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História da National Geographic 02/12/2011

As cores do mundo

(1921 - 1956)

por Mark Jenkins/Priit Vesilind Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL

“Poucos são os homens que durante a vida chegam perto de exaurir os recursos que têm dentro de si. Existem poços profundos de força que nunca chegam a ser usados.” - Richard Byrd

 

Nas primeiras décadas do século 20, as pessoas se deslocavam para todos os cantos do mundo em carros, aviões, navios e bicicletas. Exploradores e aventureiros ganhavam a primeira página dos jornais e eram recebidos na volta a seu país com desfiles e homenagens. Assim como os jogadores de beisebol nos EUA, Robert E. Peary e Ernest Shackleton apareceram em séries de figurinhas. Charles Lindbergh e Amelia Earhart suscitavam ovações em todos os lugares que visitavam.

Na década de 1920 nos EUA, 65% dos americanos continuavam vivendo em áreas rurais, e NATIONAL GEOGRAPHIC fornecia a seus membros uma janela muito importante para o mundo. Assim que novos processos fotográficos permitiram – e muito antes de qualquer outra revista –, Gilbert Grosvenor colocou cor em suas páginas. Seu intuito era permitir que os leitores vissem as coisas como eram de fato. O mundo, afinal de contas, é colorido, não preto e branco.

Em 1910, a revista publicou 24 páginas de fotos da Coreia e do Japão, feitas por um cavalheiro abastado e bem viajado chamado William Wisner Chapin. Um artista japonês usou tinta para colorir as imagens em tons delicados. Outras fotos colorizadas se seguiram a essas. Ao mesmo tempo, químicos no mundo inteiro batalhavam para desenvolver a fotografia com cores verdadeiras. Em 1907, os irmãos Lumière, na França, inventaram o primeiro processo comercial em cor, usando grãos tingidos de amido de batata sobre uma placa de vidro. Chamaram o processo de autocromo. A primeira fotografia em cores naturais a aparecer na revista foi um autocromo publicado em julho de 1914. Mas os autocromos eram caros e difíceis de ser encontrados. Os fotógrafos precisavam viajar com equipamento tão volumoso e substâncias químicas tão voláteis que cada fotografia dava quase tanto trabalho quanto uma pintura a óleo. Em 1915, a NGS contratou Franklin Fisher, que instalou grãos tingidos de amido de batata sobre uma placa de vidro. Chamaram o processo de autocromo. A primeira fotografia em cores naturais a aparecer na revista foi um autocromo publicado em julho de 1914.

Mas os autocromos eram caros e difíceis de ser encontrados. Os fotógrafos precisavam viajar com equipamento tão volumoso e substâncias químicas tão voláteis que cada fotografia dava quase tanto trabalho quanto uma pintura a óleo. Em 1915, a NGS contratou Franklin Fisher, que instalou o primeiro laboratório fotográfico em cores no setor editorial americano e recrutou uma equipe de técnicos-artistas que passou a mostrar o mundo em fotografias coloridas de maneira sistemática pela primeira vez em uma revista. Os fotógrafos de NATIONAL GEOGRAPHIC processavam suas placas de autocromo em campo e as enviavam em caixotes acolchoados a bordo de navios a vapor para os Estados Unidos.

Em 1924, Fisher recebeu seu assistente administrativo – Melville Bell Grosvenor, filho do chefe, que acabara de voltar de um ano de serviço nas forças de paz da Marinha. Nos quatro anos seguintes, Fisher e o jovem Mel escolheram todas as imagens publicadas na revista. Naquela época, até mesmo pautas banais se transformavam em parte da história da fotografia. Os registros da NGS estão cheios de “primeiros”: “as primeiras fotografias em cores naturais da vida no Ártico”, “as primeiras fotografias aéreas em cores naturais” e as “fotografias em cores naturais da coroação do imperador etíope Haile Selassie”.

Um “primeiro” se destaca como conquista pioneira. Em uma enseada em Dry Tortugas, na Flórida, Charles Martin, chefe do laboratório fotográfico da NGS, e o ictiologista W.H. Longley fizeram as primeiras fotografias subaquáticas coloridas. Martin construiu um mecanismo de lash a pó de magnésio sincronizado a uma câmera submersa em um invólucro de latão. Longley fotografava usando um escafandro ligado a um compressor em um bote a remo. Na superfície, Martin cuidava de um enorme refletor e de uma quantidade de pó de magnésio suficiente para mandar tudo para os ares. As explosões eram violentas e Longley sofreu sérias queimaduras. As fotos foram publicadas em janeiro de 1927.

Em 1926, o número de membros da NGS ultrapassou 1 milhão, e a revista despachou “expedições fotográficas” para o Caribe e a América Latina, para a Europa e os Bálcãs e para a Ásia. Redatores e fotógrafos profissionais tornaram-se exploradores; a documentação apurada transformou-se na ciência da expedição.