Michael Nichols: no meio do mato e com uma câmera na mão
Fascinado pela vida no planeta, o fotógrafo Michael Nichols fez de sua maior paixão a sua vida
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Chimpanzé e Jane Goodall - Mestres da fotografia - Michael Nichols
Michael Nichols
Enlouquecido por décadas de cativeiro e desesperado para estabelecer contato, um chimpanzé furioso acaba reagindo às táticas tranquilizadoras de Jane Goodall, que se curva em um gesto de submissão
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Mestres da fotografia - Michael Nichols 03
Michael Nichols
Antes vistas por toda a África equatorial, as populações de primatas antropoides reduziram-se a pequenos bolsões
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Gorilas-da-montanha Mestres da fotografia - Michael Nichols 14
Michael Nichols
"De todos os grandes primatas que vi pelo mundo, nada se compara a ficar em uma clareira observando uma família de gorilas-das-montanhas", comenta o fotógrafo. Este grupo familiar vive em uma área de Ruanda perto de Karisoke, a base de pesquisa estabelecida por Dian (morta em 1985). Ele conquistou a confiança dos gorilas comportando-se como um deles, imitando seus hábitos de alimentação e cuidados corporais e até mesmo suas vocalizações
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Gorila em Odzala, no Congo - Mestres da fotografia - Michael Nichols
Michael Nichols
Empoleirado no alto de uma árvore, Nichols passou seis semanas junto a uma das clareiras relvadas de Odzala. De lá avistou 365 gorilas, entre os quais este macho adulto que faz pose para assustar um rival que se aproxima
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Gorila em trilha para o santuário Tchimpounga, no Congo, África
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Virando-se para confrontar uma presença humana, o gorila Bangha interrompe a caminhada por uma trilha no santuário Tchimpounga, no Congo, concebido para receber gorilas órgãos e para que sua criação ocorra em um ambiente social saudável. A maioria dos animais tornou-se órfã devido a caçadores ilegais que abateram e esquartejaram suas mães, cuja carne foi enviada para ser comercializada em cidades e vilarejos
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Orangotango se alimentando nas copas inferiores da floresta
Michael Nichols
Um orangotango macho é surpreendido pelo fotógrafo, que subiu com cordas a 50 metros de altura para conseguir uma visão desimpedida de outros espécimes que se alimentavam nas copas inferiores (na foto). Os orangotangos foram estudados em condições naturais por mais de 30 anos por Biruté Galdikas, parte do trio de renomadas primatólogas que incluía Jane Goodall e Dian Fossey
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Tigre fêmea e filhote no Parque Nacional de Bandhavgarth, na Índia - Mestres da fotografia - Michael Nichols
Michael Nichols
Mandíbulas trituradoras viram instrumentos delicados quando a tigresa Sita leva o filhote a uma nova toca, em um esforço permanente de proteger a prole de ataques de leopardos, cães-selvagens e outros tigres no Parque Nacional de Bandhavgarth, na Índia. Lá, eles estão a salvo de um mundo no qual áreas agrícolas e urbanas avançam sobre os hábitats silvestres, e onde são abatidos por gananciosos caçadores clandestinos
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Leão no Parque Nacional de Zakouma, no Chade
Michael Nichols
No Parque Nacional de Zakouma, no Chade, os leões costumam atacar com êxito os filhotes de elefantes na estação seca, quando as manadas se concentram ao redor das cacimbas. Este espécime foi surpreendido em flagrante. Órfãos de elefantes adultos mortos por caçadores ilegais – muitas vezes grupos nômades que ficam à espreita na periferia do parque – são especialmente vulneráveis
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Caverna vertical Lechuguilla, no Novo México - Mestres da fotografia - Michael Nichols
Michael Nichols
Na região sul do Novo México, Nichols – um veterano espeleólogo – ilumina a Lechuguilla, a mais profunda caverna vertical dos Estados Unidos. Na época recém descoberta, ela foi considerada o Grand Canyon do mundo subterrâneo, devido à abundância de formações raras e fantásticas
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Caverna Fantastic Pit, no estado da Geórgia, nos Estados Unidos
Michael Nichols
Exploradores descem na caverna vertical apropriadamente conhecida como Fantastic Pit, no estado da Geórgia, com 178 metros de profundidade
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Caverna Lechuguilla sob o deserto do Novo México
Michael Nichols
Sob o deserto do Novo México, colunas de calcita erguem-se a 15 metros de altura e fazem parte do gigantesco labirinto da caverna Lechuguilla
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Mestres da fotografia - Michael Nichols 35
Michael Nichols
Aparentemente deleitando-se com sua condição de celebridade, Tai Shan – um panda-gigante concebido por inseminação artificial artificial no Zoológico Nacional de Washington – contribuiu muito para o aumento na fequência de visitantes. Mas o custo não é nada baixo: a conta anual de manutenção de um filhote assim gira em torno de 3 milhões de dólares
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Hipopótamo no mar - Mestres da fotografia - Michael Nichols 55
Michael Nichols
Um dos "hipopótamos surfistas" que Nichols encontrou perto do Loango, este macho solitário aproveita as ondas para se deslocar entre os locais de alimentação. "Os animais apreciam o crepúsculo na praia tanto quanto nós", diz Nichols
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Crocodilo - Mestres da fotografia - Michael Nichols
Michael Nichols
Uma câmera automática instalada em uma cacimba frequentada por animais proporcionou esta surpresa – "a foto da cauda de um crocodilo que é meio Zakouma, meio Parque dos dinossauros", comenta Nichols
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Crocodilos-do-nilo recém-nascidos no Parque Nacional Loango, no Gabão - Mestres da fotografia - Michael Nichols
Michael Nichols
Elefantes, gorilas e leopardos circulam pelas praias do Parque Nacional Loango, um dos 13 que foram criados no Gabão após a expedição Megatransect. Nichols levou a mulher e os filhos para que o acompanhassem em um projeto que exigiria passar por sete meses acampados no parque; um de seus filhos avistou um ninho de crocodilos-do-nilo recém-nascidos perto do riacho Louri. "Essa viagem foi a melhor coisa que fizemos juntos", comenta Nichols
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Elefante fêmea no ecossistema Samburu-Laikipia - Mestres da fotografia - Michael Nichols 67
Michael Nichols
Mais de 40 grupos familiares de elefantes, cada qual com características próprias, vivem no ecossistema Samburu-Laikipia. Esta fêmea pertence a uma família identificada por marcas de nascença, as pernas e patas rosadas. Como em outras populações, cada família é liderada pela matriarca, fêmea idosa, mãe ou avó da maioria dos membros. Os machos tendem a se mover solitariamente ou em grupos
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Elefantes machos - Mestres da fotografia - Michael Nichols 70
Michael Nichols
O contato físico pode variar desde o carinho, passando por brincadeiras mais ou menos violentas, até o combate. Lutas inofensivas entre jovens elefantes, como estes machos, preparam-nos para confrontos posteriores mais sérios e pelos quais os adultos resolvem suas disputas
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Elefantes na Reserva Nacional Samburu, no Quênia - Mestres da fotografia - Michael Nichols
Michael Nichols
Nas savanas da Reserva Nacional Samburu, no Quênia, elefantes adolescentes se enfrentam de forma amistosa, desenvolvendo habilidade social, confiança e força. Nos grupos familiares, os animais infantis são alvo da proteção e da vigilância das fêmeas que atuam quase como um conselho de mães
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Mestres da fotografia - Michael Nichols 71
Michael Nichols
Sequoias
Após mais de um século de desmatamento, sobrou menos de 5% das florestas originais, concentradas sobretudo em reservas e parques, como o Parque Estadual de Sequoias Humboldt, onde em meio à neblina reina o silêncio no santuário de mata primária. Nichols passou um ano na Califórnia documentando o manejo das florestas de sequoia e a exploração madeireira -
Tigre, filhote de Sita
Michael Nichols
Com elegância felina, uma filha de Sita faz um autorretrato ao romper o feixe infravermelho que aciona uma câmera automática. No calor de 50º, ela busca alívio em uma cacimba, apesar de ser um caldo fétido de folhas apodrecidas e urina de macaco. Nichols configurou a câmera para que ficasse ligada no fim da tarde, quando os felinos costumam matar a sede ali antes de saírem para as caçadas noturnas
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Tempestade em Grand Canyon - Mestres da fotografia - Michael Nichols
Michael Nichols
Em agosto, são rotineiras as tempestades violentas no Grand Canyon. "Sempre quis fotografar um relâmpago, ficar todo imerso na luz", diz Nichols. Ele chegou extraordinariamente perto e foi derrubado quando um raio caiu nas proximidades, em Point Sublime
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Parque Nacional Odzala, na República do Congo
Michael Nichols
No Parque Nacional Odzala, na República do Congo, os elefantes se alimentam à noite no rio Mambili, retornando à floresta quando amanhece. Enquanto remava em silêncio rio acima, Nichols surpreendeu este jovem macho que, blefando, arremeteu contra ele antes de se desviar. No início da década de 1990, caçadores clandestinos ainda circulavam pelo parque, mas a instalação de postos de vigilância reduziram a caça ilegal desde então
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Rinoceronte-branco-do-norte, no Wild Animal Park, em San Diego
Michael Nichols
Diante do acelerado desaparecimento das regiões selvagens, cada vez mais os zoológicos desempenham o papel de locais tanto de preservação como de reprodução. Deixando para trás uma reputação marcada por grades e jaulas, muitos zoos evoluíram e proporcionam experiências interativas aos visitantes e hábitats mais naturais para as espécies cativas, como este raro rinoceronte-branco-do-norte, no Wild Animal Park, em San Diego
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Michael Nichols em escalada
Steve Sillet
Para fotografar as árvores mais altas do mundo, Nichols precisou retomar seu passado de escaladas para enfrentar o desafio
Ainda menino, descobri um refúgio no bosque perto do quintal de casa. Eu me sentia à vontade dormindo sob o céu estrelado e confiava na natureza. Cresci no norte do Alabama, região cheia de cavernas que comecei a explorar na adolescência. Nessas grutas labirínticas foi onde teve início minha trajetória como fotojornalista.
Fascinado pelo rapel e com jeito para iluminar e explorar cavernas, achei um nicho na documentação de aventuras. Depois, fiz as primeiras descidas de rios na Ásia e na África. Tive encontros quase decisivos com a morte e reuni um alentado currículo de doenças tropicais. Era uma vida excitante e exótica, como se eu tivesse saído dos sonhos da infância. Mas eu ainda não havia compreendido a força da fotografia.
Tudo mudou quando conheci os gorilas-das-montanhas. A primeira vez que tive contato com seu hábitat mágico foi ao fazer um ensaio sobre pilotos de pequenos aviões na África. Enquanto sobrevoávamos em um deles uma serra vulcânica, ele apontou para baixo e disse: “É ali que a americana louca vive sozinha com os gorilas”. Muito depois desse voo, em 1980, fotografei um projeto de conservação de gorilas nessa mesma região de Ruanda, onde tive um contato mais próximo com esses animais fabulosos, vulneráveis e tão próximos de nós. Descobri que minhas imagens podiam ressaltar sua fragilidade e divulgar o esforço de quem lutava para salvá-los. Também percebi que meu fascínio por esses ambientes naturais indicava uma vocação maior. Meu trabalho poderia fazer diferença para aqueles que lá vivem, aqueles que não têm voz.
Para atingir esse objetivo, encontrei um parceiro natural em NATIONAL GEOGRAPHIC. Quando velhos amigos descobriram a caverna Lechuguilla, no deserto do Novo México, convencemos os editores de que ali havia uma boa história. Fiquei entusiasmado, e minha estreia acabou sendo reportagem de capa em 1991. Embora tenha sido minha habilidade para iluminar a escuridão das cavernas o que me proporcionou acesso à revista, não demorou para que passasse a documentar as dificuldades sofridas pelas criaturas e pelos hábitats mais indefesos da natureza.
Fotografia e conservação ambiental estão entrelaçadas desde o início. No fim do século 19, fotos das singulares paisagens do Yosemite e do Yellowstone, nos Estados Unidos, serviram de inspiração e estímulo à preservação dessas áreas. A proteção desses lugares estabeleceria os pilares do sistema de parques nacionais americanos.
Ao longo de sua história de um século, NATIONAL GEOGRAPHIC deu testemunho do poder da fotografia. Em 1906 (quando os periódicos científicos traziam poucas imagens), ela publicou 70 fotos, feitas por George Shiras, que usou uma lanterna para iluminar animais à noite. Essas imagens iniciaram a associação da revista com a fotografia da fauna silvestre. Meio século depois, as fotos que NATIONAL GEOGRAPHIC publicou das sequoias da Califórnia despertaram a consciência da vulnerabilidade dessas árvores magníficas às atividades de madeireiros e de interesses industriais. Leitores da revista e a National Geographic Society contribuíram com recursos para a compra de grandes áreas e se criar uma reserva de proteção dessas árvores imensas. Em 2009, voltei a elas para fazer um ensaio sobre os bosques remanescentes e a busca por estratégias de manejo florestal mais inteligentes.
Minhas imagens também ilustraram o empenho de dois grandes conservacionistas: Jane Goodall e J. Michael Fay. A primeira estudara durante anos os chimpanzés de uma floresta na Tanzânia, mas, quando a conheci, ela estava mais empenhada em mostrar ao mundo o modo desumano com que tratamos os grandes primatas. Nossa parceria resultou na publicação do livro Brutal Kinship (“Parentesco Brutal”), que levou à aprovação de leis que asseguram melhores condições aos chimpanzés submetidos a experimentos médicos e de vacinas.
O ecologista J. Michael Fay é outro incansável militante. Prestes a concluir sua caminhada de mais de 3 mil quilômetros na expedição Megatransect pelo Congo e pelo Gabão, Fay manifestou a vontade de dar meia-volta e fazer tudo de novo – e não estava brincando. Nossa colaboração teve início na década de 1990. Descobrimos uma afinidade em nosso amor por regiões intocadas e achamos uma assim na África Central. Chamamos essa área de “o último lugar da Terra” e começamos uma odisseia de 15 anos para documentar seus esplendores. O projeto resultaria em dez reportagens para a revista, culminando na série sobre a expedição. Esse levantamento não foi feito para estimular a sua exploração comercial. Pelo contrário. Queríamos evitar que a área fosse engolfada numa busca desenfreada por riquezas naturais. O objetivo era defini-la o quanto antes como reserva da natureza para afugentar as motosserras que alteram irremediavelmente a paisagem.
Nossa missão foi cumprida. Apresentamos ao presidente do Gabão, Omar Bongo, imagens que mostravam a extraordinária riqueza de seu país, muitas das quais o deixaram surpreso. “Tudo isso está aqui”, exclamou. Ele criou então 13 parques nacionais, com os ecossistemas delimitados por fronteiras naturais. Essas vastas áreas teriam se perdido para sempre caso não tivéssemos recorrido ao poder das fotos.
Para mim, a recompensa está no fato de que meu trabalho, por sua vez, contribuiu para a luta pela conservação. De maneira modesta, ajudamos a frear o apetite aparentemente insaciável que temos pelos recursos do planeta. É preciso tempo e imaginação para darmos conta de que os recursos da Terra são limitados, e de que nosso planeta é tudo o que temos. A fotografia pode ajudar a todos nós a usar a imaginação e a imaginar um mundo melhor.
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Fotografia – Site da NG Brasil
