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História da National Geographic 02/12/2011

Do papel à televisão

(1957 - 1969)

por Mark Jenkins/Priit Vesilind Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL

Em 1963, a National Geographic Society chegou ao topo do mundo. Em 22 de maio, Barry Bishop, da equipe da revista, fincou a bandeira da instituição no topo do monte Everest. Bishop integrou a primeira equipe americana – e um dos primeiros grupos – a alcançar o pico da montanha mais alta do mundo, com 8 850 metros. Sua façanha coroou o 75º aniversário da NGS. Durante três quartos de século, a NGS não tinha parado de crescer; àquela altura, possuía mais de 3 milhões de membros. Foi a época perfeita para a NGS lançar seu primeiro atlas mundial, um sonho que de- morou sete anos para se realizar. Melville Grosvenor classificou-o como “a maior, a mais bonita e a mais ambiciosa contribuição para o conheci- mento geográfico”. Paralelamente, a ciência e a exploração se expandiam a passos largos. O presidente americano Kennedy prometera explorar as estrelas e apalpar as profundezas do oceano. Assim a NGS foi buscar novas maneiras de apresentar o mundo a seus leitores. Inovações fotográficas e nas técnicas de impressão permitiram que NATIONAL GEOGRAPHIC explodisse em cores. Seja qual fosse o assunto – a Riviera italiana, os povos tribais da Nova Guiné ou os beija-flores –, tudo era apresentado com diagramação dinâmica e inovadora. Melville Grosvenor triplicou a verba do departamento fotográfico e contratou uma equipe de fotógrafos e redatores cheios de novas ideias.

Mas não foi tudo. O programa de palestras da NGS, com filmes narrados, havia muito já se transformara em instituição de Washington. Mas Grosvenor viu no advento da TV em cores a plataforma perfeita para difundir esses filmes na nação como um todo. Em 10 de setembro de 1965, a NGS colocou no ar seu primeiro especial para televisão. Americanos no Everest causou impacto surpreendente, apresentando os maiores índices de audiência sobre qualquer trans- missão de documentário na época. Logo quatro especiais por ano ajudavam a elevar os padrões do formato e também atraíam grandes audiências. Em 1968, quando Amazônia foi ao ar, foi visto por 35 milhões de pessoas – o maior índice de audiência entre todos os programas de televisão em um período de duas semanas.

Diferentemente dos intrépidos exploradores, – os heróis do passado da NGS, os especiais de televisão A Senhorita Goodall e os Chimpanzés Selvagens, O Doutor Leakey e o Surgimento do Homem e O Mundo de Jacques Cousteau trouxeram novos ídolos, surgidos de ramos especializados da ciência, para dentro das salas de estar dos Estados Unidos.

Poucos foram capazes de capturar a imaginação popular como o francês Jacques-Yves Cousteau. Carismático e visionário, Cousteau foi cocriador do aqualung, o primeiro equipamento para respirar embaixo d’água com mobilidade, que inaugurou uma era da exploração dos mares. Mas ele era pouco conhecido fora da França até 1952, quando a NGS passou a financiar seus projetos. Trabalhando a bordo de seu famoso barco de pesquisa, o Calypso, Cousteau foi pioneiro de técnicas de filmagem subaquática junto com o inventor do flash estroboscópico, Harold Edgerton. Ele inventou um veículo de mergulho achatado e sem leme que era manobrado por alavancas, como um avião subaquático. Construiu uma série de moradias submarinas, chamada de Conshelf, para provar que os seres humanos eram capazes de viver e trabalhar durante longos períodos sob as ondas. No decorrer dos anos, conduziu os leitores de NATIONAL GEOGRAPHIC consigo em uma dúzia de artigos memoráveis sobre os mistérios dos oceanos que fizeram muito sucesso. E a popularidade do especial para televisão de 1966 da NGS acabou fazendo com que Cousteau desenvolvesse a própria série de TV, a qual duraria muito tempo.

O aqualung de Costeau continuou sendo determinante nas pesquisas submarinas. Permitiu ao arqueólogo George Bass, da Universidade AM do Texas, escavar destroços de um navio de 3,4 mil anos, descoberto nas proximidades da costa do sul da Turquia, que continha a coleção mais extensa de utensílios da Idade do Bronze já encontrada. Com apoio da NGS, Bass foi pioneiro na ciência da arqueologia subaquática e acabou contribuindo para a revista com diversos relatos a respeito de seu trabalho.

Em 1959, a NGS começou a patrocinar o trabalho de Louis e Mary Leakey na a garganta Olduvai, na Tanzânia, em busca das origens humanas. A descoberta dos vestígios fósseis de um hominídeo de 1,8 milhão de anos abriu novos e tremendos horizontes para a paleoantropologia. O casal recolheu fragmentos de ossos, ferramentas de pedra e partes de animais ex- tintos que apontavam a África como o provável berço da humanidade. Um assombro! Louis Leakey, com seu sorriso e cabelo grisalho desgrenhado, ficou conhecido de milhares de pessoas por causa dos artigos em NATIONAL GEOGRAPHIC e do especial de televisão da NGS em 1966.

Leakey acreditava que conseguiria compreender melhor os primeiros homens por meio do estudo dos grandes macacos. Assim, incentivou um trio de mulheres fascinantes e corajosas a dedicar a carreira aos primatas. Jane Goodall, jovem inglesa de fala mansa, praticamente vivia com os chimpanzés da Reserva Nacional de Caça de Gombe, na Tanzânia. Ela fez uma surpreendente descoberta: que os chimpanzés confeccionavam ferramentas simples para ajudá-los em seu dia a dia. A longa relação de Jane com a NGS rendeu vários artigos e especiais de TV. A clássica fotografia de um chimpanzé esticando a mão para pegar seu indicador se transformou em símbolo de nossa relação delicada com a natureza.

A segunda pesquisadora, Dian Fossey, partiu, em 1967, com uma bolsa da sociedade para estudar os gorilas-das-montanhas nas remotas florestas de Ruanda. Os três artigos que elaborou para a revista revolucionaram os conceitos sobre esses animais e revelaram que os gorilas não eram monstros ferozes, mas criaturas tímidas e gentis. O mundo lamentou profundamente quando Dian foi assassinada, em 1985, em sua cabana. Nesse ínterim, nas florestas tropicais de Bornéu, Biruté Galdikas estudava orangotangos desde 1971 – trabalho que a NGS financiou durante muito tempo.