Inspirando as pessoas a cuidar do planeta desde 1888 | Saiba mais »

GALERIA 05/08/2013

Fotógrafo italiano documenta moradores das fronteiras do Brasil

Projeto apresenta regiões fronteiriças como símbolos da união entre diferentes povos, em tese separados pela cultura e idiomas

por Melissa de Miranda

Ao cruzar fronteiras ao redor do mundo, o fotógrafo Giulio Paletta descobriu nesses territórios duais um fascínio. “São lugares mágicos, com uma energia estranha”, explica. Paletta passou a observar que o cotidiano de quem vive entre dois países desafia a delimitação territorial e, principalmente, as barreiras culturais. “São regiões de divisão, claro, mas também de uma forte união”, diz.

O italiano, atual morador da cidade de São Paulo, decidiu ver então o Brasil sob uma nova perspectiva – e assim nasceu o projeto. Desde março deste ano, já visitou quatro fronteiras nos estados de Roraima, Rondônia, Paraná e Amazonas. E pretende fotografar outros dez locais até o fim de 2013. A expectativa de Paletta é que o resultado seja publicado, exposto e sirva para mudar a percepção popular de que fronteiras são “linhas que separam países e pessoas”.

“Os moradores dessas áreas são amigos. São pessoas que trabalham juntas, moram juntas, namoram, casam, divorciam, vivem de um lado pro outro”, diz ele. Em uma de suas fotos, caminhando pelas ruas de Lethem, cidade da Guiana na fronteira com Roraima, o fotógrafo encontrou a essência do projeto em uma única cena. Três garotos que falavam inglês jogavam bola com dois brasileiros, no lado oposto da rua. As duas pessoas falando português eram donos de uma pequena fábrica de pneus em Lethem e os três jovens, guianeses, trabalhadores desta fábrica. “De um lado o Brasil, do outro a Guiana, uma pequena rua de cimento e terra entre eles. Jogando bola, rindo. E o que mais cria união entre pessoas do Brasil com o mundo, senão o futebol?”, brinca.

Parte do trabalho de Paletta como fotógrafo documental tem foco nos direitos humanos e em religião – o italiano registrou, recentemente, a perseguição de católicos em países do Oriente Médio, onde constituem um grupo minoritário. Pare ele, tais temas já começam a despontar também nas fronteiras brasileiras. “Entre Brasiléia e Cobija, na divisa do Acre com a Bolívia, imigrantes haitianos enfrentam problemas”, revela. “Há também muitos africanos e asiáticos que são parados ou presos na fronteira com o Brasil, sem poder sair da cidade de Brasiléia”.

Confira os primeiros cliques do projeto na galeria exclusiva de National Geographic Brasil!

Comente