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Europa barata: Espanha

€ 27 é o preço de um jantar completo no Hisop, restaurante estrelado de Barcelona

Por Adriana Setti
Atualizado em 16 dez 2016, 00h33 - Publicado em 30 jul 2012, 16h03

Dois aperitivos, salada de cavala defumada com melão, magret de pato com purê de rabanete, degustação de queijos e o nirvana após o cafezinho: a conta de apenas € 27 (sem as bebidas). Seria um preço razoável para uma refeição em um bom restaurante na Espanha. Mas está na categoria “só não aproveita quem é louco” no caso do jantar no Hisop (Passatje Marimon, 9, 34-93/241-3233, hisop.com; 2ª/6ª 13h30/15h30 e 20h30/23h; sáb 20h30/23h, fecha nas três primeiras semanas de agosto; Cc: M, V), em Barcelona, restaurante premiado com uma estrela do guia Michelin. Apontado como uma das jovens promessas da cozinha catalã contemporânea, o chef Oriol Ivern não vive um surto de generosidade. Tornar o luxo à mesa mais acessível, nos dias de hoje, é um ato de sensatez. Mais: questão de vida ou de morte.

De bandeja

Desde 2008, a bancarrota de sólidos templos da gastronomia tem sido notícia fequente na Europa. Para ficar só na Espanha: em Valência, fecharam as portas o Ca’Sento, que tinha 35 anos de bons serviços, e o Arrop, de Ricard Camarena, um dos jovens chefs mais celebrados do momento; em Barcelona, o Drolma, do chef Fermí Puig, com uma estrela no Michelin, anunciou o encerramento de suas atividades para setembro. Os que resistem, porém, seduzem com ótimos preços. Se antes era praticamente impossível degustar as criações de um chef-celebridade por menos de € 100, hoje, só na Espanha, 21 restaurantes cotados com estrelas do Michelin oferecem menus a menos de € 50.

Durante a semana, a hora do almoço vira uma festa com as pechinchas dos menus executivos. Um dos endereços mais badalados de Barcelona, o estrelado Alkimia (Carrer de la Industria, 79, 34-93/207-6115, alkimia.cat; 2ª/6ª 13h/16h e 21h/23h, fecha entre 6 e 26 de agosto; Cc: M, V), do chef Jordi Vilà, serve um primoroso menu de mediodía em cinco etapas por € 37,80 (menos da metade do preço de seu menu degustação). Ex-chef do lendário elBulli, de Ferran Adrià, Albert Raurich torna seu bistronomique Dos Palillos (Carrer d’Elisabets, 9, 34-93/304-0513, dospalillos. com; 3ª/4ª 19h30/23h30, 5ª/sáb 13h/15h30 e 19h30/23h30, fecha entre os dias 7 e 29 de agosto; Cc: M, V) bem mais acessível às quintas e sextas das 13h às 15h30, oferecendo dois aperitivos, três pratos e uma sobremesa por irrisórios € 20. Em Madri, o duplamente estrelado Arola Gastro (Calle de Zurbano, 31, 34-91/310-2169, sergiarola.es; 3ª/sáb 14h/15h30 e 20h/2h, fecha entre os dias 13 e 27 de agosto; Cc: todos), do chef-celebridade Sergi Arola, está completando quatro anos, assim como a crise econômica. Por isso, já nasceu preparado, com um menu de almoço a € 49 de terça a sexta.

Sardinha com alcaparras do Riff, em Valência, Espanha

Sardinha com alcaparras do Riff, em Valência – Foto: Divulgação

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Não muito longe de Barcelona, em Valência, o premiado Riff (Calle del Conde de Altea, 18, 34-96/333-5353, restauranteriff.com; 3ª/sáb 13h30/15h30 e 20h30/23h; Cc: A, M, V), do alemão Bernd H. Knöller, lançou um “menu express” diurno, com sete tapas, por € 30 (€ 55 mais barato que sua versão topo de linha). Talvez Knöller esteja assustado com o fechamento de concorrentes pesos-pesados, como os já citados Ca’Sento e Arrop. Ao menos Camarena, do Arrop, não deve engrossar por muito tempo o contingente de desempregados da Espanha (25% de toda a força de trabalho): a partir de setembro, assume a cozinha do Ramsés, de Madri.

Viva las rebajas!

No quesito liquidação, as rebajas das lojas espanholas são famosas mundialmente – a rede de lojas de departamentos El Corte Inglés chega a ter filas na porta. Se antes os descontos começavam em 20% e aumentavam gradualmente até bater nos 70% (quando restavam poucas peças), agora as lojas atacam com a metade do preço já nos primeiros dias, colocando na fogueira até mesmo peças de outras coleções. Um exemplo: no mês de julho, na primeira semana da liquidação de verão, magníficas jaquetas de couro eram vendidas na Mango (mango.com) de Barcelona por € 150 (o preço original era de € 320). Achados do tipo não se restringem aos períodos oficiais de queima de estoque (julho e agosto para o verão e janeiro e fevereiro para o inverno). Cada vez mais as lojas têm reservado uma farta quantidade de araras para peças em promoção, com abatimentos que chegam a 50%.

As vitrines sempre tentadoras da Mango, em Barcelona, Espanha

As vitrines sempre tentadoras da Mango, em Barcelona – Foto: Renata Giorgi

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Barganhas nos hotéis

Na hotelaria espanhola, a novidade é o boom de hotéis butique low-cost, que ganhou força com a recessão dos últimos anos. Um dos pioneiros, o grupo Room Mate (room-matehotels.com) começou timidamente com um hotel em Madri e hoje conta com dez endereços na Espanha. As diárias em seus quartos moderninhos costumam variar entre € 80 e € 100, com excelente café da manhã. Para reservas com mais de um mês de antecedência há desconto de 10%. Outro exemplo é a Chic & Basic (chicandbasic.com), que tem unidades em Barcelona e Madri. Com diárias desde € 60, a rede oferece 20% de desconto para as tarifas madrilenhas em agosto. Outras ofertas em hotéis, restaurantes e compras podem ser garimpadas pelo ótimo site atrapalo.com.

Para se divertir na Espanha não é preciso nem economizar. Algumas das melhores exposições de Madri e Barcelona acontecem em fundações com entrada fanca. Em Barcelona, o CaixaForum (Avinguda Marques de Comillas, 6-8, 34-93/476-8600, obrasocial.lacaixa.es; 2ª/6ª 10h/20h, sáb/dom 10h/21h) tem exposição, shows, espetáculos de dança e outros eventos – tudo grátis. O centro cultural está ao lado da Arena Olímpica e das “fontes mágicas” do Montjüic, palco do tradicional show de luzes e águas dançantes (Plaça de Espanya; 5ª/dom 21h/23h30), também na faixa.

Em Madri, o CaixaForum (Paseo del Prado, 36, 34-91/330-7300, obrasocial.la caixa.es; 10h/20h) chama atenção logo de cara pelo Jardim Vertical, obra de Patrick Blanc, botânico fancês conhecido por intervenções de natural art pelo mundo. Durante o mês de agosto, estão em cartaz exposições do pintor britânico William Blake e também do ilustrador italiano Giovanni-Battista Piranesi. A cidade tem outros dois espaços artísticos badalados que não cobram pelo acesso, a Casa Encendida (Ronda Valencia, 2, 34-902/430-322, lacasaencendida.es; 10h/22h) e o Matadero Madrid (Paseo de la Chopera, 14, 34-91/517-7309, mataderomadrid.com; 2ª/6ª 16h/22h, sáb/dom 11h/22h).

Nos principais museus do país também há alguns truques para poupar uns euros. Na capital espanhola, o Museo Nacional del Prado (Paseo del Prado, 34-91/330-2800, museodelprado.es; 2ª/ sáb 10h/20h, dom 10h/19h; € 12; Cc: todos), bem como o Centro de Arte Reina Sofía (Calle de Santa Isabel, 52, 91/774-1000, museoreinasofia.es; 2ª e 4ª/sáb 10h/21h, dom 10h/14h30; € 6; Cc: M, V), não cobra o ingresso de quem entrar faltando duas horas para o fechamento. Já no Thyssen-Bornemisza (Paseo del Prado, 8, 34/902-760-511, museothyssen.org; 3ª/dom 10h/19h; € 9; Cc: todos), há sempre exposições temporárias abertas ao público. Em Barcelona, todos os museus municipais (Museu Picasso, Museu d’Historiade Barcelona, Museu Frederic Marès, entre outros) têm acesso livre nos primeiros domingos do mês, sem depender do que possa acontecer na bolsa de valores ou nas salas de reuniões do Palacio de la Moncloa.

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