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História da National Geographic 08/09/2011

A vida no planeta

(1970 - 1987)

por Mark Jenkins/Priit Vesilind

“Quando percebemos o valor de todo o tipo de vida, pensamos menos no que já passou e nos concentramos mais na preservação do futuro.” - Dian Fos sey

 

No início da década de 1970, a NGS estava determinada a trilhar o mesmo caminho dinâmico e multifacetado que se propôs. Seu círculo de redatores, fotógrafos, cientistas e exploradores, que não parava de crescer, continuava saindo a campo para voltar com descobertas, fotografias fantásticas e reportagens emocionantes. A revista, os mapas, os livros, as palestras e os programas de televisão já alcançavam milhões de pessoas.

No entanto, as páginas da revista exibiam novo visual. Os fotógrafos eram aclamados por seu trabalho, mas, ao lado das fotos de animais selvagens e de roupas folclóricas coloridas, havia imagens de pessoas que passavam fome e que lutavam para viver, e de poluição. “Era um jogo diferente para nós”, ressalta o fotógrafo James Blair. “Em vez de procurar paisagens bonitas, tínhamos de encontrar coisas pavorosas.”

O artigo “A poluição ameaça o único lar da humanidade” foi o marco da mudança editorial. A foto memorável de Blair da água rançosa e dos moinhos enferrujados do rio Cuyahoga, em Cleveland, tão cheia de petróleo que acabou pegando fogo, em 1969, foi publicada na edição de dezembro de 1970. A revista continuou tratando de assuntos relacionados à história natural, como pássaros e os artigos de Paul Zahl, naturalista da equipe, que levou a família numa jornada em busca de curiosidades. Mas, no fim da década de 1960, uma nova e poderosa força tomou a consciência americana: o movimento ambiental.

A revista adotou essa nova perspectiva. Nas duas décadas seguintes, seus artigos, que antes retratavam excursões de caça e coleta de espécimes na África e na Ásia, passaram a dar atenção aos problemas de sobrevivência dos elefantes, dos ursos pandas, dos rinocerontes e das baleias. Documentou o estrago causado pela poluição e discutiu assuntos como pesticidas, energia nuclear e chuva ácida. Sempre com imparcialidade, apresentou questões tecnológicas e ecológicas complexas. A revista continuava exibindo o mundo a seus leitores, mas sob um novo ângulo.

Afinal de contas, tratava-se de outra realidade, adequada à nova geração que ia conquistando espaço na NGS. Em 1970, outro integrante da família Grosvenor ganhou destaque quando Gilbert, ilho de Melville, tornou-se editor da revista. Incomodado com as críticas de que as páginas apresentavam um mundo perfeito demais, Gil Grosvenor reavaliou as regras de seu avô – segundo as quais deve- riam conter apenas “natureza agradável” e “nada de partidário nem de controverso”. Determinou que a NGS enfocaria o mundo, mas também “seria um espelho de sua época, refletindo as mudanças pelas quais passamos”.

Assim, conflitos na África, no Oriente Médio e na América Central logo chegaram à revista. Quando as tensões da Guerra Fria começaram a amainar, repórteres e fotógrafos saíram para explorar a China, a Coreia do Norte, Cuba e a União Soviética – baluartes do comunismo descartados por editores anteriores. Artigos que descreveram a pobreza no Harlem e o apartheid, na África do Sul, fizeram muita gente franzir a testa. Alguns achavam que reportagens controversas e a nova ênfase dada a questões ambientais eram o fim do jornalismo imparcial. Mas Grosvenor respondeu aos céticos ao insistir que “não é a revista que está mudando, é o mundo que está em transformação”.

Nesse meio-tempo, outras ramificações da NGS também davam frutos em novas direções, como a edição de material educacional e de livros. Os mapas passaram a conter informações culturais e históricas para ampliar seu alcance. E, em 1975, a NGS lançou a revista World, para crianças entre 8 e 14 anos, que logo chegaria a 1,3 milhão de jovens leitores. Em campo, os cientistas que recebiam financiamento da NGS também buscavam compreender esse mundo em mutação. Os biólogos, além de estudar os animais, prestavam atenção a seu hábitat, cada vez mais restrito. George Schaller foi às montanhas do sul da Ásia para pesquisar carneiros e cabras selvagens, além do raro leopardo-das-neves. Eugenie Clark, a “Senhora dos Tubarões”, mudou nosso conhecimento dessas criaturas fascinantes. Ela costumava desprezar as jaulas de aço e nadava livremente entre eles. E Roger Payne estudou a baleia-jubarte. Uma gravação de suas “canções melancólicas” foi encartada na edição de janeiro de 1979.