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História da National Geographic 02/12/2011

Convite à exploração

(1888 - 1890)

por Mark Jenkins/Priit Vesilind Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL

“Os membros da nossa Sociedade não estarão restritos a geógrafos, mas incluirão pessoas que, como eu, desejam promover pesquisas conduzidas por outrem, e servirá para difundir o conhecimento […] de modo que todos nós possamos entender melhor o mundo em que vivemos.” - Gardiner Greene Hubbard

 

Do topo do monte Everest às profundezas do oceano, do mundo pelas lentes de um microscópio às estrelas nas galáxias mais distantes, a National Geographic Society documenta “o mundo e tudo o que existe nele” há mais de 120 anos. Dezenas de milhões de membros assinantes recorrem às revistas, aos livros, ao canal de TV, aos produtos educacionais e ao site da National Geographic Society para aumentar seu conhecimento sobre a terra, o mar e o céu e para se surpreender e se admirar. A semente desse alcance global foi plantada na capital dos Estados Unidos, Washington, DC, em 13 de janeiro de 1888. Um grupo de 33 dos principais cientistas e intelectuais da cidade reuniu-se no Cosmos Club naquela noite fria para discutir “a viabilidade de organização de uma sociedade para o crescimento e a difusão do conhecimento geográfico”.

Eram homens apaixonados pelo tema, com profissões bem variadas: geólogos, geógrafos, meteorologistas, cartógrafos, banqueiros, advogados, naturalistas e integrantes das Forças Armadas. O que tinham em comum era o desejo de promover o estudo científico e disponibilizar os resultados para o público. Muitos estavam na casa dos 20 e dos 30 anos, e seguiam carreiras que os levavam a lugares muito distantes, em todos os sentidos, do Cosmos Club, com seu pé-direito alto. Iam a tudo que é lugar em nome da ciência, mas sempre retornavam a Washington no outono (a partir de outubro, no hemisfério Norte), deixando seus postos de pesquisa nos desertos do oeste, nas florestas do Alasca ou no meio do oceano. Washington sediava muitas das instalações de instituições preeminentes de ciências e pesquisa da época nos EUA, entre elas a Pesquisa Geológica, a Pesquisa Costeira e Geodinâmica, o Gabinete Hidrográfico da Marinha e o Instituto Smithsonian. Nesses lugares, analisavam os dados obtidos e buscavam financiamento para mais uma temporada em campo. Eles transformavam a Washington de inverno em uma cidade vibrante de tanta atividade intelectual.

Os fundadores da National Geographic Society com certeza personificavam o espírito de aventura e descoberta que passou a ser associado à organização. Entre seus membros estavam John Wesley Powell, famoso pela exploração pioneira do Grand Canyon, e Adolphus W. Greely, oficial-chefe de comunicações do Exército dos EUA e explorador polar. Em 1882, durante uma expedição à baía de Lady Franklin, no Canadá, um integrante da expedição de Greely chegou ao ponto “mais setentrional” na corrida para alcançar o polo Norte. A expedição terminou em tragédia: apenas seis dos 25 homens sobreviveram às árduas provações da jornada e o próprio Greely teria morrido em poucas horas se não tivesse sido resgatado. Grove Karl Gilbert, o principal geólogo da nação, também estava no Cosmos Club, assim como Henry Gannett, cartógrafo renomado. George Kennan, explorador russo, tinha passado anos vivendo na Sibéria e escrevera um livro sobre a experiência. Kennan foi o único representante de uma profissão – a de jornalista – que era considerada pela maior parte dos outros participantes como de pouca relevância para o futuro da organização.

Duas semanas depois do primeiro encontro no Cosmos Club, os fundadores elegeram o advogado e financista Gardiner Greene Hubbard como primeiro presidente da incipiente sociedade. Apesar de ele próprio não ser cientista, Hubbard tinha interesse aguçado pelo tema e era patrocinador dedicado da pesquisa cientíica; seus incentivos mais notáveis foram o financiamento e a promoção dos experimentos de seu genro, Alexander Graham Bell, professor de surdos que inventara o telefone, em 1875.

Em seu discurso de apresentação, Hubbard deu ênfase no fato de não ter estudado ciência, e declarou: “Com a minha eleição, notifica-se ao público que os membros de nossa Sociedade não estarão restritos a geógrafos, mas incluirão aquele grande número de pessoas que, como eu, deseja promover pesquisas conduzidas por outrem, e servirá para difundir o conhecimento entre os homens, de modo que todos nós possamos entender melhor o mundo em que vivemos”.

Enquanto a NGS estabelecia metas tão elevadas, os Estados Unidos estavam prestes a inaugurar uma era de grandes inovações e descobertas. Em 1888, Thomas Edison inventou o cinematógrafo, protótipo para o cinema, e George Eastman aperfeiçoou a câmera em forma de caixa e o rolo de filme em preto e branco. Automóveis e aviões logo se transformariam em meios de transporte, e telégrafos e telefones estavam começando a modificar a maneira de as pessoas se comunicarem.

Boa parte do mundo não tinha sido explorada, e os cientistas estavam reunindo conhecimento em escala tremenda. O otimismo estava no ar, assim como a crença de que a ciência tinha o poder de corrigir muitos dos defeitos sociais e econômicos da sociedade que entrava na era moderna.A recém-formada National Geographic Society seria uma força nesse evangelismo científico. O que faria com que a NGS se destacasse seria sua capacidade duradoura de despertar o explorador que existe dentro de cada um de nós. Isso permitiu que a organização se transformasse no que é hoje: uma das maiores associações cientificas e educacionais do globo, que fornece uma janela para as maravilhas do mundo e influencia a vida de milhões de pessoas.