Rei Tut: segredos de família
Exames de DNA revelam a verdade sobre os pais do faraó-menino Tutankhamon e novas pistas de sua morte prematura
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Ataúde do rei Tut - Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garrett
Um ataúde de ouro sólido, pesando cerca de 110 quilos, abriga os restos mortais mumificados do faraó Tutankhamon.
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Ataúde do rei Tut - Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garret
Arqueólogo-chefe do Egito, Zahi Hawass (à direita na foto) discute com especialistas em DNA após a extração de tecido ósseo de uma múmia achada em KV35, uma das tumbas no Vale dos Reis
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Vale dos Reis no Egito - Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garrett
Oculto nos desfiladeiros do deserto a oeste do Nilo, o Vale dos Reis abriga o túmulo de Tutankhamon e de seus parentes régios. Na Antiguidade, a região era considerada remota. Hoje, o crescimento de Luxor vem aproximando dali o brilho da cidade.
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Múmia Amenhotep III - Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garrett
Séculos depois, a fim de frustrar a ação dos saqueadores, os sacerdotes enrolaram as múmias em tecidos novos e voltaram a sepultá-las em grupos. O corpo de Amenhotep III foi achado em 1898, oculto com outros membros da realeza na KV35, a tumba de seu avô, o faraó Amenhotep II.
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Máscara funerária do rei Tut - Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garrett
Quaisquer que fossem os defeitos de Tut, a imagem que nos legou é de uma perfeição resplandecente - a sua emblemática máscara funerária feita de ouro, metal considerado pelos antigos egípcios como a carne dos deuses.
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Múmia de fetos - Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garrett
Sarcófago e máscara funerária folheados a ouro adornava o menor de dois fetos femininos mumificados que foram enterrados com Tutankhamon. Em 1932, o anatomista Douglas Derry mediu a múmia dentro do sarcófago: tinha apenas 25 centímetros dos pés à cabeça. Estima que tinha nascido depois de apenas cinco meses no útero
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Faraó-menino - Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garrett
Símbolo do Antigo Egito, a máscara funerária do faraó-menino preservou para sempre seu semblante de ouro, vidro e pedras semipreciosas. Este e outros tesouros do túmulo, hoje no Museu Egípcio do Cairo, atraem uma multidão de visitantes.
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Estátua Akhenaton- Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garrett
Por muito tempo a identidade do pai de Tutankhamon foi um enigma. Um candidato é o faraó herético Akhenaton, que rejeitou os deuses oficiais para adorar uma única divindade
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Faraó e sua rainha - Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garrett
Uma caixa revestida de marfim, também na tumba de Tut, mostra o faraó-menino com sua rainha. Novas informações sobre a saúde dele indicam que usava como muleta o bastão em que aparece apoiado
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Estátua de Nefertiti - Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garrett
A história registra que Akhenaton se casou tanto com a famosa Nefertiti quanto com uma mulher chamada Kiya, mas nunca foi dito que qualquer uma das duas fosse sua irmã.
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Filho de Tut - Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garrett
Um feto de pelo menos 7 meses estava na tumba de Tut, ao lado de outro feto menor. Um deles, ou ambos, pode ter sido filho do faraó-menino.
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Múmia Akhenaton - Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garrett
Em 1907, uma múmia deteriorada foi achada na KV55, uma tumba no Vale dos Reis onde havia uma confusão de objetos pertencentes a vários reis e rainhas do fim da 18ª dinastia. Os epítetos régios no ataúde desfigurado sugeriam que o corpo em seu interior poderia ser de Akhenaton. Hoje os exames de DNA confirmam que a múmia pertence a um filho de Amenhotep III e da rainha Tiye - que se sabe serem os pais de Akhenaton - e é o pai de Tutankhamon.
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Estátua de Kiya - Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garrett
Kiya foi uma das mulheres de Akhenaton.
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Estela de calcário - Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garrett
Um estela de calcário de Amarna retrata o faraó Akhenaton, sua mulher Nefertiti e as filhas do casal sob os raios do disco solar, símbolo do deus Aton. A filha mais velha, Meritaten, está entre os pais. Meketaten se equilibra em cima do joelho da mãe, e Ankhesenpaaton está em seu colo. Ankhesenpaaten viria a se casar com Tutankhamon e mudaria o nome para Ankhesenamon.
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Mãe de Tutankhamon - Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garrett
Segundo os exames de DNA, esta múmia, conhecida como "Dama Mais Jovem", é ao mesmo tempo irmã da múmia KV55 - provavelmente Akhenaton - e mãe do filho dele, Tutankhamon. (Os relacionamentos incestuosos não eram incomuns entre a realeza.) Provavelmente a Dama Mais Jovem é uma das cinco filhas de Amenhotep III e Tiye.
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Estátua de Amenhotep III - Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garrett
Agora identificado como avô de Tutankhamon, Amenhotep III reinou em meio ao esplendor há 3,4 mil anos. Sua múmia foi sepultada com imensos tesouros.
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Lembranças de Tut - Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garrett
O menor caixão de um conjunto de ataúdes, achados na tumba de Tutankhamon, trazia uma inscrição com o nome de Tiye. No interior há um cacho de cabelo (acima, na caixa inferior), talvez lembrança de uma avó querida.
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Múmia de Tiye - Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garrett
Entre os restos mortais ocultos na tumba KV35 havia uma múmia anônima chamada apenas de "Dama Mais Idosa". O exame de DNA identificou-a como a rainha Tiye, esposa de Amenhotep III, filha de Yuya e Tuyu, um casal que não fazia parte da realeza e foi achado em 1905, em um túmulo intacto. Avó de Tutankhamon, Tiye foi embalsamada com o braço esquerdo dobrado sobre o peito - sinal de que era uma rainha.
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Bengala - Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garrett
Um preso amarrado do Líbia, um dos inimigos tradicionais do Egito, forma a cabeça de uma das 130 bengalas completas ou parciais encontradas no túmulo de Tutankhamon. Algumas mostram sinas de muito uso - talvez uma evidência de que ele tenha sido aleijado em vida.
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Estátua de Tiye - Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garrett
Sua estátua no templo de Karnak também a mostra com o braço dobrado.
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Rei Tut - Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garrett
Filho de uma união entre irmãos, o faraó sofria de uma má-formação congênita no pé e de uma doença óssea que lhe dificultavam a locomoção. O casamento endogâmico pode ter causado a deformidade e até mesmo impedido que tivesse herdeiros com a esposa, que provavelmente era a sua meia-irmã.
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Edição 125 – Rei Tut: Segredos em família - Múmia de esposa de Tut - Fotos Faraó Tutankhamon (Tutankamon): Estudo do DNA de múmias revela os segredos dos faraós
Kenneth Garrett
Ao ser descoberta em 1817, a tumba KV21 continha duas múmias femininas. Mais tarde, porém, elas foram destroçadas por vândalos. Resultados de exames de DNA sugerem que a múmia sem cabeça talvez seja a mãe de um dos fetos no túmulo de Tutankhamon. Caso isso se confirme, trata-se de Ankhesenamon, uma das filhas de Akhenaton e a única esposa conhecida de Tut
Bichos eternos
O rei está nu(a)
Faraós negros
O guardião do tesouro do deus-sol
As múmias provocam a nossa imaginação. Impregnadas de mistério e magia, elas já foram pessoas que viveram e amaram, tal como nós.
Estou convencido de que é nosso dever honrar esses mortos antigos e garantir que descansem em paz. No entanto, há segredos dos faraós que só podem ser revelados por meio do estudo de suas múmias. Em 2005, quando foram feitas tomografias computadorizadas da múmia de Tutankhamon, pudemos comprovar que ele não morrera devido a um golpe na cabeça, como muitos acreditavam. Nossa análise revelou que o orifício na parte de trás de seu crânio havia sido aberto durante o processo de mumificação. O exame também mostrou que Tut morreu com apenas 19 anos de idade - talvez logo depois de ter sofrido uma fratura na perna esquerda. Porém, ainda restam outros mistérios em relação ao faraó-menino que até mesmo a tomografia computadorizada não consegue esclarecer. Por isso, decidimos realizar um exame ainda mais profundo de sua múmia e, no fim, acabamos descobrindo fatos extraordinários a respeito de sua vida, seu nascimento e sua morte.
Para mim, a história de Tutankhamon é como uma peça teatral cujo fim ainda está sendo escrito. O primeiro ato do drama tem início por volta de 1390 a.C., décadas antes do nascimento de Tut, quando o faraó Amenhotep III (também conhecido como Amenófis III) sobe ao trono do Egito. À frente de um império que se estende por 1,9 mil quilômetros, desde o rio Eufrates ao norte até a quarta catarata do Nilo ao sul, esse soberano da 18a dinastia vive em meio a uma abundância material inimaginável. Ao lado da poderosa rainha Tiye, governa o Egito por 37 anos, venerando os deuses de seus ancestrais, sobretudo Amon, enquanto o povo prospera e imensas riquezas, originárias de seus domínios estrangeiros, se acumulam em seus cofres.
Se o primeiro ato tem a ver com bonança e estabilidade, o segundo é marcado pela revolta. Ao morrer, Amenhotep III é sucedido por seu segundo filho, que assume o trono como Amenhotep IV - um visionário que dá as costas ao culto de Amon e de outros deuses do panteão oficial e passa a venerar uma divindade única, conhecida como Aton, o disco do Sol. No quinto ano de seu reinado, ele muda o próprio nome para Akhenaton, ou "aquele que é benéfico a Aton". Também atribui a si mesmo a condição de deus vivo e abandona o tradicional centro religioso de Tebas, erguendo uma cidade cerimonial 290 quilômetros ao norte, em um local hoje conhecido como Amarna. Ali ele vive com sua rainha, a bela Nefertiti, e juntos se tornam os sumo-sacerdotes de Aton, cumprindo essa função com a ajuda de suas seis filhas. Os sacerdotes são despojados de todo poder e riqueza, e Aton reina supremo. Nesse período, a arte é perpassada por novo e revolucionário realismo: o próprio faraó não é mais, como os antecessores, retratado com semblante idealizado e corpo jovem e musculoso, e sim com aparência afeminada, barriga protuberante, rosto alongado e lábios carnudos.
O fim do reino de Akhenaton está envolto em confusão - como se a ação da peça se transferisse aos bastidores. Um ou talvez dois faraós governam por breves períodos, com Akhenaton ainda vivo, já morto ou em ambos os casos. Como outros egiptólogos, estou convencido de que o primeiro desses "reis" é, na verdade, Nefertiti. Já o segundo é um personagem enigmático chamado Smenkhkare, sobre o qual pouco conhecemos. O que se sabe com certeza é que, ao subir a cortina e começar o terceiro ato, o trono está ocupado por um menino de apenas 9 anos de idade: Tutankhaton ("a imagem viva de Aton"). Em algum momento nos dois primeiros anos de seu reinado, ele e sua mulher, Ankhesenpaaton (que era filha de Akhenaton e de Nefertiti), abandonam Amarna e voltam a Tebas, reabrindo os templos e restituindo-os à antiga glória e prosperidade. Também alteram os próprios nomes, para Tutankhamon e Ankhesenamon, proclamando sua rejeição à heresia de Akhenaton e uma devoção renovada ao culto de Amon.
Kenneth Garrett
Em seguida a cortina se fecha. Dez anos depois de subir ao trono, Tutankhamon morre, sem deixar herdeiros que possam ocupar o seu lugar. Ele é sepultado às pressas em uma tumba de pequenas dimensões, projetada para um indivíduo comum não para um faraó. Em represália contra a heresia de Akhenaton, seus sucessores empenham-se em obliterar dos registros históricos quase todos os traços dos reis de Amarna, entre eles Tutankhamon.
Ironicamente, essa tentativa de eliminar a memória dele acabou preservando Tutankhamon para sempre. Menos de um século após ele morrer, a localização de sua sepultura havia sido esquecida. Oculta de saqueadores por outras edificações erguidas no mesmo local, ela permaneceu intacta até ser descoberta em 1922. Mais de 5 mil objetos foram encontrados no interior da tumba. No entanto, os registros arqueológicos até hoje não conseguiram esclarecer os relacionamentos familiares mais próximos do faraó. Afinal, de quem ele era filho? O que aconteceu com a sua viúva, Ankhesenamon? Os dois fetos mumificados achados no túmulo seriam filhos prematuros de Tut ou sinais de pureza para acompanhá-lo na vida após a morte?
Para esclarecer essas dúvidas, resolvemos analisar o DNA de Tutankhamon, assim como o de dez outras múmias que se supõe serem membros de sua família imediata. No passado, fui contra o estudo genético das múmias de faraós. A probabilidade de obter amostras viáveis e ao mesmo tempo evitar a contaminação delas com DNA moderno era por demais insignificante para justificar a manipulação desses restos mortais sagrados. Todavia, em 2008, vários geneticistas me convenceram de que as técnicas haviam sido aperfeiçoadas de tal modo que havia boa chance de conseguirmos resultados aproveitáveis. Assim, montamos dois laboratórios de sequenciamento genético, um deles no porão do Museu Egípcio do Cairo e o outro na Faculdade de Medicina da Universidade do Cairo. A pesquisa seria conduzida por dois cientistas egípcios, Yehia Gad e Somaia Ismail, do Centro Nacional de Pesquisa, também no Cairo. Decidimos ainda realizar tomografias computadorizadas de todas as múmias, sob a direção de Ashraf Selim e Sahar Saleem, da Faculdade de Medicina da Universidade do Cairo. Três especialistas internacionais trabalharam como consultores: Carsten Pusch, da Universidade Eberhard Karls, de Tübingen, na Alemanha; Albert Zink, do Instituto Eurac, em Bolzano, na Itália; e Paul Gostner, do Hospital Central de Bolzano.
As identidades de quatro das múmias eram conhecidas: a do próprio Tutankhamon, que permanecia em seu túmulo no Vale dos Reis, e três múmias expostas no Museu Egípcio - a de Amenhotep III, e as de Yuya e Tuyu, os pais de Tiye, a rainha de Amenhotep III. Entre as múmias não identificadas havia um homem achado em um misterioso túmulo no Vale dos Reis identificado como KV55. Os indícios arqueológicos e textuais sugeriam que se tratava provavelmente de Akhenaton ou de Smenkhkare.
