Carne e osso
Uma nova geração de cientistas reinventa o cotidiano dos dinossauros
Robert Clark
Robert Clark
Um Tyranossaurus rex mecânico tritura um osso, numa simulação da mordida do verdadeiro animal
Agora, o enorme jacaré aligátor macho está na areia sob os carvalhos. Poucos dias antes, assim que fora arrastado para fora das águas lamacentas de um lago no centro da Flórida, os pesquisadores o batizaram de “Mr. Big”. Do tamanho de um sofá, as gordas papadas enquadram-lhe a cabeça como se fossem almofadas. Teria medido cerca de 4 metros de comprimento se um rival não lhe tivesse arrancado 30 centímetros de cauda.
Sentadas em seu dorso, quatro pessoas o mantêm imobilizado. Quando alvoroçado, um jacaré desse tipo não se limita a agitar com violência a cauda – também pode girar sobre o próprio eixo, como um elástico torcido e liberado. Com a boca presa por fita adesiva e os olhos cobertos com uma toalha, Mr. Big revela, no entanto, uma perfeita docilidade. Comporta-se como um jacaré que estivesse se deliciando ao sol, e não como um animal submetido a experimento científico.
Responsável pela experiência, o paleobiólogo Gregory Erickson mantém-se a certa distância, concentrado em segurar um suporte de plástico em cuja ponta foi instalado um “transdutor de potência” que parece uma pequena placa quadrada. Seu objetivo é introduzir a placa na boca do animal, a fim de medir a força de sua mordida. Erickson também está tomando cuidado para não perder nenhuma parte de seu próprio corpo, o que explica sua extraordinária concentração.
Um dos homens que prendem o jacaré retira a toalha e remove a fita adesiva. O animal abre os olhos e sibila. Suas mandíbulas começam a se abrir lentamente, como uma ponte articulável. Quando Erickson encosta o transdutor de potência na maior presa do fundo da mandíbula superior direita, a assustadora boca fecha-se como um raio.
“Atenção, atenção!”, grita Erickson ao ver que o jacaré, ainda mordendo firmemente a vara com o transdutor, começa a mover-se em sua direção. Logo, porém, o animal se acalma. Erickson então pode fazer a leitura do instrumento. “Dois vírgula nove seis. Uau!”, exclama.
As mandíbulas da criatura estavam exercendo quase 1 350 quilos de força.
O mais curioso nesse pequeno experimento é o fato de estar sendo realizado por causa dos dinossauros. Vinculado à Universidade Estadual da Flórida, Erickson é na verdade especialista nos hábitos alimentares dos tiranossauros. Esse interesse o levou a querer saber mais a respeito de mordidas em geral e é por isso que está ali fazendo hora extra com crocodilianos.
Acomodado em um barco inflável, Mr. Big é rebocado por terra até o lago Griffin, cerca de uma hora de viagem ao sul. Ali passamos a noite toda à beira do lago, realizando medições similares em dez outros jacarés que haviam acabado de ser retirados da água. Enquanto isso, conversamos bastante sobre dinossauros.
