Somos 7 bilhões de pessoas no mundo
A população mundial pode chegar à marca dos 9 bilhões até 2045. O planeta vai conseguir sustentar tanta gente?
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Edição 130 - População mundial: já somos 7 bilhões - Ruas de Calcutá lotadas
Randy Olson
<strong>Índia</strong> Com as ruas lotadas de vendedores, pedestres e táxis, Ambassador, Kolkata (Calcutá) pulsa com cerca de 16 milhões de habitantes - e todos os dias chega mais gente vinda de vilarejos rurais. Em 1975, apenas três cidades do mundo tinham mais de 10 milhões de moradores. Hoje existem 21 dessas megacidades, a maioria nos países em desenvolvimento, onde as áreas urbanas absorvem parcela cada vez maior da população mundial.
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Edição 130 - População mundial: já somos 7 bilhões - Imigrantes em Barcelona
Randy Olson
<strong>Espanha</strong> Os imigrantes, como estes indianos em uma comemoração sique em Barcelona, estão reanimando o estagnado crescimento demográfico na Europa. Ao decidir a quantidade de filhos, as mulheres jovens definirão o crescimento ou a estabilização da população global. Quanto mais escolarizada é uma mulher, menor a quantidade de filhos que ela provavelmente terá.
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Edição 130 - População mundial: já somos 7 bilhões - Subúrbio de Henderson - EUA
Yann Arthus-Bertrand, Altitude
<strong>Estados Unidos</strong> Em 2004, a cada 20 minutos era erguida uma nova casa durante o surto de construção civil que tomou conta de Las Vegas e seus subúrbios, como o de Henderson. O modo de vida americano - com carros pouco eficientes e casas enormes que dependem de muita eletricidade - contribui para o apetite energético do país, cuja emissão de carbo o é quatro vezes maior que a média mundial.
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Edição 130 - População mundial: já somos 7 bilhões - Recém-nascidos em Orlando - EUA
John Stammeyer
Estados UnidosUm grupo de recém-nascidos em 1º de setembro de 2010 descansa no Hospital Winnie Palmer, em Orlando, a segunda maternidade mais movimentada do país. Uma exceção entre os países industrializados, os Estados Unidos têm taxa de fecundidade relativamente alta, devido em parte à proporção de mães adolescentes e ao afluxo constante de imigrantes. Até 2050, a população do país deve superar os 400 milhões
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Edição 130 - População mundial: já somos 7 bilhões - Vista aérea de Londres
Jason Hawkes
Brilhando como fornalha à noite, Londres tornou-se a maior cidade do planeta durante a revolução industrial impusionada pelo carvão, ponto crucial no qual a população mundial passou a crescer aceleradamente. Os países desenvolvidos consomem bem mais recursos per capita que as nações pobres. À medida que aumenta a riqueza global, a ampliação do consumo pode sobrecarregar o planeta mais que o crescimento demográfico.
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Edição 130 - População mundial: já somos 7 bilhões - Recém-nascido em Moscou - Rússia
Randy Olson
<strong>Rússia</strong> Uma enfermeira no Centro de Planejamento Familiar e Reprodução em Moscou exibe um recém-nascido à família emocionada que espera do lado de fora. O governo também fica animadíssimo com nascimentos. A população da Rússia só faz diminuir e hoje conta com 142 milhões de habitantes, queda em relação ao auge de 148 milhões na década de 1990
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Edição 130 - População mundial: já somos 7 bilhões - Estdantes em Lira-Uganda
Randy Olson
<strong>Uganda</strong> Alunos, entre eles órfãos da guerra, formam um enorme grupo no início das aulas pela manhã em uma escola pública na cidade de Lira, no norte do país. Metade da população de 34 milhões de habitantes do país é formada por crianças com menos de 15 anos.
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Edição 130 - População mundial: já somos 7 bilhões -Robô ajudante no Japão
Randy Olson
<strong>Japão</strong> Um robô capaz de falar ajuda Nabeshima Akiko, de 69 anos, a fazer compras em teste realizado na Cidade da Ciência Keihanna, perto de Kyoto. Formando 23% da população japonesa, os 29 milhões de idosos superam os jovens, uma situação inusitada que levanta questões sobre quem - ou o que - vai cuidar dos velhos do país no futuro.
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Edição 130 - População mundial: já somos 7 bilhões - Refugiados da Guerra no Iraque em Istambul
Randy Olson
<strong>Turquia</strong> Sem se dar ao trabalho de desfazer as malas, uma família iraquiana deslocada pela guerra espera ordens para sair de instalações temporárias em Istambul e ir para uma "cidade satélite" designada para refugiados e pessoas em busca de asilo enquanto os representantes do governo avaliam seus pedidos de reassentamento. Muitos dos 11 milhões de refugiados e pessoas em busca de asilo no mundo - gente obrigada a sair de seu local de origem por causa de conflitos ou perseguições - vivem em um limbo similar, com frequência incapazes de obter situação legal em uma nova pátria.
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Edição 130 - População mundial: já somos 7 bilhões - Favela em Nairóbi, no Quênia
Foto de Dominic Nahr
<strong>Quênia</strong> Em uma favela de Nairóbi, Mary Wanza, mãe solteira que ganha 3 dólares por dia, prepara mingau para um grupo de dez crianças, que inclui filhos e netas dela. Wanza, de 41 anos, teve aos 15 o primeiro de seus sete filhos. A taxa de fecundidade segue alta na África subsaariana; no Quênia, diminuiu de oito para cinco filhos por mulher entre 1960 e 2000, mas desde então caiu apenas para 4,6 - a média global está em 2,5.
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Edição 130 - População mundial: já somos 7 bilhões - Procissão da Sexta-Feira da Paixão na Itália
Randy Olson
<strong>Itália</strong> Uma senhora de idade tem vista privilegiada para a procissão da Sexta-Feira da Paixão que passa na frente da casa dela em Orosei, na ilha da Sardenha. Em uma nação que envelhece, a população da Sardenha é especialmente idosa, com uma das maiores proporções de pessoas com idade acima dos 100 anos no mundo. Recentemente, o número de centenários na ilha chegou a 187.
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Edição 130 - População mundial: já somos 7 bilhões -Vilarejo Novotishevoye na Rússia
Randy Olson
RússiaO tráfego é leve na estrada que passa por uma igreja e um celeiro abandonados em Novotishevoye, um dos milhares de vilarejos russos cuja população vem se mudando para as cidades e tendo menos filhos. Para sustar o declínio na taxa de natalidade, o governo comprometeu-se a pagar 11 500 dólares às mulheres que tiverem um segundo filho
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Edição 130 - População mundial: já somos 7 bilhões - Agricultores na província de Yunnan, na China
Jim Richardson, National Geographic Stock
<strong>China</strong> Aproveitando todo centímetro fértil, agricultores plantam arroz nas encostas da província de Yunnan. Sementes melhoradas e fertilizantes abundantes permitem à China alimentar uma população de mais de 1 bilhão usando menos de um décimo das terras cultiváveis do planeta. A produção de alimentos para a crescente população mundial é viável, mas o desafio está em conseguir isso sem esgotar recursos finitos, em especial os hídricos.
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Edição 130 - População mundial: já somos 7 bilhões - Bambuzais na China
Fritz Hoffmann
<strong>China</strong> Recursos que podem ser restaurados, como o bambu da China, serão cruciais.
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Edição 130 - População mundial: já somos 7 bilhões - Favela de Caracas
Jonas Bendiksen, Magnum Photos
<strong>Venezuela</strong> Partilhando a vista da cidade com moradores de prédios, crianças divertem-se em uma favela de Caracas, cidade de 3 milhões de habitantes. Uma em cada sete pessoas vive hoje em condições precárias. Proporcionar a elas moradia e educação melhores é um dos grandes desafios de um mundo com 7 bilhões de habitantes e que não para de crescer.moradia e educação melhores é um dos grandes desafios de um mundo com 7 bilhões de habitantes e que não para de crescer.
Vídeo: Festa mundial
Acabou a fartura
Nossa boa terra
Petróleo verde
Lembre-se disto
Certo dia no outono de 1677 na cidade holandesa de Delft, Antoni van Leeuwenhoek, um mercador de tecidos que se supõe ter servido de modelo para dois quadros de Johannes Vermeer - O Astrônomo e O Geógrafo -, saiu da cama, interrompendo de repente o que estava fazendo com sua mulher, e correu para a mesa de trabalho. Os tecidos permitiam a Leeuwenhoek ganhar a vida, mas o que o fascinava mesmo era a microscopia.
Leeuwenhoek possuía uma lupa minúscula e poderosa, feita por ele mesmo. Na Real Sociedade de Londres, sábios ainda estavam tentando comprovar a alegação anterior de Leeuwenhoek, segundo o qual havia milhões de "animálculos" invisíveis em uma única gota d’água de um lago e até mesmo no vinho francês. Agora ele tinha algo mais constrangedor a relatar: o sêmen humano também estava repleto daqueles animálculos. "Às vezes mais de um milhar", escreveu, "em uma quantidade pequena de material como um grão de areia." O holandês observou seus próprios animálculos nadando de um lado para outro, impulsionados por sua longa cauda.
Depois disso, Leeuwenhoek ficou obcecado. Embora a lupa lhe proporcionasse acesso privilegiado a um universo infinitesimal jamais visto, ele dedicou um tempo descomunal a examinar os animálculos hoje conhecidos como espermatozoides. E, curiosamente, foi o líquido seminal que extraiu de um bacalhau que o inspirou, quase por acaso, a tentar calcular a quantidade máxima de pessoas que poderiam viver na Terra.
Ninguém na época tinha a menor ideia, pois os censos eram raros. Leeuwenhoek, então, partiu da estimativa de que cerca de 1 milhão de pessoas viviam na Holanda. Recorrendo a mapas e noções de geometria esférica, ele calculou que a área terrestre habitada do planeta era 13 385 vezes maior que a da Holanda. Era difícil imaginar o planeta todo mais densamente povoado que o próprio país, que na época já parecia bastante apinhado. Portanto, sua conclusão triunfante foi a de que a Terra não poderia abrigar mais que 13 385 bilhões de pessoas - número até que pequeno se comparado às 150 bilhões de células espermáticas presentes em um único bacalhau! Esses cálculos singelos e otimistas, segundo o biólogo Joel Cohen, no livro How Many People Can the Earth Support? ("Quantas pessoas a Terra pode sustentar?", não lançado no Brasil), foram a primeira tentativa de se dar uma resposta quantitativa a uma questão que se tornou hoje bem mais urgente do que era no século 17. No entanto, a maioria das respostas atuais está longe de ser otimista.

De acordo com as estimativas mais recentes dos historiadores, na época de Leeuwenhoek havia apenas cerca de meio bilhão de seres humanos no mundo. Após crescer bem devagar durante milênios, esse número estava começando a ganhar impulso. Um século e meio depois, quando outro cientista comunicou a descoberta dos óvulos humanos, a população mundial tinha dobrado e ultrapassado a marca de 1 bilhão. Um século depois disso, por volta de 1930, ela havia dobrado mais uma vez, agora para 2 bilhões. Desde então a aceleração do crescimento demográfico foi assombrosa. Antes do século 20, nenhum ser humano tinha vivido o suficiente para testemunhar uma duplicação da população mundial, mas hoje há pessoas que a viram triplicar. Em algum momento no fim de 2011, segundo a Divisão de População das Nações Unidas, seremos 7 bilhões de pessoas.
Embora seu ritmo esteja diminuindo, essa explosão demográfica está longe de terminar. As pessoas passaram a viver mais tempo e há tantas mulheres ao redor do mundo em idade de procriar - 1,8 bilhão - que a população global ainda vai continuar crescendo pelo menos durante algumas décadas, mesmo que cada mulher tenha menos filhos que na geração anterior. Até 2050, o total de seres humanos no planeta pode chegar a 10,5 bilhões ou então se estabilizar por volta dos 8 bilhões - a diferença é de cerca de um filho para cada mulher. Os demógrafos da ONU consideram mais provável a estimativa média: eles estão projetando uma população mundial de 9 bilhões antes de 2050 - em 2045. O resultado final dependerá das escolhas feitas pelo casal quando realizar o mais íntimo dos atos humanos - aquele que, em prol da ciência, Leeuwenhoek interrompeu com tanto descaso.
Com a população mundial a aumentar ao ritmo de cerca de 80 milhões de pessoas por ano, é difícil não ficar alarmado. Em toda a Terra, os lençóis freáticos estão cedendo, os solos ficando cada vez mais erodidos, as geleiras derretendo e os estoques de pescado prestes a ser esgotados. Quase 1 bilhão de pessoas passam fome todo o dia. Daqui a algumas décadas, haverá mais 2 bilhões de bocas a ser alimentadas, a maioria em países pobres. E bilhões de outras pessoas lutarão para sair da miséria. Se seguirem pelo caminho percorrido pelas nações desenvolvidas - desmatando florestas, queimando carvão e petróleo, usando fertilizantes e pesticidas com abundância -, vai ser enorme o impacto sobre os recursos naturais do planeta. Como podemos conciliar tudo isso?
Talvez seja reconfortante saber que há muito o crescimento demográfico é motivo de preocupação. Desde o início, diz o francês Hervé Le Bras, a demografia esteve impregnada de discussões apocalípticas. Alguns dos textos fundamentais da disciplina foram escritos por sir William Petty, um dos fundadores da Real Sociedade de Londres. Segundo Petty, a população mundial duplicaria seis vezes até o Juízo Final, que se esperava ocorreria daqui a 2 mil anos. Naquela altura, a população superaria os 20 bilhões - ultrapassando a capacidade de produção de alimentos do planeta. "E então, de acordo com a previsão das Escrituras, devem ocorrer guerras e grandes matanças", escreveu ele.
