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História da National 02/12/2011

A National Geographic chega ao Brasil 

(2000 - presente)

por Mark Jenkins/Priit Vesilind Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL

“Temos de respeitar a maneira de viver desses índios, ficar fora de sua vida. Ao proteger os isolados, estamos protegendo também milhões de hectares de biodiversidade.” - Sydney Possuelo

 

E m maio de 2000, foi lançado nas bancas de todo o país o primeiro número em língua portuguesa da já centenária revista NATIONAL GEOGRAPHIC (acima). Era a décima edição em língua “local”, ou seja, em um idioma que não fosse o inglês original. Atual- mente, são 33 edições em 31 idiomas.

A ideia de publicar a revista no Brasil, no entanto, era antiga. Já na década de 1970 o hoje presidente do Conselho de Administração da Editora Abril, Roberto Civita, viajou até a sede da National Geographic Society, em Washington, com a intenção de negociar os direitos de publicação da revista no país. Como conta o próprio Civita, a resposta foi negativa.

“Disseram que um grupo de alemães havia feito proposta semelhante poucas semanas antes, mas os editores americanos não confiavam na qualidade de impressão naquele país. Pensei: se não confiam na impressão alemã [mundialmente festejada], convencê-los a publicar no Brasil vai ser difícil.”

Não era o momento. Ele viria com a crescente globalização e as melhorias na área de comunicação a partir dos anos 1990. A internet permitiria que NATIONAL GEOGRAPHIC saísse simultaneamente onde quer que fosse publicada, em qualquer idioma. No Brasil, foi lançada pelo mesmo Roberto Civita, por meio da Editora Abril.

Nos primeiros anos no Brasil, o desafio maior era fazer com que uma revista em tradução fosse ao mesmo tempo prazerosa de ler e rigorosa com os termos científicos. As versões para o português eram avaliadas por especialistas brasileiros e professores universitários dos Estados Unidos, sem falar dos profissionais da Editora Abril. Era uma operação trabalhosa. Cada tradução passava por cinco, às vezes seis editores. Os tradutores eram, e ainda são, os melhores profissionais do mercado.

Outro desafio, de início, era manter a rara qualidade gráfica da publicação. NATIONAL GEOGRAPHIC é movida a fotografia. Reproduzir o esplendor original de suas imagens requer técnicas específicas na hora da impressão (uma camada mais densa de tinta preta, por exemplo). Em 2000, só existia uma gráfica na América do Sul aprovada pela NGS para a impressão da revista, em Santiago do Chile. Todo mês os profissionais da Abril voavam para lá para acompanhar a impressão. Caminhões traziam 100 mil revistas impressas através dos Andes para distribuição no Brasil. Os veículos, às vezes, ficavam presos na neve da cordilheira.

Essa não era uma situação sustentável. Em 2002, a Gráfica Abril solicitou certificação da National Geographic Society para a impressão da revista. Depois de um curso intensivo de dez dias, foi aprovada, e os profissionais da empresa passaram a imprimi-la na cidade de São Paulo. Já em 2003, NATIONAL GEOGRAPHIC americana concedeu o prêmio de edição mais bem impressa no mundo à Gráfica Abril, levando o título dos alemães, vitoriosos no ano anterior.