Em busca do cão ideal
Como o homem alterou a evolução canina
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Cachorros: Pug e São Bernardo
Robert Clark
O pug Oakley (em primeiro plano) e o são-bernardo Little Dude são exemplos da rara diversidade morfológica da espécie. Se as pessoas fossem tão diferentes em altura, o cão menor teria pouco mais de meio metro, e o mais alto, quase 10 metros.
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Cachorros: Cão de Santo Humberto, Pointer Alemão de Pelo Curto e o Sussex Spaniel
Robert Clark
O 43º Cão de Santo Humberto (esquerda), o Pointer Alemão de Pelo Curto, 16º da lista (centro) e o Sussex Spaniel, o 155º colocado.
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Cachorros: O imponente Cão Dinamarquês
Robert Clark
O imponente Cão Dinamarquês
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Cachorros: Cão Dinamarquês
Robert Clark
O Cão Dinamarquês ficou em 17º lugar no ranking
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Cachorros: Grifo de Bruxelas
Robert Clark
O pequeno Grifo de Bruxelas
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Cachorros: Grande Boiadeiro Suíço
Robert Clark
O Grande Boiadeiro Suíço ficou com a 88ª colocação no ranking de popularidade do American Kennel Club (2010).
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Cachorros: Dandie Dinmont Terrier
Robert Clark
Este Dandie Dinmont Terrier ficou com a 164ª posição no ranking de popularidade do American Kennel Club (2010).
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Cachorros: Buldogue Francês
Robert Clark
A 21ª colocação ficou com o invocado Buldogue Francês
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Cachorros: Papillon
Robert Clark
Este Papillon foi o 35º colocado no ranking de popularidade do American Kennel Club (2010).
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Cachorros: Cão dos Pirineus
Robert Clark
O Cão dos Pirineus foi o 71º colocado no ranking de popularidade do American Kennel Club (2010).
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Cachorros: Pastor Belga Malinois
Robert Clark
O Pastor Belga Malinois ocupa a 76ª posição no ranking de popularidade do American Kennel Club (2010).
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Cachorros: Lulu da Pomerânia
Robert Clark
O 15º colocado foi o Lulu da Pomerânia
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Cachorros: Pastor Australiano
Robert Clark
Pastor Australiano, 26º colocado no ranking de popularidade do American Kennel Club (2010).
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Cachorros: Welsh Corgi pembroke e Welsh Corgi Cardigan
Robert Clark
O Welsh Corgi pembroke (esquerda) ficou em 27º, enquanto o Welsh Corgi Cardigan (direita) ocupou o 84º lugar no ranking de popularidade do American Kennel Club (2010).
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Cachorros: Pug
Robert Clark
O Pug ficou com o 24º lugar no ranking de popularidade do American Kennel Club (2010).
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Cachorros: Setter Irlandês
Robert Clark
O Setter Irlandês ficou com o 77º lugar no ranking de popularidade do American Kennel Club (2010).
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Cachorros: Galgo Afegão
Robert Clark
O 86º lugar do ranking de popularidade do American Kennel Club ficou com o Galgo Afegão
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Cachorros: Manny, Cão da raça Galgo Afegão
Robert Clark
Manny, Cão da raça Galgo Afegão
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Cachorros: Chesapeake Bay Retrivier
Robert Clark
A 48ª posição ficou com o simpático Chesapeake Bay Retrivier
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Cachorros: Pointer Alemão de pelo curto
Robert Clark
A 16ª posição do ranking de popularidade do American Kennel Club ficou com o Pointer Alemão de pelo curto
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Cachorros: Border Collie
Robert Clark
O Border Collie ficou com a 47ª posição no ranking
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Cachorros: Mastim Tibetano
Robert Clark
O Mastim Tibetano é o 124º colocado no ranking de popularidade do American Kennel Club
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Cachorros: Mastins Tibetanos
Robert Clark
Criados como cães de guarda, os Mastins Tibetanos, como Midas, podem pesar até 68 quilos. São superprotetores de seus donos – um impulso que, assim como outros comportamentos caninos, continua sendo um mistério em termos genéticos.
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Cachorros: Dachshund
Robert Clark
Este Dachshund ficou com o oitavo lugar no ranking de popularidade do American Kennel Club (2010).
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Cachorros: Terrier Preto da Rússia
Robert Clark
O Terrier Preto da Rússia ficou com o 135º lugar no ranking de popularidade do American Kennel Club
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Cachorros: Yorkshire Terrier
Robert Clark
O terceiro lugar ficou com o pequeno Yorkshire Terrier
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Cachorros: Cão de Crista Chinês
Robert Clark
Cão de Crista Chinês, o 57º mais popular pelo ranking de popularidade das raças, estabelecido pelo American Kennel Club
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Cachorros: Sugar, um cão de crista chinês
Robert Clark
Uma única mutação genética explica a “calvície” de cachorros como Sugar, um cão de crista chinês
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Cachorros: Dogue de Dordeaux
Robert Clark
O 68º lugar do ranking ficou com o Dogue de Dordeaux
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Cachorros: Shar-Pei
Robert Clark
O mal-encarado Shar-Pei ocupa a 50ª posição no ranking de popularidade
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Cachorros: Bichon
Robert Clark
O Bichon frisé está em 37° lugar no ranking de popularidade das raças, estabelecido pelo American Kennel Club
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Cachorros: São-bernardo
Robert Clark
O São-bernardo é o 46º no ranking de popularidade das raças, estabelecido pelo American Kennel Club
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Cachorros: Springer Spaniel
Robert Clark
O Springer Spaniel Ingês ficou com o 29º lugar no ranking de popularidade do American Kennel Club (2010).
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Cachorros: Basenji
Robert Clark
Tal como seu antepassado, o lobo, o Basenji, uma das raças mais antigas, não late.
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Cachorros: Doberman
Robert Clark
O feroz Doberman ficou com o 14º lugar no ranking de popularidade do American Kennel Club (2010).
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Cachorros: Setter Inglês
Robert Clark
O cão Razbery, da raça Setter Inglês
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Cachorros: Poodle
Robert Clark
O nono lugar do ranking de popularidade do American Kennel Club ficou com o Poodle
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Cachorros: Mastim
Robert Clark
O Mastim ficou com o 28º lugar no ranking de popularidade do American Kennel Club
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Cachorros: Chow-Chow
Robert Clark
Na 65ª posição está o Chow-Chow
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Cachorros: Rhodesian Ridgeback (Leão da Rodésia)
Robert Clark
O Rhodesian Ridgeback (Leão da Rodésia) é o 46º no ranking de popularidade das raças, estabelecido pelo American Kennel Club
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Cachorros: Terrier australiano
Robert Clark
O Terrier australiano ficou em 123º lugar no ranking de popularidade do American Kennel Club
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Cachorros: Labrador Retrivier
Robert Clark
O grande campeão no ranking de popularidade do American Kennel Club é o Labrador Retrivier
Os donos desses casacos são os frequentadores daquela que é a mais exclusiva reunião de cães no mundo, a qual ocorre todos os anos na véspera da exposição canina do Westminster Kennel Club. No dia seguinte, os melhores cães do país, abrangendo 173 raças, vão disputar um momento de glória no outro lado da rua, no ginásio Madison Square Garden. Hoje, porém, a função lembra mais uma recepção a convidados de quatro patas, enquanto seus donos fazem fila para se inscrever naquele que é o alojamento oficial da competição. Em um carrinho de bagagens, um basset hound fita com olhar desanimado um terrier hiperativo. Diante da lojinha de lembranças, um mastim tibetano, com patas tão grandes quanto mãos humanas, esfrega seu focinho no de um pug, que funga sem parar.
A diversidade explícita no saguão do hotel – uma vertiginosa gama de dimensões corporais, formatos de orelha, comprimentos de focinho, hábitos de latir – é o que faz os amantes de cachorros serem fanáticos. Por motivos tanto práticos quanto fantasiosos, o melhor amigo do homem foi sendo aperfeiçoado a ponto de se tornar o animal mais diversificado do planeta – uma realização assombrosa, pois a maioria das 350 ou 400 raças hoje existentes surgiu apenas há um par de séculos. O que os criadores fizeram foi acelerar o ritmo normal da evolução, mesclando características caninas disparatadas e acentuando- as ao privilegiar os filhotes que apresentavam de modo mais marcante os atributos buscados. Por exemplo: a fim de obter um cão bem adaptado a encurralar texugos, considera-se que os caçadores alemães nos séculos 18 e 19 tenham realizado algum tipo de cruzamento entre cachorros de caça – o basset hound, nativo da França, sendo o mais provável – e de toca, como os terriers, criando uma variação sobre o tema do cão com pernas curtas, corpo roliço e capacidade de ir atrás das presas mesmo dentro de suas tocas. Assim surgiu o dachshund, ou “caçador de texugo” em alemão. A pele frouxa e flexível servia como mecanismo de defesa, permitindo que o cão suportasse mordidas de dentes afiados. E a cauda longa ajudava os caçadores a puxá-los para fora da toca, com o texugo preso à boca.
Veja a galeria de fotos grandes de cães de 45 espécies
Os caçadores, é lógico, não levavam em conta o fato de que, ao forçar o surgimento dessas estranhas variedades, eles também estavam, antes de tudo, mexendo com os genes que determinam a anatomia canina. Desde então os cientistas consideravam que, sob a diversidade morfológica, havia uma multiplicidade genética equivalente. Mas um recente surto de pesquisas sobre o genoma canino aponta para conclusão oposta: o imenso mosaico de formas, cores e tamanhos dos cães deve-se, em boa parte, a alterações em apenas um punhado de regiões do genoma. A diferença entre o corpo diminuto do dachshund e o corpo maciço do rottweiler é ocasionada pela sequência de um único gene. O mesmo ocorre com a disparidade entre as pernas curtas do dachshund – conhecidas como condrodisplasia, um tipo de nanismo – e as pernas longas e finas do galgo.
E isso se repete em todas as raças e quase todas as suas características. Em um projeto denominado CanMap – uma parceria entre a Universidade Cornell, a Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e os Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês) americanos –, pesquisadores colheram amostras do DNA de mais de 900 cães, abrangendo 80 variações, e também de canídeos selvagens, como lobos e coiotes. Eles constataram que o tamanho corporal, o comprimento e o tipo do pelo, o formato do focinho, a posição das orelhas, a cor do pelame e outros traços que em conjunto definem a aparência de uma raça são controlados por 50 comutadores genéticos. A diferença entre as orelhas caídas e as eretas é determinada por uma única região dos genes no cromossomo canino 10, ou CFA10. A pele enrugada de um shar-pei depende de outra região, denominada HAS2. Basta mexer em alguns comutadores e um dachshung vira um doberman, pelo menos em aparência. Outra mexida e o doberman vira um dálmata. “O que está ficando mais evidente”, comenta o biólogo Robert Wayne, “é que a diversidade dos cães domésticos resulta de um instrumental genético restrito.”
As notícias na imprensa a respeito de genes específicos a cabelo ruivo, alcoolismo ou câncer de mama dão a falsa impressão de que a maioria das características é governada apenas por um ou alguns genes. Na verdade, a genética simplificada da morfologia canina é uma aberração. Na natureza, em geral, uma característica física ou um estado de enfermidade são o resultado de uma complexa interação de muitos genes, cada qual fazendo a sua contribuição. Nos seres humanos, a altura de uma pessoa é determinada pela interação de 200 regiões do gene.
