Pedras antiquíssimas
Milhões de anos de formação, o monumento nacional dos penhascos Vermilion é até hoje uma maravilha pouco conhecida.
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Lagos em miniatura em White Pocket
Richard Barnes
<p> Lagos em miniatura refletem o céu em White Pocket, um dos espetáculos geológicos do platô Paria. Ao longo dos éons, a água do solo tirou a cor do arenito Navajo e a ação climática rompeu a superfície em polígonos irregulares.</p>
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Canion do rio Paria
Richard Barnes
<p> O rio Paria corta um cânion que vai se aprofundando no platô que leva o mesmo nome. Petróglifos nas paredes do cânion registram a passagem de integrantes do povo Pueblo e outros nativos.</p>
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trilha Honeymoon [Lua-de-Mal
Richard Barnes
<p> Bem-vindo à chamada trilha Honeymoon [Lua-de-Mal]. Seguindo a borda do platô Paria, a estrada Highway 89A traça em parte uma rota seguida pelos exploradores franciscanos do século 18 e também por mórmons a caminho de St. George, estado do Utah, geralmente para se casar.</p>
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Ponte Navajo
Richard Barnes
<p> Com fundo dos penhascos Vermilion, no Arizona, a ponte Navajo, de 1929, hoje usada para a circulação de pedrestes, atravessa o rio Colorado ao lado da estrutura moderna de 1995.</p>
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Passagem Wire
Richard Barnes
<p> Na área selvagem a norte do monumento, a trilha do leito de riacho que atravessa a passagem Wire começa larga e rasa mais vai se estreitando e se aprofundando até se transformar em uma fenda apertada. Os perigos sazonais para quem caminha por lá vão de desidratação a afogamento por enchentes-relâmpago.</p>
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Linhas sinuosas em Wave
Richard Barnes
<p> Linhas sinuosas de cores rodopiam em Wave, a formação mais famosa do monumento. Enchentes-relâmpago esculpiram esta passagem através das dumas de areia petrificadas e expuseram as faixas ricas em ferro.</p>
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Coyote Buttes
Richard Barnes
<p> Em Coyote Buttes, uma coluna natural de pedra chamada hoodoo e apelidada de Totem Pole [poste de totem] se avulta com o fundo do rastro das estrelas, revelando a passagem do tempo em sua extensão por faixas, como os anéis de uma árvore.</p>
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Placa para condores
Richard Barnes
<p> Os condores desapareceram da região dos penhascos Vermilion na década de 1920. Agora, estão de volt: mais de cem foram reintroduzidos aos longo dos últimos 15 anos.</p>
Leve uma cadeira de praia e um guarda-sol – muita água também – para as planícies cobertas de sálvia logo ao sul da estrada Highway 89A, no Arizona (EUA), perto da boca do cânion Badger. Aponte a cadeira para o norte, na direção do Utah, e se acomode. Atrás de você, o Rio Colorado vai escavando meandros profundos desde a represa do cânion Glen na direção do Grand Canyon. Diretamente a sua frente ergue-se um caos de pedras abobadadas de mais de 900 metros — os penhascos Vermilion. É difícil dizer que esses penhascos tenham uma face, Eles têm faces incontáveis, fraturadas e entrecortadas, cruzadas e tombadas. Dá para sentir a inércia nas fissuras verticais colossais. Ao longo das partes mais baixas, como camadas de bolo de casamento, pilhas de pedras caídas se assemelham à areia no fundo de uma ampulheta.
E agora, a pergunta: Quanto tempo seria necessário esperar até que os penhascos Vermilion formassem um pedregulho do tamanho de um ônibus escolar, digamos? A resposta: pode acontecer no dia em que você se sentar. Mas, o mais provável seria que os descendentes dos seus descendentes ainda estivessem sentados naquela cadeira, muitas centenas de gerações mais tarde, esperando os penhascos se esfarelarem um pouco mais. As pedras são antiquíssimas, assim como os vestígios de erosão.
Há milhões de anos, o lugar em que você está sentado estaria enterrado sob as camadas expostas dos penhascos atuais, sob camadas rochosas hoje chamadas de Moenkopi, Chinle, Moenave, Kayenta e Navajo, sendo que cada estriação difere em cor e resistência à erosão. O platô Paria vem se retraindo na direção noroeste há éons, e esses penhascos vigorosos marcam seu progresso até hoje.
É difícil acreditar que um monumento nacional rodeado de penhascos que se avultam — com sua cor queimando o espectro na medida em que o dia avança — possa ser tão pouco conhecido. No entanto, pouca gente ouviu falar do lugar, tirando uma ou duas de suas características mais famosas. Uma das razões para isso é que o monumento nacional dos penhascos Vermilion fica à sombra de seus vizinhos, que incluem alguns dos parques e monumentos nacionais mais famosos dos Estados Unidos: Grand Canyon, Zion, cânion Bryce e outros.
Outra razão é o caráter íngreme do terreno. Apesar de se localizar a apenas dez quilômetros do lago Powell e suas legiões de visitantes divertindo-se a bordo de embarcações, os 120 mil hectares que o monumento abriga não são lugar para quem tem coração fraco ou não veio preparado. “Saia do carro, entre na cadeira alimentar”, brincou um funcionário do departamento de Manejo da Terra, que administra o monumento. Os predadores aqui são sol, calor, ignorância e isolamento. (Além de cascavéis e escorpiões.)
Quase não há trilhas marcadas, apenas algumas placas e nenhum dos dispositivos de segurança, avisos ou guardas florestais encontrados nos parques nacionais. Aqui, o seu celular não funciona, voCê acampa onde pode e a única água disponível é aquela que você carrega.
Os penhascos em si são protegidos como área selvagem desde 1984. Eles formam uma ferradura irregular de cabeça para baixo, abrupta e vertical do lado leste, perto do rio Colorado, fazendo uma curva fechada para o sul e ficando mais raso apenas a oeste, ao subirem pelo Utah ao longo da estrada do vale House Rock, um dos passeios por estrada de terra mais bonitos do oeste norte-americano. Siga o arco dessa ferradura e os penhascos irão observá-lo por todo o trajeto, proibitivos e atraentes ao mesmo tempo.
Mas se a viagem for pela parte noroeste, no alto da ferradura, entre Page, Arizona, e Kanab, Utah, você nunca vai imaginar que os penhascos estejam ali. Faça uma caminhada pelo platô Paria e você vai se sentir como se estivesse caminhando por uma ilha no céu. Os penhascos são invisíveis sob os seus pés, mas dá para sentir sua presença. O mundo seria assim se fosse plano e terminasse em uma ponta de precipício no espaço. Mas quando se chega ao fim do platô — bem no alto dos penhascos de Vermilion — dá para ver que o mundo prossegue, subindo prateleira a prateleira até o Grand Canyon e além.
