Tigres em perigo
Temos os meios para salvar o mais estupendo felino da Terra. Mas temos vontade?
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Tigre fita a câmera
Steve Winter
<p> Um tigre fita a câmera-armadilha que ele acionou enquanto caçava na floresta do norte de Sumatra, na Indonésia. Esses felinos podem viver bem em diversos hábitats, do gélido Himalaia aos mangues tropicais da Índia e de Bangladesh.</p>
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Tigre salta para pegar sacola
Steve Winter
<p> Um tigre salta para pegar uma sacola plástica amarrada em um poste, observado por turistas no polêmico Templo do Tigre em Kanchanaburi, na Tailândia. Os visitantes podem pagar para dar mamadeira aos filhotes e passear com os tigres.</p>
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Caçadores de tigres presos
Steve Winter
<p> Estes homens foram detidos em janeiro de 2011, quando tentavam vender uma pele de tigre perto de Chandrapur, na Índia. O comércio de ossos, olhos, bigodes e dentes do animal para fazer “remédios” asiáticos pode gerar 5 milhões de dólares por ano.</p>
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filhote é usado como isca
Steve Winter
<p> Na Indonésia, caçadores usam um filhote de cachorro como isca para atrair os tigres até armadilhas.</p>
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Patrulhas Smart
Steve Winter
<p> Membros da Patrulha Smart procuram caçadores ilegais no Complexo Florestal Oeste, na Tailândia, hábitat de até 200 tigres, mas capaz de abrigar outras centenas.</p>
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Enterro de homem atacado por tigre
Steve Winter
<p> Parentes preparam para a cremação o corpo de um morador morto por um tigre no vilarejo indiano de Tala. O animal saíra do Parque Nacional Bandhavgarh para caçar, e guardas tentaram enxotá-lo de Tala. Uma patada aniquilou o homem.</p>
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Mãe e filhote descansam
Steve Winter
<p> A mãe descansa com o filhote de 2 meses no parque Bandhavgarh, onde os administradores conseguiram um aumento no número de tigres. Indenizações pagas quando os felinos fazem vítimas fora do parque agradam aos moradores.</p>
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Tigre transpõe cerca
Steve Winter
<p> Um tigre transpõe uma cerca no Parque Nacional Bandhavgarh, na Índia, que talvez seja pequeno demais para sustentar os quase 60 felinos locais. Buracos permitem que os bichos saiam para caçar, mas dão entrada a caçadores clandestinos.</p>
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Jovem segura foto de tigre na Indonésia
Steve Winter
<p> Uma jaula não é refúgio para nenhum animal cujas partes do corpo são cobiçadas pelo tráfico. Dara Arista, de 8 anos, segura uma foto de Sheila diante de sua jaula, no zoo de Jambi, na Indonésia. Caçadores mataram a tigresa durante a noite.</p>
Amanhece, e a neblina envolve a floresta. Só uma lasca da trilha de terra se deixa entrever. De repente, emerge da névoa de poeira e luz rubrodourada uma tigresa. Vem em um andar tranquilo, para e roça os bigodes direitos em uma árvore à margem do caminho. Atravessa a trilha e roça os bigodes esquerdos. Depois se vira para nós com um olhar de profunda indiferença e tédio. Então, como que compadecida, ela se espicha de patas para cima e arranha a árvore, voltando para nós seu perfil magnífico, os iconográficos e poderosos flancos atestando com impacto máximo sua deslumbrante condição.
Eis o tigre. O Panthera tigris, o maior dos felinos, o qual até a terminologia biológica reverencia com expressões de respeito, como “predador alfa” ou “espécie guarda-chuva”. É um dos mais formidáveis carnívoros do planeta e também, com sua pelagem âmbar riscada de chamas negras, uma das mais belas criaturas.
Considere a sua constituição. Tem garras de 10 centímetros de comprimento, retráteis como as do gato doméstico, dentes carniceiros que trituram ossos. Mesmo capaz de correr a mais de 55 quilômetros por hora, o tigre tem o físico desenvolvido para a força, e não para a velocidade prolongada. Pernas curtas e possantes impelem seu característico bote letal e seus fabulosos saltos. Há pouco tempo, um deles foi filmado em um voo de 3,5 metros, quando atacava um guarda florestal que estava montado em um elefante.
O olho do tigre possui ao fundo uma membrana que reflete a luz através da retina: o segredo de sua famosa visão noturna e do fulgor de seu olhar no escuro. Seu rugido – Oooouuuummmm – pode se propagar por mais de 1,5 quilômetro.
Há semanas viajo por alguns dos melhores hábitats asiáticos da espécie: remotas florestas, matas tropicais e, em uma viagem anterior, manguezais. Mas ainda não havia visto nenhum deles. A causa, em parte, é sua famosa natureza reservada. O tigre tem força para matar e carregar presas cinco vezes mais pesadas que ele, mas ainda assim sabe se deslocar com delicadeza pelo mato e até na água em enervante silêncio. O refrão de quem já testemunhou um ataque ou sobreviveu a algum é: “O bicho surgiu do nada”.
Mas a outra razão de serem pouco avistados é que a paisagem ideal para um tigre contém pouquíssimos desses felinos. Desde que me conheço por gente, eles têm sido uma espécie ameaçada, e sua raridade passou a ser encarada sem maiores preocupações como um atributo tão intrínseco e definidor quanto sua chamativa coloração. A acomodada ideia de que a espécie continuará a ser “rara” ou “ameaçada” no futuro previsível não é mais defensável. Neste começo do século 21, os tigres na natureza estão à beira do abismo negro da aniquilação. “Temos de tomar decisões com a prontidão de uma sala de emergência”, diz Tom Kaplan, cofundador da Panthera, uma organização dedicada aos felinos. “Não há outro jeito.”
Os inimigos do tigre são bem conhecidos: a perda de hábitat exacerbada pelo aumento das populações humanas; a pobreza, que induz à caça ilegal de suas presas; e, pairando sobre todo o resto, a sinistra ameaça do brutal mercado negro chinês de partes do corpo do felino. Temos também, menos alardeadas, as desleixadas estratégias de conservação que por décadas vêm falhando. A população estimada desses felinos, dispersa por 13 países asiáticos, é inferior a 4 mil espécimes, e muitos conservacionistas acreditam que sejam centenas a menos. Analisando esses números em perspectiva: o alarme global para a espécie soou pela primeira vez em 1969, e, no início dos anos 1980, calculou-se que por volta de 8 mil tigres permaneciam na natureza. Ou seja, as décadas de vociferante preocupação com a espécie, sem falar nos milhões de dólares doados por bem-intencionados, alcançaram o extermínio de talvez metade da já irrisória população.
Minha resolução de ver um espécime selvagem antes de morrer me trouxe à Reserva de Tigres Ranthambore, uma das 40 na Índia. Avistei meu primeiro felino em dez minutos e, em uma excursão de quatro dias, deslumbrei-me com nove avistamentos, incluindo uma nova aparição daquela primeira tigresa, uma fêmea de 3 anos. No capim alto, ela rasteja com imensa paciência e concentração, erguendo e baixando cada pata em câmera lenta tão deliberadamente que é possível ver sua astúcia furtiva.
