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História da National Geographic 08/09/2011

O mundo e tudo o que existe nele

(1888 - 1920)

por Mark Jenkins/Priit Vesilind

“O mundo e tudo o que existe nele é o nosso tema; e, se não conseguirmos encontrar nada nele que interesse às pessoas comuns, é melhor fecharmos.” - Alexander Graham Bell

 

A primeira edição de NATIONAL GEOGRAPHIC, publicada em outubro de 1888, foi uma brochura científica de aparência modesta com capa austera de cor de terracota. O artigo era um relato acadêmico denso, escrito por W.J. McGee, sobre “A classificação das formas geográficas segundo a gênese”. Mas o volume também continha encartado um texto sobre a Grande Tempestade dos dias 11 a 14 de março, que abria com tabelas isotérmicas e meteorológicas e fechava com uma descrição envolvente sobre a sobrevivência do barco piloto Charles H. Marshall, de Nova York. Desde o início, a revista apresentou uma mistura interessante entre ciência e aventura.

Enquanto ainda não tinha nem funcionários remunerados nem sede oficial, a National Geographic Society fez lobby para estabelecer o Conselho dos EUA para Nomes Geográficos, que, em 1890, começou a desembaraçar a confusão de nomes das cidades americanas. A NGS também passou a oferecer medalhas de ouro para textos estudantis de destaque sobre geografia. E, na Feira Mundial de Chicago de 1893, a NGS patrocinou o primeiro encontro internacional de geógrafos, realizado nos EUA.

Na era que precedeu a televisão e o cinema, quando viajar ainda era um luxo reservado aos abastados, a NGS oferecia todo um mundo de aventuras a seus membros de Washington ao convidar exploradores e cientistas de renome para falar a respeito de seu trabalho. Em fevereiro de 1888, apenas um mês depois da fundação da NGS, o explorador John Wesley Powell abriu a série de palestras ao discursar sobre a geografia física dos Estados Unidos.

Com muita rapidez, a NGS começou a atrair exploradores ansiosos para contar suas histórias, incluindo Fridtjof Nansen, explorador ártico; Gifford Pinchot, fundador do Serviço Florestal dos EUA; e a alpinista Annie S. Peck, que falou sobre a escalada de picos nos Alpes e vulcões no México. Milhares de pessoas se reuniram para ouvir Roald Amundsen, que logo passaria a ser o primeiro homem a chegar ao polo Sul, discursar a respeito de sua navegação pela passagem Noroeste.

Boa parte do público nas palestras era de mulheres. Elas achavam as exposições iluminadoras e divertidas. Em 1889, NATIONAL GEOGRAPHIC publicou suas primeiras ilustrações coloridas – desenhos em pastel de cenas da Nicarágua – e também o primeiro mapa dobrável em cores,

que logo se transformaria em parte importante da revista. E, em 1890, a NGS, então com dois anos, patrocinou sua primeira expedição, em colaboração com a Pesquisa Geológica dos EUA, instituição que estuda a topografia do país.

Dez homens, liderados pelo geólogo Israel C. Russell, exploraram o monte St. Elias, o ponto mais alto na fronteira entre o Alasca e o Canadá. A expedição definiu o padrão para as pesquisas de campo seguintes da NGS e também determinou o tom das narrativas de aventura em primeira pessoa da revista. “A escuridão caiu e a chuva desabava em correntes, atravessando nossa barraquinha”, escreveu Russel. “Nós nos enrolamos nos cobertores, determinados a descansar, apesar da tempestade. As avalanches, já numerosas, tornaram-se mais frequentes. Um barulho alto nos avisava de que gelo e pedra deslizavam geleira abaixo.”

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