Caçador de raios
A tempestade à frente é o alvo de Tim Samaras, que dirige um reboque com a câmera fotográfica mais rápida do mundo. Quer captar o instante em que nasce a descarga elétrica
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Samaras prepara a câmera Kahuna - Caçador de raios - Edição 149
Carsten Peter
Enquanto espera pelo avanço de uma tempestade que se forma na região de Front Range, no estado do Colorado, Samaras prepara a supercâmera de 725 quilos que batizou de “Kahuna”
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Samaras persegue umaimagem dos raios, com Kahuna no reboque - Caçador de raios - Edição 149
Carsten Peter
De volta à estrada com a Kahuna no reboque, Samaras persegue uma imagem esquiva. Neste verão, ele retoma a busca, agora com novo equipamento, mais flexível
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Samaras tenta alcançar uma tempestade - Caçador de raios - Edição 149
Carsten Peter
Orientando-se pelo mapa climático na tela do notebook, Samaras corre para alcançar uma tempestade que começa a perder força. Ele quer ser o primeiro a fotografar o instante infinitesimal em que nasce um raio
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Samaras e um arco-íris, que representa o fim da tempestade - Caçador de raios - Edição 149
Carsten Peter
Um arco-íris sinaliza o término de outra aventura. “Quando ele está no céu, é porque a tempestade se foi. Fim de jogo”, reconhece Samaras
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Samaras prepara a câmera Kahuna com uma mira laser - Caçador de raios - Edição 149
Carsten Peter
Samaras mira uma tempestade com o laser, e espera para disparar a Kahuna. Imensa e pesada, a câmera nunca é reposicionada facilmente, e o obriga a visar tempestades estacionárias que produzem descargas frequentes
Ainda bem que há um sonorizador na curva, pois Tim Samaras mal consegue manter o olho na estrada. É verão, e ele está ao volante de uma enorme caminhonete GM preta, modelo Denali, toda coberta de marcas de granizo, puxando um reboque de 5 metros, atulhado de câmeras fotográficas e outros dispositivos eletrônicos. Um notebook está aberto em um suporte no painel da cabine, à direita do motorista, e, com uma das mãos no volante e a outra no trackball, Samaras explora um mapa climático, gerado por radar, da região de Panhandle, no extremo oeste do estado americano de Oklahoma. Manchas coloridas – avermelhadas no centro e rodeadas de tons de laranja, amarelo, verde e azul, como uma gota de óleo na água – revelam que uma tempestade está se formando com rapidez a nordeste de Boise City.
“Ela já produziu uns relâmpagos bem dramáticos”, diz, notando as cruzinhas amarelas que pipocam no radar. Samaras torna a espiar a tela, mas agora se concentra na janela do GPS, que mostra a nossa posição. Então ouvimos o ruído dos pneus no sonorizador, e ele, com calma, leva o laboratório móvel de volta ao meio da pista.
Com insetos se estatelando no para-brisa todo rendilhado de riscos – também causados por granizo –, cruzamos Boise City no encalço da tempestade, seguindo para leste rumo a Guymon. Diante de nós, as nuvens brotam feito cogumelos, o sinal típico de correntes ascendentes úmidas e quentes que separam as gotículas de água e as partículas de gelo negativamente carregadas das positivas (ninguém sabe bem como isso ocorre), criando diferenças de potencial elétrico de milhões de volts – como essa trovoada que acabou de explodir no céu acima de nós.
“Viu esta última descarga?”, exclama Samaras. Em seguida, vêm outra e mais outra. Ele está com os óculos pendurados na boca e os coloca para dar nova olhada no radar, tirando-os em seguida para cuidar da estrada. “Viu como a tempestade está ancorada bem ali? É isso o que queremos.”
Os relâmpagos agora se sucedem com intervalos de poucos segundos, e a caminhonete avança o tempo todo sobre a faixa do sonorizador. Mas, assim que tenta achar um lugar para estacionar, a mancha na tela do radar começa a minguar. Samaras pisa fundo no acelerador e, quando nos aproximamos de Guymon, 95 quilômetros adiante, o sol aparece e um arco-íris começa a formar-se no céu. “Sempre que surge um arco-íris, acaba a brincadeira”, diz ele. “Já era.” Às 6 da tarde, porém, seu dia está apenas começando. O radar mostra outra mancha surgindo no sul de Kansas, a 130 quilômetros dali.
Nessa região dos Estados Unidos, o fim de verão é a temporada das tempestades elétricas, e, desde 2006, Samaras vem tentando o impossível: captar a imagem de um raio no exato momento em que surge. Em condições normais, o processo começa com um zigue-zague descendente de eletricidade com carga negativa – o chamado “líder escalonado” –, que abre caminho entre a nuvem e o solo. Ao aproximar-se dele, cargas positivas ramificadas elevam-se da terra. No instante em que as duas se encontram, uma ofuscante descarga elétrica – cerca de 30 mil amperes movendo-se a um terço da velocidade da luz – irrompe na direção do céu, formando o canal do relâmpago. A explosão luminosa da “descarga de retorno” é o que vemos a olho nu, e muitas vezes nos parece ter um movimento descendente. Do princípio ao fim, todo o processo não dura mais que 200 milissegundos.
No reboque de Samaras estão acondicionadas duas Phantom, câmeras fotográficas de alta velocidade, com capacidade para disparar 10 mil quadros por segundo. Foram elas que lhe permitiram realizar assombrosos vídeos em câmara lenta, tornando visível a trajetória dos líderes escalonados descendentes e, algumas vezes, as correntes elétricas ascendentes. Porém, assim que as duas correntes de carga oposta se encontram – desencadeando um evento conhecido como “processo de conexão” –, o clarão da descarga de retorno ofusca o sensor da câmera, obliterando os detalhes. Para os cientistas, seria ótimo poder espiar atrás da cortina e observar o evento enquanto ele se desenrola, com a descarga de retorno subindo como um foguete do solo.
