Cap. III - O sequestrador de carbono
No comando da consultoria ambiental Companhia Brasileira de Florestas Tropicais (CBFT), Rodolpho Schmidt promove ações para sequestro de carbono
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Rodolpho Schmidt
Liana John
Em sua mesa de madeira reciclada, Rodolpho Schmidt assiste à entrevista que deu aos 16 anos para a TV quando seu avô, Wolfgang Schmidt (no computador à esquerda) ganhou o Prêmio Global 500 da ONU.
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Rodolpho Schmidt em um dos locais reflorestados
Liana John
Rodolpho Schmidt em um de seus reflorestamentos, na região de Campinas.
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Reflorestamento de Wolfgang Schmidt
Liana John
Arboreto plantado por Wolfgang Schmidt, avô de Rodolpho.
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Poda de árvores reflorestadas
Liana John
Madeira resultante de podas urbanas ao lado das árvores plantadas por Wolfgang Schmidt, avô de Rodolpho.
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Reaproveitamento de madeira
Liana John
Rodolpho agora transforma a madeira resultante de podas urbanas em móveis, contribuindo para a fixação de carbono.
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Nova floresta
Liana John
"A natureza tende à floresta: é só não atrapalhar", ensina Rodolpho Schmidt, apontando a mata em um local que já foi pasto.
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Águas mais limpas
Liana John
As águas correm mais limpas à beira do arboreto plantado por Wolfgang Schmidt.
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Indentificação das árvores plantadas
Liana John
Cada uma das árvores do arboreto está identificada pelo nome comum e nome científico.
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Primeira árvore plantada por Wolfgang Schmidt
Liana John
Pau-ferro, a primeira árvore plantada no arboreto de Wolfgang Schmidt, em Campinas.
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Árvores exóticas para produção comercial
Liana John
Experimento com árvores exóticas para produção comercial de madeira, na fazenda Santa Mônica.
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Ação dos animais na natureza
Liana John
As aves e os animais se encarregam de semear a diversidade de árvores.
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Recomposição da mata nativa
Liana John
"É só não atrapalhar e ter paciência que a mata se recompõe", garante Rodolpho Schmidt.
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Proteção para as novas árvores
Liana John
A sombra das árvores pioneiras garante o crescimento da floresta.
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Fungos e líquens nas árvores
Liana John
Os fungos e os líquens vermelhos que crescem no arboreto são indicadores de ar livre de poluentes.
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Palmeiras nativas
Liana John
Palmeiras nativas também frutificam em meio ao arboreto.
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Dente-de-leão
Liana John
O dente-de-leão, considerado sinal de solo bom, cresce às margens dos reflorestamentos.
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Novas árvores nascendo
Liana John
As árvores plantadas pelo avô, Wolfgang Schmidt, servem de matrizes para os plantios do neto, Rodolpho Schmidt, (o arbusto do lado esquerdo desta foto cresceu naturalmente ao lado da "árvore-mãe").
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Ervas daninhas ajudam na formação da mata nativa
Liana John
Trabalhadores da CBFT tiram o capim, mas deixam vivas as "ervas daninhas", que ajudarão a reconstituir a mata nativa.
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Alecrim-do-campo
Liana John
Alecrim-do-campo, uma das "ervas daninhas" consideradas aliadas por Rodolpho Schmidt.
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Erva daninha no pasto
Liana John
"Erva daninha" no pasto, tendo ao fundo reflorestamento para fins de sequestro de carbono.
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Muda em área de pastagem
Liana John
Muda pioneira plantada em área de antiga pastagem.
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Solo florestal
Liana John
Formação do "solo florestal" depende da incorporação de folhas e restos de matéria orgânica das ervas e árvores pioneiras.
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Reflorestamento para sequestro de carbono
Liana John
Reflorestamento para sequestro de carbono e reconstituição de Área de Preservação Permanente (APP).
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Pasto separado do reflorestamento
Liana John
Reflorestamento é separado do pasto por uma cerca, para o gado não interferir no crescimento da mata nativa.
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Eucalipto e árvores nativas
Liana John
Em meio a duas fileiras de eucalipto, árvores nativas crescem retas, boas para futura exploração de madeira.
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Monitoramento do reflorestamento
Liana John
Rodolpho Schmidt: a numeração de cada árvore permite o monitoramento do crescimento e evita a duplicação de créditos de carbono para uma mesma área.
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Eucaliptos dão lugar à mata nativa
Liana John
Os eucaliptos plantados junto com as árvores nativas depois são cortados para dar lugar à mata.
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Plantio misto
Liana John
Com o plantio misto, o proprietário de terras tem renda para financiar a reposição florestal.
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Projetos de compensação de carbono
Liana John
Os experimentos do avô, Wolfgang Schmidt, no plantio de matas mistas hoje ajudam o neto, Rodolpho Schmidt, nos projetos de compensação de carbono.
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Reutilização da puda de árvores urbanas
Liana John
Após longas negociações, Rodolpho conseguiu autorização para ficar com as árvores urbanas cortadas ou derrubadas por temporais e as utiliza na confecção de móveis.
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Madeira numerada
Liana John
Toda madeira resultante de podas urbanas é numerada, assim os produtos feitos com ela podem ser rastreados.
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Móveis de madeira urbana
Liana John
Cadeira e mesa feitas com madeiras urbanas: design permite o aproveitamento até de galhos cortados durante as podas.
Aos 16 anos, Rodolpho Schmidt deu uma entrevista para a televisão, na qual declarava sua intenção de seguir os passos do avô - Wolfgang Carl Adolph Schmidt - como plantador de florestas. Alemão de Berlim, seu Schmidt (como o avô era mais conhecido), morava desde os anos 1940, na fazenda Santa Mônica, na região de Joaquim Egídio, Campinas, interior de São Paulo. Há muito havia deixado de "colecionar madeiras para colecionar árvores", como ele dizia. E por sua defesa incondicional do plantio de matas acabara de receber o Prêmio Global 500, junto com sua esposa, Anésia do Amaral Schmidt. Era 1992 e o Brasil sediava a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, a Rio92, durante a qual o casal recebeu a homenagem internacional.
Quando veio para o Brasil, ainda jovem, Wolfgang Schmidt era madeireiro. Encantou-se com a variedade das madeiras nativas e cortou muitas árvores para ganhar a vida. Mas logo percebeu a fragilidade da exploração sem reposição e passou a fazer experimentos de plantio em sua fazenda.
Constituiu um arboreto com mais de 100 espécies madeireiras e, na base de tentativas e observação direta, aprendeu a enxergar o valor da biodiversidade nos reflorestamentos, fossem eles para fins comerciais ou de conservação. Como tudo isso aconteceu numa época em que o movimento ambientalista nem havia nascido, não faltaram más línguas para chamar seu Schmidt de "alemão maluco".
Desde pequeno, Rodolpho acompanhava o avô pelo arboreto, ouvindo suas lições apaixonadas junto com a prima Helena. Ele acabou virando engenheiro florestal e ela fez Biologia. Os outros oito netos seguiram caminhos diferentes. Assim, em 2005, quando Wolfgang Schmidt faleceu, aos 100 anos, era natural que Rodolpho herdasse a porção da fazenda onde fica o arboreto, assumindo também a herança imaterial de plantador de florestas.
As árvores do avô hoje são matrizes de onde Rodolpho tira sementes para os seus reflorestamentos, de reconstituição de Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reserva Legal (RL) e, principalmente, para sequestro de carbono (ou seja, plantar árvores para compensar emissões de gases de carbono resultantes da queima de combustíveis e do consumo de energia). As lições aprendidas na infância transparecem na forma de organizar tais plantios e, sobretudo, na sobriedade germânica da prestação de contas de sua empresa, a Companhia Brasileira de Florestas Tropicais ou CBFT.
"Em lugar de primeiro captar recursos de empresas que querem fazer a compensação de carbono e depois procurar um local para plantar, fazemos o inverso. Primeiro procuramos um local, uma fazenda onde é preciso recompor as APPs ou RL ou áreas onde haja a intenção de fazer reflorestamento para exploração comercial. Avaliamos o potencial do local em termos de sequestro de carbono, dividimos em cotas e só então passamos a vender estas cotas", resume Rodolpho, hoje com 36 anos.
Cada árvore plantada recebe um código e é periodicamente fotografada. A empresa ou o organizador de evento que faz a compensação de carbono - ou qualquer outra pessoa interessada - pode acompanhar o crescimento de cada muda via internet. Isso evita duplicação - vender o mesmo plantio para empresas diferentes - e também facilita o cálculo do carbono efetivamente fixado (quer dizer, transformado na madeira do tronco e dos galhos das árvores).
O conceito de reflorestamento usado por Rodolpho também revela a influência do avô. "O reflorestamento é feito com o duplo objetivo de recuperação natural e obtenção de madeira para exploração comercial", explica. "Plantamos uma linha de eucaliptos e uma linha de árvores nativas, de modo intercalado. Os eucaliptos serão aproveitados para lenha ou madeira nos anos iniciais, rendendo até 3 cortes. Eles permitem ao dono da propriedade obter alguma renda enquanto a mata cresce, e fazem sombra para as mudas de nativas, que não crescem a pleno sol. A sombra dos eucaliptos ainda força as árvores nativas a crescerem retas, de forma apropriada para o futuro uso comercial da madeira". Vale notar que o carbono absorvido durante o crescimento de uma árvore se mantém fixado se sua madeira é aproveitada para fazer móveis. O carbono só volta a ser liberado se a árvore apodrecer ou se for queimada.
Outra grande diferença nos plantios é o tratamento dado às impopulares "ervas daninhas". Em lugar de passar a máquina por cima, lutando para eliminá-las, Rodolpho as tem como aliadas. "O alecrim-do-campo e diversas outras plantas consideradas daninhas em lavouras são as pioneiras da reconstituição da mata. Elas é que vão ajudar a formar o solo florestal, possibilitando a sobrevivência das árvores mais nobres e, depois, quando a área já estiver sombreada pelas novas árvores, elas desaparecem naturalmente", diz o engenheiro florestal. "A natureza tende à floresta: basta controlar o pasto ou deixar de plantar outra coisa e a mata rebrota, as aves semeiam, os animais replantam. Basta deixar e não atrapalhar. O mais importante é compreender a natureza e ter paciência".
À parte do plantio de florestas, Rodolpho também faz laudos para prefeituras e para órgãos ambientais, orientando o corte de árvores urbanas em situação de risco: apodrecidas, com cupins, ameaçando cair sobre edificações, danificadas após temporais ou enchentes etc. "Sempre fiquei incomodado com o fato de muitas dessas árvores serem transformadas em lenha ou serem simplesmente queimadas. Após muita negociação consegui trazer parte dessas árvores para a fazenda, para reciclar, construindo móveis". Mesmo os galhos de árvores resultantes da poda urbana, feita para proteger a fiação elétrica, agora se transformam em cadeiras, mesas e objetos de decoração, com apoio da esposa de Rodolpho, a arquiteta Maira Del Nero.
"O uso da madeira urbana demonstra respeito à história das árvores, pois seu produto permanece vivo na forma de peças certificadas. Além disso, ao usar produtos madeireiros certificados, contribuímos para evitar emissões de carbono para a atmosfera", acrescenta, Rodolpho. Alguns desses móveis do Projeto Madeira Urbana - fruto da parceria com o designer Paulo Werneck - venceram na categoria Produto do Prêmio Planeta Casa, em 2010. O prêmio é uma iniciativa da revista Casa Cláudia, realizado em parceria com o movimento Planeta Sustentável, ambos da Editora Abril.
Rodolpho Schmidt também tem um quê de poeta, músico e blogueiro. Compartilha sua produção artística com o público em http://rodolphoschmidt.wordpress.com, misturando conhecimento, capacidade de observação e profissionalismo com a herança de paixão pelas árvores do avô Wolfgang Schmidt. Vale a pena passar por lá para conhecer um pouco melhor esse sequestrador de carbono.
