Em águas secretas
O estudo das cavernas submersas das Bahamas pode lançar luz até sobre a vida em outros planetas
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Edição 125 – Em águas secretas - Mergulho pelas estalagmites - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
Seguindo a linha-guia da qual sua vida depende, a mergulhadora dribla com cuidado a floresta de estalagmites na caverna do Dan, na ilha Abaco. Um único esbarrão pode esfacelar formações de milhares de anos de idade.
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Edição 125 – Em águas secretas - Ferramentas para coleta de amostras - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
Brian Kakuk possui um arsenal de ferramentas para coletar amostras. Sua seringa de bulbo suga a areia vermelha soprada desde o Saara de tempos antigos
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Edição 125 – Em águas secretas - Cascade Room (salão das cascatas), na caverna de Dan - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
Com os pés-de-pato desfocados pelo gradiente de salinidade da água em um ponto em que águas com concentrações de sal diferentes se encontram, um mergulhador circula pelo Cascade Room (salão da cascata), de decoração ornamentada, na caverna de Dan
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Edição 125 – Em águas secretas - William Trubridge na entrada de Dean's Blue Hole em Long Island - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
Descansando um pouco em uma pedra a 24 metros de profundidade, o mergulhador livre William Trubridge admira a boca aberta da entrada de Dean's Blue Hole em Long Island. Trubridge detém o recorde de maior tempo sem respirar em mergulho livre, uma viagem de três minutos e 56 segundos nesta caverna das Bahamas, até a profundidade de quase 95 metros.
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Edição 125 – Em águas secretas - O salão da Cascata, na caverna do Dan - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
O salão da Cascata, uns 25 metros abaixo da superfície, conduz os mergulhadores às profundezas da caverna do Dan, na ilha Ábaco. Cerca de 11 quilômetros da caverna foram explorados desde meados dos anos 1990.
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Edição 125 – Em águas secretas - Camarão de caverna - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
Em buracos azuis sem luz, animais como este camarão de caverna Agostocaris, de cerca de dois centímetros e meio de comprimento, não precisam de pigmentação de superfície. Apenas parte do sistema digestivo do camarão tem cor.
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Edição 125 – Em águas secretas - Água colorida por bactérias - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
Bactérias dão cor à água a uma profundidade de 9 a 11 metros no poço da Serraria, em Abaco. Aqui, bem como em uma camada incolor abaixo, o sulfeto de hidrogênio está presente - e esse veneno pode ser fatal.
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O Natal Luz é o evento mais esperado do ano em Gramado
Divulgação
O Natal Luz é o evento mais esperado do ano em Gramado
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Edição 125 – Em águas secretas - Estalagmites e estalactites - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
Entre uma floresta pendente de estalactites na caverna de Ralph em Abaco, Brian Kakuk direciona sua luz de mergulho para uma estalagmite translúcida. Durante períodos em que o nível do mar esteve mais baixo, em que as cavernas ficavam secas, estalagmites e estalactites se desenvolveram e acabaram se unindo para formar colunas
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Edição 125 – Em águas secretas - Sacola inflável com estalagmite - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
Sacola inflável leva uma estalagmite para ser examinada em busca de evidências de mudanças climáticas
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Edição 125 – Em águas secretas - Buraco azul do Dean, em Long Island - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
Em Long Island, o buraco azul do Dean - a mais profunda caverna submersa conhecida em toda a Terra - se aprofunda em mais de 180 metros
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Edição 125 – Em águas secretas - Camada bacteriana 2 - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
No poço da Serraria, o líder da expedição, Kenny Broad, atravessa a camada bacteriana ao descer para um mergulho.
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Edição 125 – Em águas secretas - Vórtice do buraco azul, na ilha de Grand Bahama - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
"De repente, ele pega você", conta o fotógrafo Wes Skiles, falando sobre o vórtice do buraco azul da Chaminé, na ilha Grand Bahama. Como um ralo de banheira, ele suga milhões de litros d'água na maré alta. "É como chegar à beira de uma queda-d'água - não há escapatória." A distância, um mergulhador instala um equipamento para medir o fluxo do sorvedouro.
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Edição 125 – Em águas secretas - Remípede, um fóssil vivo - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
O remípede é um "fóssil vivo" inalterado durante 300 milhões de anos. Ele mata suas vítimas - em geral outros crustáceos - injetando veneno nelas através das presas.
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Edição 125 – Em águas secretas - Após um dia de múltiplos no poço da Serraria - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
Kenny Broad e Brian Kakuk emergem no fim do dia depois de múltiplos mergulhos no poço da Serraria, de onde coletaram amostras de bactérias e fósseis. "O mundo alienígena lá embaixo", diz Broad, "nos leva para além de nossos sonhos."
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Edição 125 – Em águas secretas - Camada bacteriana - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
No poço da Serraria, o líder da expedição, Kenny Broad, atravessa a camada bacteriana ao descer para um mergulho.
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Edição 125 – Em águas secretas - Crânio no buraco azul do Santuário, na ilha Andros - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
O arqueólogo Michael Pateman pega o crânio de um lucaiano no sítio a 35 metros de profundidade, no buraco azul do Santuário, na ilha Andros.
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Edição 125 – Em águas secretas - Caverna de Bem no Parque Nacional Lucayan - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
O ponto de vista de um mergulhador logo abaixo da superfície revela a entrada assemelhada a uma floresta da caverna de Bem no Parque Nacional Lucayan, em Grand Bahama. Estabelecido em 1970, o parque protege um dos mais longos sistemas de cavernas submersas em terra do mundo.
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Edição 125 – Em águas secretas - Lixo em Garbage Hole - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
Pneus e outros materiais descartados se acumularam em Garbage Hole (buraco do lixo) em Grand Bahama. "A gente nada ao mesmo tempo na água que as pessoas bebem e entre pilhas de lixo", diz Kenny Broad. "Isso realmente nos faz ver por que é preciso proteger esses lugares."
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Edição 125 – Em águas secretas - Buraco azul - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
No Portal Estelar, um buraco azul na ilha Andros, mergulhadores iluminam a Passagem Norte
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Edição 125 – Em águas secretas - Mergulhador leva estalagmite à superfície - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
Com as bolhas de ar forçadas para baixo pela corrente em um buraco azul em Abaco, Kenny Broad se esforça para chegar à superfície carregando um estalagmite embaixo do braço. Os mergulhadores precisam levar tanques de gás de respiração extras quando têm de lutar contra corrente descendente.
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Edição 125 – Em águas secretas - Poço profundo na caverna de Dan, em Abaco - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
Através de um halo de luzes de mergulho, Kenny Broad sobe um poço profundo na caverna de Dan, em Abaco. O local é uma das cavernas submersas em terra mais espetaculares do mundo, graças a suas formações minerais abundantes, de colunas e cortinas a "canudos de refrigerante" de calcita que podem se quebrar com um simples toque com a ponta do dedo.
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Edição 125 – Em águas secretas - Nas profundezas, um crânio intacto - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
O veterano Brian Kakuk tira dos sedimentos, no poço da Serraria, um crânio de crocodilo de mais de 3 mil anos de idade. Quase desprovidos de oxigênio, os buracos azuis preservam os ossos intactos.
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Edição 125 – Em águas secretas - Garbage Hole, em Grand Bahamas - Fotos Mergulho nas cavernas submersas das Bahamas
Wes C. Skiles
No Garbage Hole, em Grand Bahama, Kenny Broad se esgueira através de uma seção estreita, soltando a guia da qual sua vida depende para um retorno seguro à superfície. Apesar de as correntes de maré lançarem lixo para os pontos mais profundos desta caverna afastada do litoral, suas paredes estão abarrotadas de vida, incluindo briozoários de vermelho vivo, esponjas cinzentas lisas e hidroides felpudos que picam e podem causar vergões na pele exposta. Para muitas pessoas que mergulham em cavernas, entrar em uma passagem que nunca foi explorada, como Broad está fazendo aqui, é o mesmo que encontrar o Santo Graal.
Penetramos no Stargate, ou Portal Estelar, nome curioso do buraco azul, vasculhando o vazio com nossas luzes de mergulho. A 15 metros da superfície surge uma névoa esbranquiçada, a camada de sulfeto de hidrogênio, um gás tóxico criado por colônias de bactérias e material orgânico em decomposição. Os mergulhadores, ao penetrar nesse gás, experimentam coceiras, formigamento ou tontura. Alguns sentem cheiro de ovo podre quando o gás é metabolizado nos pulmões. Sou tomado por uma onda de náusea durante a descida. Olho para o meu guia, Brian Kakuk, experiente mergulhador de cavernas. Ele parece imperturbado. Minha cabeça começa a latejar.
As grandes cavidades submersas situadas ao largo dos continentes, chamadas de buracos azuis oceânicos, são extensões do mar e estão sujeitas às mesmas fortes marés que regem as águas em volta, além de abrigar muitas das mesmas espécies. Os buracos azuis terrestres, porém, são diferentes de qualquer outro ambiente na Terra, em parte graças a sua geologia e à composição química de suas águas. Nessas cavernas, tais como o Portal Estelar na ilha Andros, o reduzido fluxo das marés resulta em uma estratificação das camadas químicas na massa líquida. Uma lâmina fina de água doce - suprida pela chuva - jaz acima de uma densa camada de água salgada. A lâmina doce age como tampa, isolando a água salgada do oxigênio atmosférico e impedindo as bactérias de provocar a decomposição da matéria orgânica. As bactérias logo abaixo da água doce sobrevivem transformando sulfato (um dos sais comuns na água) em energia e gerando como subproduto o sulfeto de hidrogênio. Conhecido como gás de esgoto ou de pântano, esse sulfeto, em altas doses, pode causar delírios e morte.
Verdadeiros laboratórios vivos, os buracos azuis terrestres são o equivalente científico da tumba de Tutankhamon: um reduto de informações valiosas sobre o passado. Da perspectiva de um mergulhador, pode-se compará-los ao Everest ou ao K2, por exigir treinamento especializado, equipamento e experiência. Os mergulhadores de cavernas trabalham sob tremenda pressão do tempo. Se algo dá errado e eles não conseguem voltar à superfície antes que acabe o ar de seus cilindros, estão perdidos.
Em 2009, uma equipe de exploradores e estudiosos passou dois meses investigando esses ambientes em Andros, Abaco e cinco outras ilhas das Bahamas. Financiada pela National Geographic Society, em colaboração com o Museu Nacional das Bahamas, a Expedição aos Buracos Azuis das Bahamas foi encabeçada por Keith Tinker e concebida por Keny Broad, antropólogo e espeleólogo ligado à Universidade de Miami.
Wes C. Skiles
Sob a liderança de Broad, com Brian Kakuk na área de segurança e Wes Skiles a cargo das filmagens e fotos, a equipe realizou cerca de 150 mergulhos em 25 buracos azuis. Eles coletaram dados que prometem aprofundar nosso conhecimento de áreas que vão de geologia e química das águas a biologia, paleontologia, arqueologia e astrobiologia - o estudo da vida no universo.
Diante da atual taxa de elevação no nível do mar (talvez 1 metro ao longo do próximo século), muitas cavernas terrestres serão inundadas de água salgada em questão de décadas, desintegrando sua delicada química e destruindo as condições que as tornam tão valiosas para a ciência. Além disso, os buracos azuis são muitas vezes usados como depósito de lixo. A invisibilidade do mundo subterrâneo coloca-o à margem na lista das prioridades conservacionistas.
Por instinto, associamos a vida ao oxigênio, mas seres viventes existiram na Terra durante mais de 1 bilhão de anos sob absoluta falta desse gás. Ironicamente, o revolucionário oxigênio veio ao mundo por causa do surgimento de bactérias que o descartavam como dejeto. A astrobióloga Jenn Macalady estuda a composição química da água nos buracos azuis das Bahamas para entender as condições bem similares às dos mais antigos ambientes desprovidos de oxigênio que deram sustentação às formas de vida.
Jenn tem especial interesse no período que vai de 4 bilhões de anos atrás - quando a vida surgiu pela primeira vez na Terra - até mais ou menos há 2,5 bilhões de anos. Ao investigar as bactérias que prosperam nas águas anóxicas (sem oxigênio) dos buracos azuis, ela levanta hipóteses sobre o que pode existir nos ambientes com água líquida, mas carentes de oxigênio, em planetas e luas distantes. "O universo é composto dos mesmos elementos", afirma Jenn, "e os planetas habitáveis partilham características semelhantes, tais como temperaturas condizentes com a vida e presença de água." Muitos astrobiólogos acreditam que tais condições podem ocorrer em bolsões de água líquida sob a superfície de Marte ou em um mar debaixo da crosta congelada de Europa, uma das luas de Júpiter.
