças à disponibilidade de água, a produção atual de mudas de árvores nativas chega a 150 mil por ano</p>
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Irrigação diária das mudas
Liana John
<p> Irrigação diária das mudas de árvores nativas da Fundação Nacional do Pau-Brasil.</p>
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Alameda de pau-brasil
Liana John
<p> Alameda de pau-brasil, à espera das chuvas de 2012, em Glória do Goitá (PE)</p>
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Mudas nativas
Liana John
<p> A maior parte das mudas de árvores nativas é cultivada à sombra do bosque de pau-brasil plantado pelo professor Roldão</p>
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Rega manual
Liana John
<p> Onde o sistema de irrigação não alcança, a rega é manual</p>
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Reflorestamento ciliar
Liana John
<p> O pau-brasil está entre as espécies plantadas no reflorestamento ciliar de São Lourenço da Mata</p>
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Açude
Liana John
<p> Açude da Fundação Nacional do Pau-Brasil, coberto de plantas aquáticas</p>
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O plantio às margens do rio Capibaripe
Liana John
<p> O plantio às margens do rio Capibaripe fica no município de São Lourenço da Mata (PE) e conta com recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro).</p>
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Trabalhadores
Liana John
<p> Trabalhadores abrem as covas para plantio da mudas</p>
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Trabalhadores da Fundação Nacional do Pau-Brasil
Liana John
<p> Trabalhadores da Fundação Nacional do Pau-Brasil abrem espaço para as mudas, em meio ao capim das pastagens que por ali se estendiam</p>
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Plantio de mata ciliar às margens do rio Capibaribe
Liana John
<p> Plantio de mata ciliar em ambas as margens do rio Capibaribe, organizado pela Fundação Nacional do Pau-Brasil em convênio com a Secretaria de Recursos Hídricos</p>
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Mata ciliar do Capibaribe
Liana John
<p> Mudas de 50 espécies diferentes deverão recompor a mata ciliar do Capibaribe por uma extensão de 6 quilômetros</p>
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Ana Cristina Roldão
Liana John
<p> Ana Cristina Roldão: “Quando morrer, quero ser cremada e que minhas cinzas sejam jogadas aos pés de um pau-brasil. Até já escolhi qual árvore...”</p>
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Ana Cristina Roldão
Liana John
<p> Ana Cristina Roldão, em seu cotidiano de levantar fundos para promover plantios na Zona da Mata Nordestina</p>
Cap. VII - Pau-brasil se recupera no Morro dos Guararapes
Cap. VII - Por que os portugueses se interessavam pelo pau-brasil
Cap. VII - Vídeo: O trabalho da Fundação Nacional do Pau-Brasil
Sumário - Plantadores de Florestas
Dos cinco filhos de Roldão de Siqueira Fontes, apenas a caçula saiu ao pai. Ana Cristina herdou do professor a paixão pelo pau-brasil e a imensa paciência para contar, recontar e redesenhar a história da árvore nacional. Enquanto o pai viveu, ela o acompanhou. Ele à frente, ela à sombra, ambos semearam, plantaram e ensinaram a manter bosques carregados de simbolismo por todo o Brasil.
Durante os 40 anos dedicados a promover o conhecimento sobre o pau-brasil, o professor Roldão distribuiu cerca de 2 milhões e 700 mil mudas da espécie, conhecida pelos cientistas como Caesalpinia echinata. Desde 1996 – quando ele se foi – Ana Cristina toca sozinha a Fundação Nacional do Pau-Brasil (FunBrasil), em Glória do Goitá, Pernambuco. Com a esperança confessa de um dia despertar o interesse dos netos gêmeos, Ana Beatriz e João Victor, hoje com 4 anos, e transformá-los também em plantadores de florestas.
Nascida Ana Cristina de Siqueira Lima, ela acabou adotando o nome “artístico” pelo qual a mídia sempre a tratou, numa referência ao pai: Ana Cristina Roldão. Aprendeu a cuidar de roças e criações no Colégio Agrícola de São Bento, onde ele lecionava. “Sou capa gado formada, como fala o povo daqui”, comenta, numa alusão ao seu conhecimento prático, pé no chão. E ainda se vira com a papelada da FunBrasil, que ajudou o pai a criar em 1988.
Aos 59 anos, com a filha única criada e casada, morando em Recife, Ana Cristina divide-se entre o cuidado cotidiano com a irrigação das mudas de árvores nativas; a coordenação dos convênios estabelecidos com prefeituras e empresas para reflorestamentos e o acompanhamento dos visitantes, tanto nas trilhas interpretativas do bosque que rodeia a sede da fundação, como por entre os objetos e as fotos do Museu do Pau-Brasil, ali vizinho.
Capaz de se multiplicar sem perder o fio da meada, Ana Cristina só lamenta a falta de recursos para fazer mais: mais mudas, mais campanhas educativas, mais plantios. Em sua gestão à frente da fundação, ela diversificou, passando a trabalhar com outras 42 espécies de árvores nativas, além do pau-brasil, como os ipês roxo e amarelo, a sucupira, o cajueiro, o angico, o angelim e o jatobá. Em alguns plantios, acrescenta mudas produzidas em outros viveiros para chegar mais perto da diversidade original das matas.
Vale lembrar que, no Nordeste, a Mata Atlântica original já ocupava uma faixa bem mais estreita junto ao litoral, se comparada ao domínio da floresta na região Sudeste. E o desmatamento também foi mais prolongado – desde o século XVI – e intenso, sobretudo para exportação de madeiras – como o pau-brasil – e para abertura de engenhos e cultivo de cana-de-açúcar. Por isso, restam hoje apenas fragmentos pequenos e pulverizados no mapa, quase todos em propriedades rurais ou em áreas públicas e não protegidos em unidades de conservação.
Assim, toda e qualquer mudinha que cresça e “vingue”, como se diz por lá, é uma vitória. Justifica a atenção redobrada e o apelido atribuído por Ana Cristina às suas plantas: “Chamamos de filhotas, não só as de pau-brasil, mas todas as mudinhas. São as filhas que nós plantamos com cuidado e dedicação. E esse amor que a gente coloca, a gente tem a pretensão de que permeie para quem pegar nelas. Que eles as tratem bem, como nós as tratamos”, explica. “Espero, em Deus e na força da natureza, que mais pessoas se sensibilizem e trabalhem na restauração e no retorno das grandes árvores, porque são elas que dão equilíbrio ao Planeta”.
No princípio, o trabalho de divulgação realizado por Roldão de Siqueira Fontes tinha motivos históricos. Como professor de História e Geografia do Brasil no antigo Colégio Agrícola de São Bento, ele se indignava com o desconhecimento da população a respeito da árvore que deu nome ao país.
O colégio técnico pertencia à Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), localizada no bairro Dois Irmãos, em Recife. Nos jardins de acesso ao prédio, existiam algumas árvores de pau-brasil, pelas quais o professor passava diariamente. No início dos anos 1970, ao descobrir que a espécie estava ameaçada de extinção, ele começou a coletar as sementes e formar mudas em latinhas e outros recipientes disponíveis, para distribuir aos alunos e seus familiares.
