Inspirando as pessoas a cuidar do planeta desde 1888 | Saiba mais »

Edição 108/Março de 2009 02/12/2011

Economia de energia: tudo começa em casa     

Com pouco esforço, a maioria de nós poderia cortar os gastos energéticos em 25% ou mais

por Peter Miller Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL

Tyrone Turner

Foto termográfica de casa mostrando onde há desperdício de energia no local

Tyrone Turner

A foto termográfica mostra onde há desperdício de energia nesta casa antiga de New Haven, no estado de Connecticut. As manchas vermelhas e amarelas indicam perda de calor; as novas janelas de vidro duplo aparecem em tom azulado e frio. Ao impedir a saída do calor, as janelas reduzem o custo do aquecimento da casa

Já sabemos qual é o meio mais rápido e mais barato de frear o aquecimento global: diminuir nosso consumo de energia. Com pouco esforço, a maioria de nós poderia cortar os gastos energéticos em 25% ou mais - beneficiando o planeta e nosso próprio bolso. Portanto, o que estamos esperando?

Há pouco, minha mulher, PJ, e eu começamos um novo tipo de dieta. Os cientistas concluíram que o planeta está se aquecendo num ritmo mais acelerado do que se previa, e que as consequências podem ser trágicas se não reduzirmos a emissão de dióxido de carbono e outros gases associados ao efeito estufa que contribuem para aquecer a atmosfera. Qual é a ajuda que cada um de nós pode dar? Com o crescimento explosivo das emissões na China, na Índia e em outros países em desenvolvimento, as medidas individuais de contenção de energia resultam de fato em alguma diferença?

Decidimos fazer uma experiência. Durante um mês monitoramos nossas emissões pessoais de dióxido de carbono (CO2). Adotamos uma dieta rígida. Em média, uma família americana produz cerca de 70 quilos de CO2 por dia ao realizar coisas corriqueiras como ligar o ar-condicionado ou andar de carro. Isso é mais que o dobro da média europeia e quase o quíntuplo da média mundial, em grande parte porque os americanos usam o automóvel em demasia e vivem em casas maiores. Mas ainda permanecia uma dúvida: quanto deveríamos tentar reduzir?

Para saber isso, conversei com Tim Flannery, autor de The Weather Makers: How Man Is Changing the Climate and What It Means for Life on Earth ("Os fazedores de clima: como o homem está alterando o clima e o que isso significa para a vida na Terra"). No livro, ele desafia os leitores a fazer cortes em suas emissões pessoais para que o planeta não atinja limites críticos. "Para ficarmos aquém desse limiar irreversível, precisamos cortar 80% das emissões de CO2", diz.

Serei franco: essa meta, para mim, parecia inviável. Mesmo assim, o principal era responder a uma pergunta simples: quão próximos conseguiríamos chegar a um modo de vida compatível com a capacidade de renovação do planeta? Concordamos que iríamos tentar chegar a 80% menos que a média americana, o que implicava uma emissão diária de apenas 14 quilos de CO2. Em seguida fomos ver se algum vizinho teria interesse em nos acompanhar nessa dieta.

Kyoko e John Bauer eram candidatos óbvios. Ambientalistas entusiásticos, já estavam comprometidos com um modo de vida de baixo impacto. Um carro, uma televisão, nenhum tipo de carne além da de peixe. Pais de gêmeos de 3 anos de idade, estavam preocupados com o futuro. "Pode contar com a gente", disse John.

Por outro lado, Susan e Mitch Freedman eram pais de dois adolescentes. Susan não tinha certeza de como iriam encarar esses cortes bem nas férias de verão. Mitch é arquiteto, e estava trabalhando no projeto de um edifício comercial de consumo energético mais e9 ciente. Por isso, mostrou-se curioso para saber quanto de energia conseguiriam economizar em sua casa. Os Freedman, portanto, também iam participar.

Começamos a dieta num domingo de julho, um dia ameno na região em que moramos, no norte do estado da Virgínia, perto de Washington, DC. Eu abrira as janelas de nosso quarto para que a brisa entrasse. Estávamos tão acostumados a deixar o ar-condicionado ligado o tempo todo que eu quase havia me esquecido de que as janelas podiam ser abertas. Às 5 da madrugada, os passarinhos nos acordaram com simpática algazarra, despontaram os primeiros raios de sol e teve início nosso experimento.