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ARQUEOLOGIA 13/03/2012

Mural perdido de Da Vinci pode ter sido encontrado em Florença

Segundo os pesquisadores, A Batalha de Anghiari pode estar escondida atrás de um mural de Vazari

por Anderson Estevan

Após 30 anos de buscas por evidências da existência de A Batalha de Anghiari, o mural "perdido" de Leonardo da Vinci, os pesquisadores anunciaram nesta segunda-feira (12) que a pintura foi encontrada escondida atrás de uma parede falsa.

A obra foi encontrada com o auxílio de uma sonda endoscópica. A sonda foi inserida através da parede em que o afresco de Giorgio Vasari A Batalha de Marciano foi pintado. Uma câmera acoplada na sonda permitiu que os pesquisadores pudessem ver o que havia por trás do Vasari e os permitiu recolher amostras usadas para outros testes. As pinturas estão no Salão dos 500, no Palazzo Vecchio, em Florença, na Itália.

Os dados de análise química, embora não conclusivos, sugerem a pintura de Da Vinci, diferentemente do que se imaginava, não foi destruída em meados do século 16, quando a Câmara dos 500 foi totalmente remodelada, mas continua existindo atrás da obra de Vasari.

De acordo com Maurizio Seracin, colaborador da National Geographic Society e um dos líderes do projeto, quatro evidências apontadas no estudo sugerem que os pesquisadores estão no caminho certo:

1. Uma amostra contendo um material preto foi analisada com SEM-EDX (microscopia electrónica de varrimento com energia dispersiva espectroscopia de raios X), que identifica os elementos químicos presentes numa amostra. O material encontrado atrás da parede Vasari mostra uma composição química semelhante ao pigmento negro encontrado em esmaltes marrons sobre obras de Da Vinci como a "Mona Lisa" e "São João Batista ", identificado em um artigo publicado recentemente, que analisou todas as pinturas da Vinci em sua coleção no Louvre.

2. Flocos de material vermelho foram encontrados. A análise destas amostras parece identificá-los como material orgânico, que poderia ser associado com Red Lake (laca). Este tipo de material não era usado em paredes comuns rebocadas

3. O material de cor bege visto na parede original através de imagens de alta definição endoscópicas, somente poderia ter sido aplicado por um pincel.

4. A equipe de investigação confirmou a existência de um espaço de ar localizado entre a parede de tijolos em que Vasari pintou seu mural e a parede localizada atrás dela. A descoberta sugere que Vasari pode ter preservado obra-prima de Da Vinci através da construção de um muro entre as duas obras. Nenhum outro local no Salão apresentou este tipo de entreferro. Um dos principais especialistas do mundo na área de diagnósticos de arte, Seracini começou a investigar o mural “perdido” na década de 1970, quando encontrou na pintura de Vasari as palavras “Cerca trova” (Procure e encontrará, em livre tradução) e acreditou que era uma pista para a encontrar a obra de Da Vinci.

Desde então, o cientista fez uma série de scans térmicas e a laser na câmara para encontrar o mural. Quando surgiu a oportunidade de uma investigação endoscópica, Seracini identificou 14 áreas propensas a abrigar a pintura. Depois disso, seis pontos foram selecionados e um deles, o Vasari original.

De acordo com os historiadores, em 1503 o pintor italiano foi contratado para pintar o A Batalha de Anghiari, no Salão dos 500 do Palazzo Vecchio, sede do governo em Florença. A pintura comemorou a vitória de 1440 na batalha na planície de Anghiari entre Milão e da Liga italiana liderada pela República de Florença.

Da Vinci usou a comissão como uma oportunidade para experimentar técnicas de murais novos, que não cumpriam com os resultados que ele esperava, mas mesmo assim, esta obra-prima mais tarde foi chamada de "a escola do mundo”. Em meados do século 16 Giorgio Vasari, um admirador do trabalho de Da Vinci, remodelou a câmara com seus novos murais ao longo do espaço. Documentos originais confirmam relatos de testemunhas oculares terem visto "A Luta pela Standard," parte do mural "A Batalha de Anghiari", que foi completado por Da Vinci.

A pesquisa foi conduzida pela National Geographic Society e pela Universidade da Califórnia, Centro de San Diego (UCSD), de Ciência Interdisciplinar de Arte, Arquitetura e Arqueologia (CISA3), em parceria com a cidade de Florença. A Superintendência de Florença para o Património Cultural e do Opificio delle Pietre Dure, a estatal italiana do centro de restauração de arte com sede em Florença, também foi de grande importância para a viabilização da busca.

Baseados nesta pesquisa foram produzidos o documentário Encontrando o Da Vinci perdido, que tem estreia no National Geographic Channel americano no domingo (18), e a reportagem publicada na edição italiana da revista NATIONAL GEOGRAPHIC de fevereiro.

Mais informações sobre o projeto no endereço http://www.nationalgeographic.com/explorers/projects/lost-da-vinci/.

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