Mentes brilhantes
Temperamentais. Impulsivos. Por que os adolescentes são assim? Da perspectiva da evolução, as marcas mais irritantes deles talvez sejam a chave do sucesso na vida adulta.
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Adolescente espera abertura de farol em Austin, no Texas
Kitra Cahana
Refletida no espelho da caminhonete dos pais, Amy "Dandilion" Olsen espera a abertura de um farol no centro de Austin, no Texas
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Running back apreensivo, sem saber se irá jogar ou não
Kitra Cahana
Apoiado no tornozelo machucado, Connor Sheehan, running back do time de futebol americano Trojans, viu-se diante de uma dura escolha: correr o risco de outra contusão ou acompanhar no banco de reservas uma eventual vitória inédita da Anderson High School, em Austin - cidade em que a NATIONAL GEOGRAPHIC acompanhou a vida de vários adolescentes.
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Jovens festejam em rave
Kitra Cahana
Jamais houve uma festa assim - uma rave chamada Dayglow, na qual os participantes, entre eles Austin Brown (no centro), foram banhados de tinta fluorescente, em Austin. A luz negra fez com que todos brilhassem.
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Adolescentte demonstra a sua habilidade no parkour,
Kitra Cahana
Um adolescentte demonstra a sua habilidade no parkour, esporte que usa equipamentos urbanos
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Um relacionamento pouco convencional entre mãe e filha
Kitra Cahana
Piadas e brincadeiras são uma constante no relacionamento entre Deborah Kipp e a filha, Anastassia. Com 18 anos, ela considera a mãe um modelo a seguir, sempre presente mas nunca intrometida
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As consequências e hesitações não são fatores tão relevantes para tomar se uma decisão
Kitra Cahana
O peso depositado em cada escolha é muito menor para um adolescente do que para um adulto. As consequências e hesitações não são fatores tão relevantes para tomar se uma decisão.
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Carros e festas são desejos na vida dos adolescentes
Kitra Cahana
Carros e festas, os primeiros cigarros e namoros, tarefas escolares e tempo livre - todos os dias, os adolescentes assumem riscos pequenos e grandes.
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A vida social evolui muito na adolescência
Kitra Cahana
Todos os dias, os adolescentes assumem riscos pequenos e grandes "O melhor é ver isso como uma equação", analisa o psicólogo Laurence Seinberg
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Na vida dos adolescentes, as conssequências dos atos não têm o peso que deveriam ter.
Kitra Cahana
Na vida dos adolescentes, as conssequências dos atos não têm o peso que deveriam ter.
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Piercings e tatuagens são bem comuns na adolescência
Kitra Cahana
Foi um desafio: Se você fizer, também faço. Taylor Dicristofalo (à direita) conta que não teria piercing na língua se a melhor amiga não a tivesse arrastado para uma "exitante e assustadora aventura" no centro de Austin.
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Jovens filmam luta de amigos para postar na internet
Kitra Cahana
Nem cotovelada nem joelhada. Era um "clube da luta" com regras próprias. Pelo menos uma sexta-feira por mês, os meninos se reuniram depois das aulas no quintal de Bryan Campbell (à extrema esquerda) para boxear.
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Adolescênte observa os homens limparem o cervo
Kitra Cahana
Na fazenda perto de Austin em que ele e o pai foram caçar, Spencer O'Loughlin observa os homens limparem o cervo.
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Adultos são muito importantes na formação do adolescente
Kitra Cahana
Os adultos tem um papel muito importante na formação dos adolescentes, porém é necessário que os jovens façam as suas próprias tarefas sem interferência
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Os adultos devem permitir que o jovem faça o que tem de fazer
Kitra Cahana
Os adultos podem orientar os adolescentes como condutores, treinadores e animadores. Mas é preciso saber o momento de recuar, e permitir que o jovem faça o que tem de fazer
Embora todos os pais tenham ideia de como são imprudentes os filhos adolescentes, às vezes é um choque quando conhecem os detalhes de tais comportamentos. Pouco tempo atrás, em uma bela manhã de maio, meu filho mais velho, então com 17 anos, ligou para me dizer que havia acabado de passar horas detido em uma delegacia de polícia. Ele fora surpreendido dirigindo a uma velocidade “um pouco além da permitida”. Perguntei-lhe o que significava “um pouco além”? Aí fiquei sabendo que esse produto dos meus genes e dos meus cuidados amorosos, o menino crescido de quem eu trocara as fraldas, que embalara no colo e ninara até que pegasse no sono, e depois conduzi aos trancos e barrancos até a beira da maturidade, estivera voando por uma autoestrada a 182 quilômetros por hora.
“Isso é bem mais que ‘um pouco’”, disse eu.
Ele concordou comigo. Não protestou quando falei que ele teria de pagar as multas com o seu próprio dinheiro, e talvez até um advogado. Nem sequer discutiu quando comentei que, naquela velocidade, se ocorresse algo inesperado – um cachorro na pista, o estouro de um pneu, um acesso de espirros –, ele teria poucas chances de sobreviver. Na verdade, era quase irritante aquela sua postura tão sensata. Com uma coisa, porém, ele não se conformava. Não gostou nada de que uma das intimações que recebeu tivesse sido por condução imprudente. “Bem”, perguntei zangado, vislumbrando afinal uma oportunidade de demonstrar toda minha fúria, “e como você chamaria isso?”
“Não é bem assim”, respondeu-me com calma. “‘Imprudente’ dá a impressão de que você não está atento. Mas eu estava. Foi de propósito que decidi fazer isso em plena luz do dia, em um trecho da estrada bem sinalizado e sem tráfego. Não foi apenas uma questão de meter o pé no acelerador. Tudo estava sob controle. Acho importante que você saiba. Talvez se sinta melhor.”
De fato, me senti melhor. O que me incomodou um pouco na hora, pois eu não conseguia explicar tal sentimento. Agora sei o que é.
Essa aventura em alta velocidade do meu filho tem a ver com uma questão há muito colocada por quem tem de entender e lidar com esse grupo de seres humanos a que chamamos de adolescentes: o que, afinal, ele pretendia com isso? Essa é uma pergunta recorrente para os pais. Já os cientistas costumam pôr a questão de forma menos emotiva, mas sem deixar de exprimir a mesma perplexidade: o que há de errado com esses jovens? Por que eles agem assim?
Ao longo da história, a maioria das respostas privilegiou as forças malignas que supostamente afetavam os adolescentes. Há 2 mil anos, Aristóteles concluiu que “os jovens são aquecidos pela natureza tal como os ébrios o são pelo vinho”. Um pastor em O Conto de Inverno, de Shakespeare, desejava “que não houvesse idade entre 16 e 23 anos ou que a mocidade dormisse todo esse tempo, que só é ocupado em engravidar as raparigas, aborrecer os velhos e provocar brigas”. O lamento desse pastor ecoa até mesmo em investigações científicas dos últimos 100 anos. Para G. Stanley Hall, que inaugurou, em 1904, os estudos formais dos adolescentes, eles passavam por uma fase de “tormenta e tensão”, que recapitulava etapas anteriores e primitivas da evolução social. Já Freud via a adolescência como uma expressão de excruciantes conflitos psicossexuais; e o psiquiatra Erik Erikson, como a mais tumultuada das crises de identidade pela qual passamos durante a vida. Ou seja, a adolescência sempre foi considerada um problema.
Tal concepção perdurou até o fim do século 20, quando novas técnicas de imageamento permitiram visualizar o cérebro adolescente de maneira detalhada para rastrear seu desenvolvimento físico e seus padrões de atividade. Com os novos instrumentos, tornou-se possível reformular a velha questão – o que há de errado com esses jovens? – e a resposta obtida surpreendeu quase todo mundo. O que se constatou foi que o nosso cérebro leva muito mais tempo para se desenvolver do que se imaginava. Essa descoberta possibilita tanto uma explicação simplista e pouco lisonjeira do comportamento irritante dos adolescentes como outra complexa e positiva.
A primeira série completa de imagens escaneadas do encéfalo jovem em desenvolvimento – um projeto dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês, os órgãos federais de pesquisa médica nos Estados Unidos), no qual foram estudados uma centena de jovens até a idade adulta durante os anos 1990 – revelou que o nosso cérebro passa por uma reorganização geral entre os 12 e os 25 anos de vida. Não é que, durante esse período, cresça muito. Quando a pessoa completa 6 anos, ele já tem 90% de seu tamanho final e, a partir daí, é o espessamento do crânio que responde pela maior parte do crescimento da cabeça. Porém, no decorrer da adolescência, o cérebro é submetido a uma extensa remodelação, semelhante à atualização do cabeamento em uma rede de computadores.
