Jane - 50 anos em Gombe
50 anos de Jane Goodall entre os chimpanzés da Tanzânia: um dos mais belos estudos científicos já realizados
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Jane Goodall com chimpanzés - Fotos Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
Joel Sartore
Jane Goodall examina o comportamento dos chimpanzés bem próxima deles
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Chimpanzés caçando - Fotos Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
David Bygott
1971: Registro de chimpanzés com presas.
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Chimpanzé David Greybeard - Fotos Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
Hugo Van Lawick
1962: David Greybeard ganha banana.
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Pesquisadores dos Chimpanzés - Fotos Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
Michael Nichols, NGM Staff
1995: Jane e o pesquisador Hilali Matama
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Confiança dos Chimpanzés - Fotos Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
Hugo Van Lawick
Bananas ajudavam Jane a ganhar a confiança dos chimpanzés. David Greybeard, que comeu 50 bananas de uma vez, foi o primeiro de Gombe a perder o medo do contato - ele deixou que Jane lhe fizesse grooming (limpeza dos pelos, uma prática que entre os primatas tem significados sociais e afetivos). Como hoje sabemos que os chimpanzés não possuem imunidade contra certas doenças, os cientistas de Gombe mantêm distância mínima de 8 metros.
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Chimpanzés descendentes dos humanos - Fotos Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
Ingo Arndt, Minden Pictures
Em um memorando, Leakey, o mentor de Jane, deu a ela o crédito de uma descoberta que nos ajudou a redefinir o significado de ser humano: os chimpanzés fazem ferramentas. Três anos antes, Jane os observara "pescando" cupim com talos de planta. Este chimpanzé, fotografado em 2005, mostra uma concentração à altura da humana para obter sua refeição num cupinzeiro.
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Trinta-réis-miúdo - Fotos Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
Joel Sartore
Uma trinta-réis-miúdo fêmea cuida de seu ninho em uma mina ao longo do rio Platte, perto de Fremont, no Nebraska. O pássaro está na lista dos ameaçados de extinção nos EUA; muitas empresas mineradoras suspendem o trabalho durante o período de reprodução de pássaros raros. Esta área está reservada para se transformar em empreendimento mobiliário residencial nos próximos anos.
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Chimpanzé Passion - Fotos Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
Foto cedida pelo Jane Goodall Institute
Mãe dura e indiferente, o comportamento fora do comum de Passion teve repercussão violenta.
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Chimpanzé Melissa - Fotos Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
Foto Cedida pelo Jane Goodall Institute
Os laços fortes com os filhos ajudaram Melissa a manter sua posição social.
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Monitoramento de tristes-pia - Fotos Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
Joel Sartore
Pega em uma rede no rio Platte, no Nebraska, uma triste-pia fêmea vai ser marcada com um geolocalizador e solta. Quando o pássaro for recapturado, daqui a meses, dados do geolocalizador vão fornecer aos pesquisadores sua rota migratória.
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Pica-paus de cabeça vermelha - Fotos Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
Joel Sartore
O Spring Creek Prairie Audubon Center em Denton, Nebraska, é lar de pica-paus de cabeça vermelha, entre outros pássaros e animais
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Observação do chimpanzé Gremlin - Fotos Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
Robert O'Malley
2003: Observando Gremlin e família
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Caderno de Jane Goodall - Fotos de Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
Cortesia de Jane Goodall
Anotação de Jane em um caderno de campo de 1961.
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Chimpanzé Flo - Fotos Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
Foto cedida pelo Jane Goodall Institute
Flo era uma mãe atenta e brincalhona. Estima-se que tenha vivido 53 anos, uma das vidas mais longas registradas em Gombe.
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Brincando com os chimpanzés - Fotos Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
David Bygott
1971: Anne Shouldice brinca com Mustard.
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Chimpanzé Atlas - Fotos Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
David Bygott
1970: Lori Baldwin tira a caneta de Atlas.
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Jane Goodall - Fotos Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
Joel Sartore
Em 1960, uma jovem intrépida e sem educação científica montou acampamento para observar chimpanzés na Reserva de Caça Gombe Stream, na Tanganica, atual Tanzânia. Hoje o nome de Jane Goodall é sinônimo de conservação, e inspira um dos mais longos e pormenorizados estudos de uma espécie na natureza.
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Chimpanzés observados por Jane Goodall - Fotos Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
Hugo Van Lawick
Quem observa quem? Jane troca olhares com Fifi, um dos primeiros chimpanzés que estudou. A cerca impede que os primatas invadam o acampamento e espalhem as provisões. Fifi tornou-se a principal matriarca, com sete filhos vivos em um total de nove crias - a maior prole. Mas ela e sua cria mais nova sumiram em 2004, "um momento de imensa tristeza", diz Jane.
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Espelho dos Chimpanzés - Fotos Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
David Bygott
1970: Chimpanzés olham-se no espelho.
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Jane Goodall com a bandeira da National Geographic Society - Fotos Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
Hugo Van Lawick
1962: Jane com a bandeira da NGS.
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Chimpanzé Figan - Fotos Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
Caroline Van Zinnicq Bergmann
1974: Juma Mkukwe e Yassini Selemani com Figan.
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Edição 128 – 50 anos em Gombé - Verba para pesquisas sobre chimpanzés - Fotos Jane Goodall - Estudo do comportamento dos Chimpanzés
Emille Van Zinnicq Bergmann-Riss
1973: A concessão de verba para pesquisa faz Jane e colegas dançarem.
Na manhã de 14 de julho de 1960, ela chegou a uma praia pedregosa na costa leste do lago Tanganica. Foram seus primeiros passos na então chamada Reserva de Caça Gombe Stream, uma pequena área protegida que o governo colonial britânico havia demarcado nos idos de 1943. Trazia uma barraca, pratos de flandres, uma caneca sem asa, um binóculo tosco, um cozinheiro africano chamado Dominic, e - como acompanhante, por insistência de pessoas que temiam por sua segurança na selva da Tanganica pré-independente - sua mãe. Vinha estudar os chimpanzés. Ou pelo menos tentar. Quem não a conhecia bem apostava em seu fracasso. Mas uma pessoa, o paleontólogo Louis Leakey, que a recrutara para a tarefa em Nairóbi, acreditava que ela podia ter êxito.
Um grupo de moradores acampados na praia perto de redes de pesca recebeu os recém-chegados e os ajudou a descarregar o equipamento. Por volta das 5 da tarde, alguém anunciou ter visto um chimpanzé. "Lá fomos nós", escreveu Jane depois em seu diário. Foi só um vislumbre distante, vago. "Ele se afastou quando alcançamos o bando de pescadores que o fitava. Escalamos a encosta, mas não o vimos mais." Apesar disso, ela registrou um amontoado de ramos curvados e amassados numa árvore próxima: um ninho de chimpanzé. Esse dado, o primeiro ninho, foi o ponto de partida de uma saga, ainda em andamento e completando agora 50 anos, que viria a ser uma das mais importantes da biologia moderna: o contínuo e minucioso estudo do comportamento dos chimpanzés de Gombe, empreendido por Jane Goodall e outros.
A história da ciência registra alguns dos grandes momentos e detalhes icônicos dessa saga, fascinante como um conto de fada. A jovem senhorita Goodall não tinha credenciais científicas quando começou nem ao menos diploma universitário. Era uma brilhante e motivada inglesa, formada em secretariado, que sempre amara os animais e sonhava em estudá-los na África. Provinha de uma família de mulheres fortes, pouco dinheiro e homens ausentes. Suas primeiras semanas em Gombe foram atribuladas, tateando à procura de uma metodologia, perdendo tempo por causa de uma febre que provavelmente era malária, caminhando muitos quilômetros pela selva montanhosa e avistando poucos chimpanzés. Finalmente, um macho idoso, de barbicha grisalha, deu-lhe uma chance - fez um hesitante e surpreendente gesto de confiança. Jane batizou-o de David Greybeard (David, o Barba Grisalha). Em parte graças a ele, Jane fez três observações que abalaram as confortáveis certezas da antropologia física: chimpanzés comem carne (presumia-se que fossem vegetarianos), usam ferramentas (talos de planta para pescar cupim no ninho) e as fabricam (removendo as folhas do caule), sendo esta última uma característica supostamente única da premeditação humana. Foi um avanço enorme na pesquisa científica: cada uma dessas descobertas reduziu ainda mais a diferença percebida entre a inteligência e a cultura do Homo sapiens e do Pan troglodytes.
A observação sobre a confecção de ferramentas era a mais revolucionária das três e causou furor entre os antropólogos, pois uma definição quase canônica da nossa espécie era "homem, o fabricante de ferramentas". Louis Leakey vibrou com a notícia de Jane e escreveu a ela: "Agora vamos ter de redefinir ‘ferramenta’, redefinir ‘homem’ ou aceitar os chimpanzés como seres humanos". Essa frase memorável marcou uma nova fase, fundamental em nossa concepção, do que constitui a essência humana. Outro aspecto interessante a lembrar é que essas três descobertas mais celebradas, independentemente de trazerem mudanças de paradigmas, foram todas feitas por Jane durante seus quatro primeiros meses em campo. Ela decolou rápido.
Hugo Van Lawick
O mais extraordinário em Gombe, porém, não é o fato de Jane Goodall ter "redefinido" a espécie humana, e sim ter instituído um novo padrão, muito superior, ao estudo do comportamento de grandes primatas na natureza: a ênfase nas características individuais tanto quanto nas coletivas. Jane criou um programa de estudo, um conjunto de protocolos e princípios éticos, um foco intelectual - na prática, ela estabeleceu uma relação entre o mundo científico e uma comunidade de chimpanzés. O projeto Gombe ampliou-se em muitas dimensões, atravessou crises, evoluiu em função de objetivos que nem ela nem Louis Leakey haviam antevisto e por fim adotou métodos (mapeamento por satélite, endocrinologia, genética molecular) e abordou questões que nos levam muito além do campo do comportamento animal. Por exemplo: técnicas de análise molecular, aplicadas a amostras de fezes e urina que podem ser coletadas sem a necessidade de capturar e manusear os animais, trazem revelações sobre as relações genéticas entre os chimpanzés e a presença de germes patogênicos em alguns deles. Uma dilacerante ironia, contudo, ronda o coração desse triunfo da ciência em seu cinquentenário: quanto mais aprendemos sobre os chimpanzés de Gombe, mais razões temos para nos preocupar com sua sobrevivência.
Duas revelações nos últimos tempos, em especial, são inquietantes. Uma envolve a geografia; a outra, doenças. A mais querida e mais bem estudada população de chimpanzés do planeta está isolada em uma ilha de hábitat que é pequena demais para sua viabilidade no longo prazo. E, pior, agora parece que uma versão símia da aids está matando alguns dos primatas de Gombe.
A questão do método de estudo dos chimpanzés e do que se pode inferir das observações de seu comportamento absorve Jane desde o início da carreira. Começou a ganhar foco depois de sua primeira temporada em campo, quando Louis Leakey lhe anunciou sua próxima ideia brilhante: conseguir para Jane admissão em um programa de PhD em etologia na Universidade de Cambridge.
O doutorado parecia despropositado em dois sentidos. Primeiro, Jane não tinha diploma universitário. Segundo, ela sempre desejara ser naturalista ou talvez jornalista - jamais cientista. "Eu nem sabia o que era etologia", me disse Jane pouco tempo atrás. "Demorou até eu descobrir que significava simplesmente o estudo do comportamento." Aceita em Cambridge, ela viu-se em conflito com as certezas então prevalecentes em sua área de estudo. "Fiquei chocada quando me disseram que eu tinha feito tudo errado. Tudo." Jane já tinha 15 meses de dados de campo, a maior parte coletada à custa de paciente observação de indivíduos que ela conhecia pelos apelidos, como David Greybeard, Mike, Olly e Fifi. Essa personificação foi malvista em Cambridge; atribuir individualidade e emoção a animais não humanos era antropomorfismo, não etologia. "Lembrei-me de meu primeiro professor na infância, que me ensinou que isso não era verdade", conta ela. Seu primeiro professor fora seu cachorro, Rusty. "É impossível compartilhar a vida de modo significativo com qualquer tipo de animal dotado de cérebro razoavelmente bem desenvolvido e deixar de perceber que eles têm personalidade." Ela transgrediu a visão predominante - transgredir é uma característica de Jane - e, em 9 de fevereiro de 1966, tornou-se doutora Jane Goodall.
